<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-3689334277767611765</id><updated>2011-09-01T09:37:18.130-03:00</updated><title type='text'>Revista Foda-se...</title><subtitle type='html'></subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://revistafoda-se.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3689334277767611765/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://revistafoda-se.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Revista Foda-se</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16958292788814484525</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_6KDne3Njd_g/SYBYcPCPbxI/AAAAAAAAAJI/UuNficiIY9U/S220/marrocos6.jpg'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>43</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3689334277767611765.post-6459657839067982949</id><published>2009-08-09T17:09:00.004-03:00</published><updated>2009-08-09T18:21:51.571-03:00</updated><title type='text'>M   Ú   Ú   Ú   Ú   Ú</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_6KDne3Njd_g/Sn85k2uHmWI/AAAAAAAAAL4/IpV2cDqAKN4/s1600-h/mu.jpg"&gt;&lt;img style="TEXT-ALIGN: center; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 318px; DISPLAY: block; HEIGHT: 320px; CURSOR: hand" id="BLOGGER_PHOTO_ID_5368072586175945058" border="0" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_6KDne3Njd_g/Sn85k2uHmWI/AAAAAAAAAL4/IpV2cDqAKN4/s320/mu.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Outro dia saiu no jornal que a Secretária Municipal de Cultura, Jandira Feghali, teria dito que “o Rio de Janeiro voltou a ser a capital cultural do país”. É... Parece que o carioca tem mesmo essa mania feia de vender para o resto do mundo uma imagem sua que não reflete a realidade. Dizem que este aqui é o lugar onde as coisas acontecem primeiro, onde o povo é o mais caloroso na recepção à cultura, ponto de partida ou escala indispensável para o sujeito que pretenda consolidar sua carreira artística etc. Mas a realidade é bem diferente...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A realidade carioca é a cultura do &lt;em&gt;hype&lt;/em&gt;, da pulseirinha VIP, dos modismos efêmeros e da falta de curiosidade. Especialmente na Zona Sul da cidade, onde a juventude bronzeada parece estar virando gado, apesar de sua condição financeira privilegiada e do acesso facilitado à informação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sábado à noite, se não ameaçar chover, é quase sempre o mesmo filme: os bois bronzeados seguem as vaquinhas bronzeadas e o gado inteiro vai comer capim naquela festa &lt;em&gt;bombada&lt;/em&gt;, com músicas que&lt;em&gt; bombam&lt;/em&gt; nas rádios, ou naquele show onde a &lt;em&gt;pegação&lt;/em&gt; é garantida. A qualidade da música e do evento em si é o que menos importa. O negócio é fazer aquela social, ver e ser visto. O que interessa é dar beijo na boca, sacou, &lt;em&gt;brother&lt;/em&gt;?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nada contra o beijo na boca – pelo contrário –, mas, sair de casa é só isso?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É bom que fique claro: eu não me acho mais inteligente que você, oh, leitor macambúzio! Mas já percebi que existe no mundo globalizado e, especialmente, no Rio de Janeiro, um processo sinistro de emburrecimento geral que está tomando conta da situação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou exagerando? Então, responda: você costuma sair de casa pra conferir o show de uma banda nova da qual você nunca tenha ouvido falar? Você tem interesse em uma festa onde os DJs não toquem músicas que &lt;em&gt;bombam&lt;/em&gt; nas rádios? Você vence a preguiça e o preconceito contra aquilo que é de fato novo na música, na literatura, no cinema, nas artes plásticas, na cultura em geral? Se sua resposta foi positiva para as perguntas acima, saiba: és praticamente um super-herói carioca! E, infelizmente, uma exceção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas se você se sentiu culpado, entenda que a culpa não é só sua. Você não tem nenhum grande veículo de comunicação que te mostre a diferença entre a melancia e a Mulher Melancia. Pelo contrário, em termos de cultura, tudo que chega com alguma facilidade ao seu conhecimento e da maioria dos brasileiros é &lt;em&gt;reality show&lt;/em&gt;, música com jabá, filmes (na sua maioria, umas merdas) de Hollywood, mega eventos de qualidade duvidosa e informação preguiçosa ou tendenciosa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tomemos como exemplo o filme &lt;em&gt;Se eu fosse você 2&lt;/em&gt;. Eu nem assisti, e não interessa agora se ele é bom ou ruim. Só que o filme tem atores Globais, um investimento forte de &lt;em&gt;marketing&lt;/em&gt; etc. E aí as salas lotam na primeira semana. Em seguida, começam a divulgar o sucesso comercial da película e... &lt;em&gt;boom&lt;/em&gt;! Sucesso total. Milhões de bois e vaquinhas comendo pipoca no escurinho do cinema. Enquanto isso, o filme sobre o Arnaldo Baptista (&lt;em&gt;Lóki?&lt;/em&gt;), um dos caras mais importantes da cultura nacional, ganha três salinhas pequenas para exibição. Sai de cartaz em poucas semanas e quase ninguém assiste. Legal, né? &lt;strong&gt;MÚÚÚÚÚ&lt;/strong&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E quem se lembra do show do Blur, no Metropolitan, em 1999? Eu estava lá e vi a decepção nos olhos do Damon Albarn (vocalista), quando pisou no palco e percebeu a falta de público no recinto. O cara colocou a mão direita sobre os olhos, como se estivesse procurando o público, e mandou no microfone: “Onde estão seus amigos?” Assim mesmo, o show foi fuderoso, histórico. Uma das maiores bandas de rock do mundo e o carioca cagou pra eles... Nunca mais voltaram. E o Radiohead? Lembra da capa da revista Rio Show na semana do show deles no Rio? Era a foto de um hambúrguer... De novo: um hambúrguer! Resultado: o show mais vazio da turnê latina da banda. &lt;strong&gt;MÚÚÚÚÚ&lt;/strong&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E ainda insistem nessa baboseira de “capital cultural do país”! É muita arrogância para uma cidade onde existe meia dúzia de três ou quatro casas de shows decentes para apresentação de novas bandas, onde o teatro só enche quando a peça tem ator de novela e onde boa parte das crianças está fora das escolas. Esse complexo de superioridade que inundou São Sebastião é peça fundamental na máquina do emburrecimento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E outra peça importante desta engrenagem é a falta de curiosidade. Sem a boa e necessária curiosidade, acontece como no show da Cat Power, domingo retrasado: lamentável fiasco de público. (Detalhe: o show lotou em São Paulo). Sem ela, as boas bandas gringas cancelam os shows no Rio e vão tocar em Curitiba. Sem ela, as novas bandas cariocas nunca vão tirar o pescoço da lama. Sem ela, as pessoas que encontramos nas festas de música alternativa (rock, eletrônica, africana, dos Bálcãs ou qualquer outro som) serão sempre aquela mesma meia dúzia de sete ou oito conhecidos. Sem curiosidade, o emburrecimento toma conta! Se liga, malandragem...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Rio de Janeiro continua lindo e cheio de gente esperta, no bom sentido do termo. Mas, sem a tal da curiosidade, em breve estaremos todos mugindo uns para os outros nos currais VIPs da noite carioca. &lt;strong&gt;MÚÚÚÚÚ&lt;/strong&gt;...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Zé McGill&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;* Originalmente publicado no Tico Tico, o site do programa roNca roNca, do Mauricio Valladares:&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://www.oifm.com.br/ronca"&gt;&lt;strong&gt;http://www.oifm.com.br/ronca&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;** E, antes do Tico Tico (em versão reduzida), no blog do Rio Fanzine (O Globo):&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://oglobo.globo.com/blogs/riofanzine"&gt;&lt;strong&gt;http://oglobo.globo.com/blogs/riofanzine&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;*** Frank Sinatra não tem nada com isso... &lt;em&gt;Fly me to the moon&lt;/em&gt;!&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/znjEVqSmUSE&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1&amp;amp;"&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/znjEVqSmUSE&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1&amp;amp;" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3689334277767611765-6459657839067982949?l=revistafoda-se.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://revistafoda-se.blogspot.com/feeds/6459657839067982949/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3689334277767611765&amp;postID=6459657839067982949' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3689334277767611765/posts/default/6459657839067982949'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3689334277767611765/posts/default/6459657839067982949'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://revistafoda-se.blogspot.com/2009/08/m-u-u-u-u-u.html' title='M   Ú   Ú   Ú   Ú   Ú'/><author><name>Revista Foda-se</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16958292788814484525</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_6KDne3Njd_g/SYBYcPCPbxI/AAAAAAAAAJI/UuNficiIY9U/S220/marrocos6.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_6KDne3Njd_g/Sn85k2uHmWI/AAAAAAAAAL4/IpV2cDqAKN4/s72-c/mu.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3689334277767611765.post-3889964383012714628</id><published>2009-07-20T22:14:00.009-03:00</published><updated>2009-07-21T11:55:36.504-03:00</updated><title type='text'>NINGUÉM FAZIA IDEIA</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_6KDne3Njd_g/SmUXgVl8LWI/AAAAAAAAALw/tL0MI_8v2-s/s1600-h/lampada5.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5360716775773973858" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 213px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_6KDne3Njd_g/SmUXgVl8LWI/AAAAAAAAALw/tL0MI_8v2-s/s320/lampada5.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Você já parou pra pensar sobre a renovação que certas palavras sofreram por causa do novo acordo ortográfico da língua portuguesa? Nos textos que você lê nos jornais, na internet, nas publicações mais recentes, você percebe que existe uma palavrinha que antes quase não era notada, mas que agora, depois do tal acordo, botou o pescoço pra fora da janela?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A tal palavra é IDEIA. Segundo meu dicionário de bolso, surrado e manchado de suco de goiaba, significa: “Representação mental, imaginação; elaboração intelectual; concepção; plano, projeto”. Não sei se aconteceu somente comigo, mas após o tal acordo, parece que IDEIA começou a pipocar loucamente em 90% dos textos que leio. Eu não fazia IDEIA da assiduidade do nobre vocábulo. Acho que ninguém fazia IDEIA. &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;E de quem terá sido a magnânima IDEIA de colher o maduro acento agudo lá do alto dos cachos da IDÉIA? Fico imaginando um acadêmico lusitano, cabeçudo e atormentado, desprovido de boas IDEIAS, que se depara com a palavra IDÉIA num canto escuro de seu escritório. Ele decide escalar o &lt;strong&gt;E&lt;/strong&gt; para afanar-lhe o acento na mão grande. Trepa sobre o segundo braço da letra, olha à sua volta para certificar-se de que não há ninguém olhando e disfarça um pigarro antes de passar a mão no agudo e enfiá-lo no bolso do paletó. Em seguida, pega o telefone e começa a ligar para os colegas de academia, conta-lhes sobre o sequestro e propõe um... acordo.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Ainda bem que o tal acordo ortográfico exclui os nomes próprios. Eu conheço uma moça bonita, de nome igualmente bonito, que tem o assassinado trema posto sobre a letra&lt;strong&gt; i&lt;/strong&gt;, no meio do nome. Essa moça bonita não quer se livrar do trema e pode ignorar o tal acordo se assim desejar. Mas e a palavra linguiça, por exemplo, como é que fica? &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Violentou-se a lingüiça, justamente ela, que sempre sofreu as mais perversas violações: além de ser tostada nos churrascos da vida, tornou-se sinônimo de órgão genital e de embromação, antes mesmo que a coroa do &lt;strong&gt;U&lt;/strong&gt; levantasse voo. Por sinal, esta última palavra (ex-vôo) é mais uma que foi descortinada. Eu diria que voo vem logo na cola de IDEIA na fila indiana das palavras defloradas que andam salientes. Não sei se foi o acidente da Air France ou a queda do acento circunflexo, que deixou careca seu primeiro &lt;strong&gt;O&lt;/strong&gt;, mas passei a ler voo com frequência muito maior nos últimos meses. Assim como passei a enxergar IDEIA em tudo que é folha de papel. E nisso reside aquele que talvez seja o único atributo positivo do novo acordo ortográfico.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Dizem que Deus está nas coincidências. E talvez não seja por acaso que IDEIA esteja pululando sob nossas pupilas ultimamente. Em nossas vidinhas modernosas, onde somos quase todos consumidos pela urgência de ganhar dinheiro, consolidar carreiras profissionais e conquistar patrimônios materiais, sobra cada vez menos tempo para parir boas IDEIAS. Parece que vivemos um processo dormente de emburrecimento no mundo globalizado, onde a boa IDEIA está minguando e nem a Caninha 51 salva.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Enfim, não sei se este texto em homenagem à IDÉIA foi uma IDEIA genial ou um sinal de que preciso beber menos, mas vou trocar uma IDEIA com aquela moça bonita (aquela, que manteve o trema no nome) pra ver se ela consegue dar um jeito de tirar esta IDEIA fixa da minha cabeça. Mas, que IDEIA...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Zé McGill&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color:#ffff00;"&gt;&lt;strong&gt;* &lt;em&gt;All the world is green - Tom Waits&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/1RIbtTGOBsw&amp;amp;hl=" width="425" height="344" type="application/x-shockwave-flash" fs="1&amp;amp;" allowfullscreen="true" allowscriptaccess="always"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3689334277767611765-3889964383012714628?l=revistafoda-se.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://revistafoda-se.blogspot.com/feeds/3889964383012714628/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3689334277767611765&amp;postID=3889964383012714628' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3689334277767611765/posts/default/3889964383012714628'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3689334277767611765/posts/default/3889964383012714628'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://revistafoda-se.blogspot.com/2009/07/ninguem-fazia-ideia.html' title='NINGUÉM FAZIA IDEIA'/><author><name>Revista Foda-se</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16958292788814484525</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_6KDne3Njd_g/SYBYcPCPbxI/AAAAAAAAAJI/UuNficiIY9U/S220/marrocos6.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_6KDne3Njd_g/SmUXgVl8LWI/AAAAAAAAALw/tL0MI_8v2-s/s72-c/lampada5.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3689334277767611765.post-919317041471555316</id><published>2009-06-28T20:40:00.005-03:00</published><updated>2009-06-28T21:08:40.658-03:00</updated><title type='text'>LATIN GOES SKA</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_6KDne3Njd_g/SkgDjiI94SI/AAAAAAAAALo/8K5C_uoRjPo/s1600-h/shows_skatalites_1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5352532066124554530" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 267px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_6KDne3Njd_g/SkgDjiI94SI/AAAAAAAAALo/8K5C_uoRjPo/s320/shows_skatalites_1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O negócio é o seguinte: nesta resenha, vou usar a palavra CLASSE repetidamente. Porque um show dos Skatalites é isso: classe. E não há sinônimo que substitua “classe” à altura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Esperar que os Skatalites – banda fundada em 1962 – se apresentassem com o vigor que se percebe em álbuns como Stretching Out (um clássico do ska, de 1986) seria covardia. Afinal, metade da banda já ultrapassou a casa dos 60 anos de idade. Por outro lado, a falta de fôlego (flagrante em alguns momentos) foi compensada com doses generosas de classe, muita classe, no histórico show que passou pelo Rio de Janeiro, na última sexta-feira (05/06/09), no Circo Voador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas não confunda falta de fôlego com falta de energia. Até porque os coroas do grupo (Lloyd Knibbs – bateria, Lester Sterling – sax alto, Cedric Brooks – sax tenor, e a cantora Doreen Schaffer) andam muito bem acompanhados por uma moçada que esbanja jovialidade no palco. E por falar em boa companhia, os jamaicanos acertaram também na escolha do Canastra, banda carioca que fez mais do que um simples show de abertura.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O bailão caribenho dos Skatalites foi inaugurado com “Freedom Sounds” e “Occupation”, dois clássicos do repertório deles, que serviram como aviso de que o negócio seria sério. Logo de cara, percebe-se que o coração da banda é mesmo o paredão indigesto de metais (dois saxofones + trompete + trombone). Sterling e Brooks, sempre no centro do palco, entram juntos num estado de torpor que dá gosto de ver. Os velhinhos ficam imóveis, tocando de olhos fechados, enquanto o resto da banda e o público ululam radiantes ao redor. Coisa fina. Classe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se os metais são o coração dos Skatalites, bateria e guitarra são o pulmão. Knibbs (o Charlie Watts do ska!) não ataca mais com a vitalidade do passado, as viradas de bateria são mesmo raras, mas é ele quem dá as cartas do ritmo. Ele e o guitarrista Devon James, que tem um ar quase blasé, quase preguiçoso, mas uma mão direita nervosinha que só ela. Mão direita que ficou em evidência em “Simmer Down”, por exemplo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Outros clássicos skatalaitianos como “Guns of Navarrone” e “Eastern Standard Time” não poderiam faltar. E não faltaram, mas foi em “Latin Goes Ska” que o Circo Voador quase levantou voo de verdade. Uma galera que dançava em frente ao palco na maior animação não se conteve: começaram a subir no palco, um de cada vez, em total harmonia, pra dançar com a banda. E Lester Sterling, um dos membros originais do grupo (ao lado de Knibbs e Schaffer), aprovou a bagunça, com muita classe.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, classe mesmo é com a tal da Doreen Schaffer. Ela participou de menos da metade do show, mas quando cantou, foi com elegância extraordinária. O que mais rola pelo mundo é banda de reggae fazendo aquele sonzinho palha (tomemos “palha” por antônimo de classe, ok?), sem vergonha mesmo. E quando a gente testemunha uma cantora como Doreen e uma banda como os Skatalites tocando reggae como fizeram no meio do show, soa um alarme lá na parte de trás da cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto assistia ao show, fiquei tentando achar defeitos ou imperfeições para que esta resenha não soasse como rasgação de seda de fã. Mas não achei nada. O único senão do show ficou por conta das falhas no P.A., que tentaram mas não conseguiram tirar o brilho dos solos de trombone de Vin Gordon, que por vezes remetiam ao canto de uma baleia assassina no fundo do oceano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E também tem o seguinte: esse papo de imparcialidade jornalística vira conversa pra boi dormir quando se escreve sobre o show de uma banda como os Skatalites, criadores de um ritmo que deu origem ao reggae de Bob Marley, e que nunca haviam se apresentado no Rio de Janeiro. Às vezes, é preciso gritar para que as pessoas entendam: FOI HISTÓRICO!&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Zé McGill&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;* Originalmente publicado no Portal Rock Press:&lt;br /&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;a href="http://www.portalrockpress.com.br/modules.php?name=News&amp;amp;file=article&amp;amp;sid=3499"&gt;http://www.portalrockpress.com.br/modules.php?name=News&amp;amp;file=article&amp;amp;sid=3499&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;** Saiu também no blog oficial do Circo Voador. Valeu, Lencinho!&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://circovoadorlapa.blogspot.com/"&gt;http://circovoadorlapa.blogspot.com/&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;*** Foto de Tiago Chediak.&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="color:#ffff00;"&gt;****Latin Goes Ska @ Circo Voador!!!&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/fG2q10bpz3c&amp;amp;hl=" width="425" height="344" type="application/x-shockwave-flash" fs="1&amp;amp;" allowfullscreen="true" allowscriptaccess="always"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3689334277767611765-919317041471555316?l=revistafoda-se.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://revistafoda-se.blogspot.com/feeds/919317041471555316/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3689334277767611765&amp;postID=919317041471555316' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3689334277767611765/posts/default/919317041471555316'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3689334277767611765/posts/default/919317041471555316'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://revistafoda-se.blogspot.com/2009/06/latin-goes-ska.html' title='LATIN GOES SKA'/><author><name>Revista Foda-se</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16958292788814484525</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_6KDne3Njd_g/SYBYcPCPbxI/AAAAAAAAAJI/UuNficiIY9U/S220/marrocos6.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_6KDne3Njd_g/SkgDjiI94SI/AAAAAAAAALo/8K5C_uoRjPo/s72-c/shows_skatalites_1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3689334277767611765.post-1469080529384477068</id><published>2009-06-22T18:40:00.007-03:00</published><updated>2009-06-22T21:36:24.130-03:00</updated><title type='text'>CHOLITA COCHABAMBA</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_6KDne3Njd_g/Sj_6rLoJrUI/AAAAAAAAALg/GQrBZ7aGAKg/s1600-h/cholita.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5350270502101953858" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 265px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_6KDne3Njd_g/Sj_6rLoJrUI/AAAAAAAAALg/GQrBZ7aGAKg/s320/cholita.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;Segue abaixo conto curto escrito a partir da foto acima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;CHOLITA COCHABAMBA&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Peguei o Trem da Morte em Corumbá, numa manhã de quarta-feira. Meu destino era a cidade boliviana de Cochabamba, onde Ramon me aguardava com o material. Para chegar até lá, eu deveria descer do trem em Santa Cruz de La Sierra e de lá tomar um ônibus para o destino final. Tive que aturar vinte horas dentro daquele vagão bodoso, entre as cholas que vendiam limonada em saquinho e as galinhas histéricas. Sentada ao meu lado, uma personagem estranha achava graça do meu desconforto. Era uma anã boliviana, que se apresentou como “Cholita Cochabamba, atriz y vendedora de limonada nas horas vagas”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;- Ah... Cochabamba, si? Yo estoy indo para allí, disse, caprichando no meu portunhol.&lt;br /&gt;- Que bueeeno! Puedes quedarse en mi casa, si quieres, respondeu a anã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A simpatia gratuita de Cholita me pegou desprevenido. E apesar de ter dispensado polidamente o convite, percebi que a pequena boliviana não pararia de falar. Desandou a contar a história de sua vida. Falou sobre a infância alegre em Cochabamba, relatou episódios que evocavam o preconceito contra sua estatura e, em determinado momento, chegou a dizer que a única parte de seu corpo que não lhe agradava eram os seios, muito pequenos para o gosto dela. Se não me engano, foi justamente na hora em que ela falava sobre os seios que notei que o Trem da Morte estava parando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhei pela janela do vagão e reparei um movimento suspeito do lado de fora. Cholita, que não era passageira de primeira viagem, avisou que tratava-se de uma quadrilha peruana, a mesma que assaltara o trem semanas antes. Na mesma hora, peguei minha maleta e apertei-a contra o peito. Percebendo minha aflição, Cholita sugeriu sentar-se sobre a mala, criando assim o disfarce. E eu agradeci. Sabe-se lá o que aconteceria caso os peruanos descobrissem o conteúdo da maleta...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas deu tudo certo. Cheguei à Cochabamba no dia seguinte, acompanhado da anã boliviana. Nos despedimos calorosamente num ponto de ônibus tumultuado e fotografei a pequena com seu container vermelho de limonada. Ela me pediu que lhe mandasse a foto pelo correio assim que chegasse ao Brasil. E foi o que fiz. Inclusive, usei o Photoshop para presentear Cholita com um avultado par de seios. Acho que vou visitá-la no verão. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Zé McGill&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;* Steve Miller Band, &lt;em&gt;The Joker.&lt;/em&gt; Coisa fina!&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/nIHP9o6X6D8&amp;amp;hl=" width="425" height="344" type="application/x-shockwave-flash" fs="1&amp;amp;" allowfullscreen="true" allowscriptaccess="always"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3689334277767611765-1469080529384477068?l=revistafoda-se.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://revistafoda-se.blogspot.com/feeds/1469080529384477068/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3689334277767611765&amp;postID=1469080529384477068' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3689334277767611765/posts/default/1469080529384477068'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3689334277767611765/posts/default/1469080529384477068'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://revistafoda-se.blogspot.com/2009/06/cholita-cochabamba.html' title='CHOLITA COCHABAMBA'/><author><name>Revista Foda-se</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16958292788814484525</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_6KDne3Njd_g/SYBYcPCPbxI/AAAAAAAAAJI/UuNficiIY9U/S220/marrocos6.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_6KDne3Njd_g/Sj_6rLoJrUI/AAAAAAAAALg/GQrBZ7aGAKg/s72-c/cholita.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3689334277767611765.post-4828608585136137734</id><published>2009-06-10T17:04:00.005-03:00</published><updated>2009-06-12T00:33:30.124-03:00</updated><title type='text'>AFROBEAT NO GO DIE!</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_6KDne3Njd_g/SjAU2Bh0cDI/AAAAAAAAALY/xOiZ7-EMcIM/s1600-h/makula_riofanzine.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5345795676044554290" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 294px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_6KDne3Njd_g/SjAU2Bh0cDI/AAAAAAAAALY/xOiZ7-EMcIM/s320/makula_riofanzine.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Na última sexta-feira (dia 05 de junho), saiu no Rio Fanzine (Rio Show - O Globo) um texto meu sobre o afrobeat. Muito legal! Mas cortaram um bocado do texto, já que a prioridade era da lenda jamaicana Skatalites, com toda razão. Afinal, quem é Zé McGill comparado aos reis do ska?! &lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Enfim... segue abaixo o meu texto na íntegra, pra quem quiser dar um confere. Para ler a versão publicada n' O Globo, basta clicar na imagem acima. &lt;/div&gt;&lt;div&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;E a festa MAKULA do dia 06 foi histórica! Confira algumas das fotos do bailão africano no &lt;a href="http://www.myspace.com/festamakula"&gt;www.myspace.com/festamakula&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;---------------------------------------------------------&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Escutei Fela Kuti pela primeira vez em 1997, eu acho. Lembro que era final de tarde de verão, em Los Angeles, e um amigo brasileiro que morava comigo me apresentou aquele CD cuja capa trazia estampada a figura de um babuíno meio sinistro. Era o disco Gentleman (1973) e a primeira música que rolou tinha o mesmo nome. Naquela época, eu escutava muito Pixies e Jane’s Addiction e não tinha muita paciência com o que não fosse rock. Quando meu amigo disse que o tal Fela Kuti era da Nigéria, quase pedi a ele que deixasse pra botar o disco numa outra hora. Mas aí a música começou. E entrou uma batida de percussão que lembrava samba, umas notas graves no teclado e um saxofone demente. Legal, mas nada que não me fizesse querer colocar de volta o disco dos Pixies. Só que, lá pelo segundo minuto da música, quando entraram juntos o baixo e a bateria, ingressei numa espécie de transe. Senti a parede do apartamento tremer e o cheeseburger que eu havia almoçado revirar dentro do meu estômago. Saca aquelas músicas que te ganham logo na primeira audição? Pois é...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns anos mais tarde, já no Brasil, comecei a pesquisar sobre o afrobeat, gênero criado pelo Fela, que une o groove do soulfunky do James Brown à liberdade criativa do jazz, assim como a elementos propriamente africanos e também ao vigor do rock, ele mesmo. Fui caçar aquele som que eu havia escutado em “Gentleman”. Descobri outros nigerianos como Orlando Julius, Tony Allen, Joni Haastrup e The Funkees. Todos contemporâneos da melhor fase do Fela, nos anos 70. E me dei conta de que havia esbarrado com o afrobeat justamente no ano da morte de seu criador. Fela Kuti morreu naquele ano de 1997, quando eu só escutava rock e comia cheeseburger em Los Angeles. Por algum tempo, lamentei ter chegado tarde demais à África.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acontece que o tempo passou e surgiu na internet o MySpace. Ali, tomei conhecimento da sobrevivência do afrobeat pelo mundo. Ouvi o som de big bands surgidas já no novo século como Nomo (de Michigan), Afrodizz (Montreal), Fanga (Montpellier) e JariBu (Tóquio!). E fiquei sabendo que existem duas cenas em ebulição no orbe terrestre: Nova Iorque, com bandas como Antibalas, Akoya e Kokolo, e Londres, com Dele Sosimi e Inemo, entre outras. Algumas paqueram o jazz, outras flertam até com o hip hop e muitas são compostas por integrantes não-negros. Mas aquilo que o mestre Fela ensinou, inclusive o discurso politizado, está quase sempre ali, na base de tudo. Ou seja, o afrobeat não apenas sobrevive, mas está se espalhando pelo mundo com grau de alcance parecido com o de uma pandemia incontrolável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso sem falar em Lagos, capital da Nigéria, onde os rebentos do Fela – Femi e Seun Kuti – mantém aceso o fogo do afrobeat em sua terra natal. No Brasil, já tivemos grupos como Afrika Gumbe e Obina Shok, cheios de elementos afro no som. E estão pipocando novas bandas nacionais (vide o MySpace) que colocam o afrobeat entre suas principais influências. Portanto, não se espante caso uma tsunami de afrobeat invada o Rio de Janeiro em breve. E não precisa esquecer o samba, a caipirinha, o rock e nem o cheeseburger. Mas chute a preguiça e o preconceito pra escanteio: ouça o som e tente não dançar. Afinal, carregamos no nosso background cultural mil e uma referências africanas. Ou não?&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Zé McGill&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;* Pra não perder o hábito, segue videozinho cascudo da música "Yegelle Tezeta", de Mulatu Astatke (Etiópia), sobre animação da Disney...&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/snHzqUP8Zeo&amp;amp;hl=" width="425" height="344" type="application/x-shockwave-flash" fs="1&amp;amp;" allowfullscreen="true" allowscriptaccess="always"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3689334277767611765-4828608585136137734?l=revistafoda-se.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://revistafoda-se.blogspot.com/feeds/4828608585136137734/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3689334277767611765&amp;postID=4828608585136137734' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3689334277767611765/posts/default/4828608585136137734'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3689334277767611765/posts/default/4828608585136137734'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://revistafoda-se.blogspot.com/2009/06/afrobeat-no-go-die.html' title='AFROBEAT NO GO DIE!'/><author><name>Revista Foda-se</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16958292788814484525</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_6KDne3Njd_g/SYBYcPCPbxI/AAAAAAAAAJI/UuNficiIY9U/S220/marrocos6.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_6KDne3Njd_g/SjAU2Bh0cDI/AAAAAAAAALY/xOiZ7-EMcIM/s72-c/makula_riofanzine.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3689334277767611765.post-7644961704829399502</id><published>2009-05-30T00:03:00.025-03:00</published><updated>2009-05-30T15:37:08.007-03:00</updated><title type='text'>REVISTA FODA-SE ENTREVISTA MAUVAL</title><content type='html'>&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5341458420706719890" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 156px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_6KDne3Njd_g/SiCsIiS-OJI/AAAAAAAAALQ/FS8XMYV7m3c/s200/mv_hendrix.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_6KDne3Njd_g/SiCqBs4HDMI/AAAAAAAAALI/fdxq0G5zj7c/s1600-h/flyermakula5verso.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5341456104264502466" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 150px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_6KDne3Njd_g/SiCqBs4HDMI/AAAAAAAAALI/fdxq0G5zj7c/s200/flyermakula5verso.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_6KDne3Njd_g/SiCp4lcarwI/AAAAAAAAALA/yJG1Pq3d0ZM/s1600-h/flyermakula5.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5341455947650477826" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 150px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_6KDne3Njd_g/SiCp4lcarwI/AAAAAAAAALA/yJG1Pq3d0ZM/s200/flyermakula5.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;A próxima edição da festa MAKULA (dia 06 de junho, sábado, no Cine Glória) terá participação &lt;span style="font-size:130%;"&gt;histórica&lt;/span&gt; de &lt;strong&gt;Mauricio Valladares&lt;/strong&gt;, a lenda! Para saber mais sobre a festa, clique nos flyers acima. Para entrar na lista amiga (R$10,00), mande e-mail com nomes completos para &lt;a href="mailto:festamakula@gmail.com"&gt;festamakula@gmail.com&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Pra quem não sabe, Mauval, além de DJ e fotógrafo, é apresentador do &lt;a href="http://www.oifm.com.br/ronca"&gt;roNca roNca&lt;/a&gt; (Oi FM - 102.9, toda terça-feira, às 22h), o programa de rádio mais legal do Brasil, uma verdadeira aula semanal de música, informação e bom humor. A Revista Foda-se trocou uma ideia com o mestre. Lá vai: &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;RF:&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;A música africana tem expoentes diversos como a guitarrada do Franco, o &lt;em&gt;groove&lt;/em&gt; do afrobeat do Fela Kuti, o jazz da Etiópia, o Kuduro de Angola e os temperos caribenhos da Orchestra Baobab, entre muitos outros. Você tem favoritos entre eles?&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;MV:&lt;/strong&gt; &lt;em&gt;A preferência aparece no momento... pela diversidade de estilos, cada um tem sua hora própria.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;RF:&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;Dá pra dizer que você e o Júlio Barroso (da Gang 90) foram os pioneiros do som afro na noite do Rio, certo? E já que toquei no assunto, qual é a dimensão da contribuição do Júlio, também como pesquisador musical, para a difusão desse tipo de som na cidade?&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;MV:&lt;/strong&gt; &lt;em&gt;Muita gente sempre ajudou para a circulação da informação africana. Acho que não podemos separar um estilo do outro... quando a música africana circular, os sons escandinavos e da Ilha de Marajó também chegarão aos ouvidos curiosos. Tudo está interligado!&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;RF:&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;O Rio de Janeiro ainda pode ser considerada a capital cultural do Brasil? O que há de errado com o público carioca, que só sai de casa pra conferir o que é &lt;em&gt;hype&lt;/em&gt;, os eventos da moda, e parece ter preguiça e falta de interesse em conhecer o que é de fato novo ou diferente na cultura em geral?&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;MV:&lt;/strong&gt; &lt;em&gt;De errado atualmente? Ha ha ha... quase tudo! Vamos pegar a tal da "cidade da música" de exemplo... Mas o principal nesse assunto de afastamento do público é a falta de informação. Não temos mais nenhum veículo de comunicação nos dizendo a diferença da melancia para a mulher melancia, manja?&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;RF:&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;Como era a festa &lt;em&gt;Funk n’ Reggae&lt;/em&gt; que você fazia no Rio na década de 80? Rolava muito som africano? O público respondia no pé?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;MV:&lt;/strong&gt; &lt;em&gt;Ha ha ha... sim, as pessoas iam pra festa dispostas a se divertir com músicas fora do padrão.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;RF:&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;O que é um bom programa de rádio, na sua opinião?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;MV:&lt;/strong&gt; &lt;em&gt;Um programa que informe e surpreenda!&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;RF:&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;Porque é que o roNca roNca está no ar há tanto tempo, com um público tão fiel, e continua sempre atraindo novos ouvintes?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;MV:&lt;/strong&gt; &lt;em&gt;Acho que por alimentar um público resistente.&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;RF:&lt;/strong&gt; E&lt;strong&gt;xiste algo ou alguém que você gostaria de ter fotografado mas ainda não fotografou?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;MV:&lt;/strong&gt; &lt;em&gt;Os dejótas da Makula!!!&lt;/em&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;RF:&lt;/strong&gt; &lt;strong&gt;Quem é que merece um foda-se bem bonito?&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;MV:&lt;/strong&gt; &lt;em&gt;Os responsáveis pelo emburrecimento dos brasileiros!&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;* Sente a pressão deste vídeo da Kokolo &lt;span style="font-size:130%;"&gt;Afrobeat&lt;/span&gt; Orchestra, de Nova Iorque, num show na Inglaterra. Se liga na desorientação do público... com a presença do MV, a pista da MAKULA corre o risco de ficar parecida no sábado...&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/_C7DpfiXgK8&amp;amp;hl=" width="425" height="344" type="application/x-shockwave-flash" fs="1" allowfullscreen="true" allowscriptaccess="always"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3689334277767611765-7644961704829399502?l=revistafoda-se.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://revistafoda-se.blogspot.com/feeds/7644961704829399502/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3689334277767611765&amp;postID=7644961704829399502' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3689334277767611765/posts/default/7644961704829399502'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3689334277767611765/posts/default/7644961704829399502'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://revistafoda-se.blogspot.com/2009/05/revista-foda-se-entrevista-mauval.html' title='REVISTA FODA-SE ENTREVISTA MAUVAL'/><author><name>Revista Foda-se</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16958292788814484525</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_6KDne3Njd_g/SYBYcPCPbxI/AAAAAAAAAJI/UuNficiIY9U/S220/marrocos6.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_6KDne3Njd_g/SiCsIiS-OJI/AAAAAAAAALQ/FS8XMYV7m3c/s72-c/mv_hendrix.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3689334277767611765.post-923761371565667729</id><published>2009-05-16T14:33:00.007-03:00</published><updated>2009-05-16T22:36:10.215-03:00</updated><title type='text'>MICK JAGGER DA BAHIA</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_6KDne3Njd_g/Sg78WuAbZHI/AAAAAAAAAK4/GF1lHCu2y9k/s1600-h/cae1.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5336480075717764210" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 214px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_6KDne3Njd_g/Sg78WuAbZHI/AAAAAAAAAK4/GF1lHCu2y9k/s320/cae1.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Domingo, dia da mães, e a senhora minha mãe diz que queria ir ao show do Caetano Veloso. Eu acordei de ressaca, todo errado, não conhecia o disco novo e não me animei muito. Mas, como era dia das mães, topei na hora. Lembrei também que nunca havia assistido a um show do CV e que acho fodaços os discos do início da carreira dele. Cheguei sonolento ao Canecão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E demorei a reconhecer a música de abertura: “A voz do morto”, registrada no disco de raridades &lt;em&gt;Cinema Olympia&lt;/em&gt;, onde ela aparece tocada pelos Mutantes. Eu estava largado na cadeira e fui logo me ajeitando. Em seguida veio “Sem cais”, que também é a segunda faixa de &lt;em&gt;Zii &amp;amp; Zie&lt;/em&gt;, o novo álbum. A linha de baixo, numa onda quase &lt;em&gt;dub&lt;/em&gt;, me deixou chapado, ao mesmo tempo que me despertou. Guitarrinha criando clima &lt;em&gt;cool&lt;/em&gt;, bateria cheia de classe, e a banda Cê, que acompanha Caetano desde o disco anterior, garantia a felicidade da mamãe. Eu já estava bem acordado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pedro Sá (guitarra), Ricardo Dias Gomes (baixo) e Marcelo Callado (bateria), além de figurarem entre os músicos mais talentosos e criativos do Brasil do novo século, também são fãs dos discos do início da carreira do Caetano. E só isso já sugeria que o repertório traria surpresas agradáveis. Mas eu não esperava “Maria Bethânia” (do primeiro disco dos anos de exílio, &lt;em&gt;Caetano Veloso&lt;/em&gt;, de 1970), “Irene” e “Não identificado” (do incrível disco de capa branca, &lt;em&gt;Caetano Veloso&lt;/em&gt;, de 1969). Esta última, com bateria demolidora de Callado. Aí, mamãe já merecia um beijo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caetano pode ser chato, você pode até implicar com ele. Mas é gênio. E talvez seja hoje o melhor cantor brasileiro em atividade. E bota atividade nisso. Além de virar os olhinhos para declarar sorrindo que “Eu sou neguinha”, o cara corre pelo palco feito um Mick Jagger da Bahia (em doses menores de energia), e cativa feito um David Bowie do Pelourinho. Ademais, conserva o (bom) hábito de saber surpreender musicalmente. Se bem que, ao final de “Não identificado”, uma madame da mesa ao lado, certamente surpreendida pela ausência dos maiores sucessos do baiano no roteiro do show, se empolgou e pediu “Leãozinho”. Perdidinha, coitada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Base de Guantánamo”, também do disco novo, é prova de que a torneira criativa musical de Caê não fechou. É quase um mantra, quase The Police, quase Cuba. Os &lt;em&gt;backing vocals&lt;/em&gt; da banda são coisa fina e a letra fala mal dos norte-americanos. Eu sou norte-americano (nasci lá nos EUA), minha mãe também, e os dois gostamos da música. Tem gente que reclama que Caê faz questão de emitir opinião de forma explícita o tempo todo, até nas letras. Por mim, deixa ele falar e cantar o que quiser... Ele acerta muito mais do que erra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acertou na escolha de “Incompatibilidade de gênios”, de João Bosco, mais uma de &lt;em&gt;Zii &amp;amp; Zie&lt;/em&gt;, que provocou corinho da plateia durante o bis. Acertou no cenário (de Hélio Eichbauer), em que uma asa-delta colocada praticamente sobre a cabeça do baterista parece que vai levantar vôo. E acertou em cheio no recrutamento da banda Cê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo bem, a letra de “Lapa” é meio esquisita. Precisava mesmo comparar o bairro carioca a um “rapaz gostoso”? Mas valeu muito ter ido. Mamãe ficou feliz. Eu também fiquei. E a ressaca sumiu. Às vezes, os melhores shows, os melhores filmes, os melhores encontros são aqueles em torno dos quais não se cria expectativa em excesso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ok, Mick Jagger da Bahia foi forçação, eu sei.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Zé McGill&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;* Só faltou no novo show de CV alguma música do disco &lt;em&gt;Transa&lt;/em&gt; (1972). Se liga nesse vídeo da música "Nine out of ten" (do &lt;em&gt;Transa&lt;/em&gt;), com a Banda Cê, no Tim Festival de 2006:&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/V3mhSgcmNWk&amp;amp;hl=" width="425" height="344" type="application/x-shockwave-flash" fs="1" allowfullscreen="true" allowscriptaccess="always"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3689334277767611765-923761371565667729?l=revistafoda-se.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://revistafoda-se.blogspot.com/feeds/923761371565667729/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3689334277767611765&amp;postID=923761371565667729' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3689334277767611765/posts/default/923761371565667729'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3689334277767611765/posts/default/923761371565667729'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://revistafoda-se.blogspot.com/2009/05/mick-jagger-da-bahia.html' title='MICK JAGGER DA BAHIA'/><author><name>Revista Foda-se</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16958292788814484525</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_6KDne3Njd_g/SYBYcPCPbxI/AAAAAAAAAJI/UuNficiIY9U/S220/marrocos6.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_6KDne3Njd_g/Sg78WuAbZHI/AAAAAAAAAK4/GF1lHCu2y9k/s72-c/cae1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3689334277767611765.post-990421718268031857</id><published>2009-04-30T02:38:00.018-03:00</published><updated>2009-05-01T02:06:46.816-03:00</updated><title type='text'>FALE A COISA CERTA</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_6KDne3Njd_g/Sfk6TMuDY8I/AAAAAAAAAKw/mVFE6NVq36M/s1600-h/being_there_ok.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5330355735476003778" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 300px; CURSOR: hand; HEIGHT: 310px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_6KDne3Njd_g/Sfk6TMuDY8I/AAAAAAAAAKw/mVFE6NVq36M/s320/being_there_ok.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Se eu tivesse um ponto de escuta instalado no ouvido vinte e quatro horas por dia, o mundo seria meu. Com ajuda do ponto, eu falaria a coisa certa, sempre. E, falando sempre a coisa certa, o sujeito consegue o que quiser na vida. Conquista a mulher que desejar, consegue o emprego que almejar e, se quiser, vira até presidente da República. Basta dizer a coisa certa. Isto é: dizer o que os outros querem escutar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do outro lado do meu ponto de escuta, num quartinho enfumaçado e mal iluminado, uma equipe de apoio estaria sempre a postos: psicólogo, psiquiatra, historiador, filósofo, tradutor de vários idiomas, piadista, canalha, boçal... A fauna toda. Cada um seria acionado para soprar o discurso certo na minha orelha no momento adequado. Se eu me sentasse à mesa de um bar com um idiota, o boçal assumiria o comando do outro lado do ponto para nivelar a conversa. Se travasse discussão com uma intelectual pedante, teria o suporte do filósofo para explicar que a vida não é somente aquilo; do historiador, para provar que os antepassados dela também erravam; e do canalha, pra fingir que estou muito interessado no papo dela. E assim por diante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A filosofia do “Fale a coisa certa” assombra os meus pensamentos há algum tempo. Mas foi na semana retrasada, ao assistir pela primeira vez o clássico &lt;em&gt;Muito além do jardim&lt;/em&gt; (1979), com Peter Sellers, que a ficha finalmente caiu de vez. O filme conta a história de um jardineiro chamado Chance (Sellers) que, após a morte de seu patrão, é obrigado a deixar a casa onde trabalhou a vida inteira. O sujeito, um semi-retardado que nunca havia colocado os pés fora de casa e só conhecia a vida através da televisão, dá de cara com um mundo desconhecido e hostil: as ruas de Washington DC.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo na primeira noite, Chance é atropelado por uma madame (Shirley MacLaine) que, por medo de ser processada, decide levar o infeliz para sua mansão a fim de cuidar do ferimento causado no acidente. A simplicidade do protagonista – que acaba sempre falando a coisa certa, mesmo que por acaso – começa a abrir portas. Tudo o que ele fala é relacionado à jardinagem, mas as pessoas em sua órbita atribuem suas supostas metáforas a uma sabedoria profunda. Em pouco tempo, a madame está apaixonada por ele e seu marido, o milionário dono da mansão, o adota como confidente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Num determinado momento do filme, o presidente dos EUA faz uma visita ao milionário, que era uma espécie de consultor seu. Na ocasião, Chance é apresentado ao presidente, que lhe pergunta algo como: “O que você faria para resolver o problema da nossa economia?”. Atrapalhado, o jardineiro responde o seguinte: “Enquanto as raízes estiverem sólidas, tudo estará bem no jardim”. O presidente, que nem era o Bush, fica impressionado com aquela “sacação” e divulga o “conselho” de Chance para toda a imprensa. No final, chegam mesmo a cogitar a candidatura do jardineiro à presidência dos Estados Unidos! Só porque ele falou as coisas certas nas horas certas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Falar a coisa certa é, no entanto, relativo. Relativo porque o impacto causado pela fala depende do estado de espírito, do grau de instrução e das necessidades a serem preenchidas no âmago do interlocutor. Mas tenha certeza: sempre existirá a coisa certa a ser dita. Sempre. Mesmo que a coisa certa seja uma mentira ou uma contradição às suas ideias. E mesmo que você não queira dizer a coisa certa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aliás, se eu soubesse escrever a coisa certa o tempo todo, a Revista Foda-se causaria um frenesi universal, uma pandemia literária descontrolada. Mas como não tenho essa competência e nem um ponto de escuta no ouvido, me contento em escrever e falar a coisa relativamente certa de vez em quando. E viva o Brasil... &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Zé McGill&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="color:#ffff00;"&gt;&lt;strong&gt;ps - O texto acima é baseado na música &lt;em&gt;Fale a coisa certa&lt;/em&gt;, de Zé McGill.&lt;/strong&gt; &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.myspace.com/bandaseres"&gt;&lt;span style="color:#ffff00;"&gt;Clique aqui&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="color:#ffff00;"&gt;&lt;strong&gt;para escutar a música no MySpace. A gravação é no esquema caseiro total, voz e violão, mas dá pra ter uma noção...&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;* Sly &amp;amp; The Family Stone tocando a coisa certa...&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/gq7Ed0Sk8DI&amp;amp;hl=" width="425" height="344" type="application/x-shockwave-flash" fs="1" allowfullscreen="true" allowscriptaccess="always"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3689334277767611765-990421718268031857?l=revistafoda-se.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://revistafoda-se.blogspot.com/feeds/990421718268031857/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3689334277767611765&amp;postID=990421718268031857' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3689334277767611765/posts/default/990421718268031857'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3689334277767611765/posts/default/990421718268031857'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://revistafoda-se.blogspot.com/2009/04/fale-coisa-certa.html' title='FALE A COISA CERTA'/><author><name>Revista Foda-se</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16958292788814484525</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_6KDne3Njd_g/SYBYcPCPbxI/AAAAAAAAAJI/UuNficiIY9U/S220/marrocos6.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_6KDne3Njd_g/Sfk6TMuDY8I/AAAAAAAAAKw/mVFE6NVq36M/s72-c/being_there_ok.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3689334277767611765.post-7672515646627478189</id><published>2009-04-17T00:45:00.004-03:00</published><updated>2009-04-17T12:17:10.160-03:00</updated><title type='text'>SERGIPANO - CAPÍTULO 2</title><content type='html'>&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_6KDne3Njd_g/Sef74xV3YVI/AAAAAAAAAKo/Zmuv5mk6PyU/s1600-h/pimenta.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5325502037125194066" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_6KDne3Njd_g/Sef74xV3YVI/AAAAAAAAAKo/Zmuv5mk6PyU/s320/pimenta.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;SERGIPANO – CAPÍTULO II&lt;br /&gt;(Domingo, 19 de abril de 2026)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O time do Flamengo, que jogava no clássico esquema 4-4-2, pisou no gramado do Maracanã com: Murillo; Ambrósio, Jorjão, Joaquim e Tuca; Pardal, Tomás, Paulinho Lambreta e Almeida; Tião e Zé Pedro. Sergipano, mesmo desfigurado, ficou no banco de reservas. Sobre o supercílio direito e a canela esquerda, pedaços generosos de esparadrapo branco. Heleno Vianna, o treinador, não sabia se poderia de fato contar com o atacante, mas preferiu tê-lo à disposição, apesar de deixar claro seu repúdio ao comportamento irascível do jogador. As câmeras de TV focalizavam Sergipano a cada dez minutos: expressão séria, os olhos verdes fixados na bola, que vadiava pelo campo. Registraram o momento em que ele socou o teto do banco de reservas, logo aos sete minutos de jogo, quando o centroavante do Botafogo, Pereira, abriu o placar numa jogada de bola parada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentado ali, no banco de reservas, Sergipano sentia uma dor aguda na canela ferida e sofria desde a véspera com uma enxaqueca grave, causada pela segunda pancada, aquela que o norueguês lhe aplicara na nuca. Na metade do primeiro tempo, fechou os olhos com força, numa reação às dores, e aspirou o ar pelo nariz. Começava a chover no Maracanã e o cheiro de grama misturado ao cheiro de água da chuva provocou no Sergipano uma sensação que unia prazer e ansiedade. No minuto seguinte, levantou-se do banco. Passou o resto do primeiro tempo de pé ao lado de Reginaldo, o lateral reserva, e amigo predileto do Sergipano entre os jogadores do elenco rubro-negro; era um mulato franzino e extrovertido formado nas categorias de base do clube, assim como a grande maioria da equipe. Entre os jogadores, Reginaldo era carinhosamente chamado de “Pereba”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando o juiz decretou o final do primeiro tempo, o placar ainda apontava 1 x 0 para o Botafogo. Sergipano caminhou até a escada do vestiário e começou a descer os degraus com certa dificuldade. Pereba ofereceu a mão ao amigo, que recusou ajuda. A torcida rubro-negra, que andava silenciosa naquela tarde de domingo, percebeu o sacrifício que fazia o seu camisa 11 e, num crescendo de arrepiar, começou a entoar o tradicional coro em reverência ao ídolo: “Vaaamos, Sergipaaano / Nós gostaaamos de você / Cooome mocotóóó / E bota pra foder!!!”. Aquilo mexeu com o brio do lagartense endiabrado. De repente, as dores sumiram e o abatimento deu lugar à fome de bola. Antes de descer a escada, olhou para arquibancada e fez um sinal para os torcedores, como se dissesse com a mão direita: “Me aguardem.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dentro do vestiário, Heleno Vianna estava inconformado:&lt;br /&gt;“Se for pra continuar jogando desse jeito é melhor nem voltarmos pro segundo tempo. Vamos ficar por aqui mesmo. O vestiário tá bonito, foi reformado...”&lt;br /&gt;Almeida, o capitão do time, pediu a palavra: “Professor, não tá dando pra jogar pelo meio. Precisa abrir o jogo pelas pontas: o lateral deles é fraco.”&lt;br /&gt;Sergipano, que era desafeto declarado de Almeida, notou o olhar que este lhe direcionou enquanto falava com o treinador. Sergipano era ponta-esquerda e sabia que o recado era para ele. Mas Vianna rebateu com ironia:&lt;br /&gt;“Pois é, meu filho. Eu sei disso. Todo mundo sabe disso. Mas olha aí o estado do nosso ponta valentão...”, mostrando o ferimento na perna do Sergipano.&lt;br /&gt;Na mesma hora, o camisa 11 arrancou o esparadrapo da canela e deu uns tapas sobre o machucado: “Tô bom, já. Olha aí, não estou sentindo mais nada. Heleno, eu sei que fiz merda, mas deixa eu entrar nessa porra que eu vou pra cima deles!”&lt;br /&gt;“Você não consegue nem andar direito, seu aloprado...”, respondeu Vianna, desanimado.&lt;br /&gt;O médico do Flamengo, Dr. Célio Ribeiro, tratou de interromper: “Se entrar, eu não me responsabilizo! Esse cara não devia nem estar no banco”, disse, irritado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O técnico rubro-negro era vaidoso, mas não orgulhoso. Aos 58 anos de idade e com larga experiência acumulada em quase duas décadas de carreira, sabia que precisava do Sergipano para virar aquele jogo. Por isso, decidiu acabar com o castigo e, assim que o doutor saiu de perto, mandou chamar o jogador para uma conversa particular num canto do vestiário: “Meu filho, cá entre nós, eu estou cagando para o que o doutor diz. Se deixar, ele veta até jogador com dor de corno. O que eu quero saber de você é o seguinte: tu se garante?”, perguntou Vianna, testando a determinação do seu ponta.&lt;br /&gt;“Eu me garanto! O machucado tá feio, mas não quebrei nada. É decisão, Heleno. Depois desse jogo eu fico no sofá o tempo que o senhor quiser. Mas hoje, me deixa ir pro jogo que a torcida já tá gritando o meu nome lá fora. Além do mais, o Maguila guardou a minha marmita de sopa de mocotó. Vou dar umas colheradas e entrar no maior gás!”, afirmou, elétrico.&lt;br /&gt;“Tudo bem. Mas vê lá, hein, rapaz. Você não é o marinheiro &lt;em&gt;Popeye&lt;/em&gt;. Vai pra cima, mas vai com calma. E se sentir dor, me avisa logo. Vai pro jogo!”. E assim o treinador avisou ao time que Sergipano estava entrando para o segundo tempo no lugar de Zé Pedro. Todos, exceto Almeida, fizeram questão de demonstrar satisfação com sorrisos e gritos de incentivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Antes de subir para o campo, Sergipano pediu a Maguila, o roupeiro, que esquentasse a sopa no forninho de microondas. Enquanto esperava, abriu sua mochila e sacou um embrulho de plástico que continha pequenos pedaços de pimenta malagueta verde, o tempero que usava na sopa de mocotó. Retirou um pedaço do embrulho e guardou a pimenta dentro do punho cerrado. Cinco colheradas da sopa foram suficientes para que ele enchesse o peito de confiança. Em seguida, subiu a escada do vestiário e se posicionou no gramado sem retribuir o calor da torcida, que estava eufórica com a entrada do ídolo e agora confiava na virada. A chuva apertou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No momento em que a bola rolou, Sergipano logo descobriu que o ferimento na canela incomodaria. Mas recebeu o primeiro passe de Almeida e devolveu rapidamente, criando a tabelinha. Almeida, o camisa 10 que gastava habilidade, chutou rente ao travessão. E os gritos das arquibancadas já ameaçavam estourar os tímpanos alheios.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto o jogo seguia, Sergipano espremia entre os dedos o pedaço de pimenta que trouxera do vestiário. No primeiro escanteio a favor do Flamengo, ele se fingiu de morto e estacionou ao lado da trave direita do goleiro do Botafogo, Henriques. Sabia que Almeida cobrava os escanteios mirando a marca de pênalti, para facilitar a cabeçada dos zagueiros rubro-negros, que eram bons nas jogadas aéreas. Sabia também que Henriques teria que sair do gol para tentar a defesa. Quando a bola saiu dos pés de Almeida e a movimentação começou dentro da área, o Sergipano, da maneira mais rápida e discreta que pôde, esfregou os dedos apimentados nos olhos do goleiro, no exato momento em que este subia para tentar a defesa. Logo em seguida, o camisa 11 lambeu os próprios dedos, na intenção de destruir a prova do crime. Ninguém dentro do estádio viu a traquinagem. Nem o juiz, nem os bandeirinhas, nem os outros jogadores. O próprio Henriques, só percebeu a ardência nos olhos durante o salto, quando a bola já estava praticamente na cabeça do zagueiro Jorjão. Gol do Flamengo. Jogo empatado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A televisão mostrou seguidamente o replay do momento exato em que Sergipano levava os dedos aos olhos do goleiro no meio da confusão da pequena área. Mas no campo, o único a descobrir a traquinagem foi mesmo Henriques, que agonizava, jogado na grama. Indignado, o goleiro gritava: “Paraíba filho da puta! Tô cego, tô cego!”. Não demorou para que os jogadores do Botafogo tomassem conhecimento do ocorrido pela boca indignada do goleiro. Logo estava armado o tumulto. O capitão botafoguense, Mario Jorge, apontava para Sergipano e para Henriques, na tentativa de indicar ao árbitro o que havia acontecido. Sergipano foi obrigado a mostrar as mãos, que estavam limpas. Não havia prova de irregularidade. Nem mesmo os replays da TV conseguiram incriminar o atacante rubro-negro, conforme o veredicto que o inocentou no polêmico julgamento que se sucedeu à partida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O jogo recomeçou após alguns minutos de paralisação. Aos 29, o lateral-esquerdo Tuca roubou a bola do atacante adversário e partiu em velocidade num contra-ataque em que havia dois defensores do Botafogo contra três atacantes flamenguistas. Tuca cortou para a direita e tirou um zagueiro da jogada. Sergipano, livre de marcação, levantou o braço pedindo o passe e recebeu a bola quase na meia-lua. Teve tempo de dominar e partir para dentro da área, mas foi impedido de chutar pelo carrinho certeiro de Henriques, que deslizou pelo gramado molhado e atingiu em cheio a canela contundida do atacante. Pênalti para o Flamengo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Henriques foi expulso e Sergipano retirado de maca. O esparadrapo foi mais uma vez arrancado da canela do atacante e o sangue voltava a escorrer por ali. Do lado de fora do gramado, urrando de dor, ele assistiu à cobrança precisa da penalidade. Bola de um lado, goleiro reserva do outro. Sergipano estava fora de combate, mas o placar estava virado. Almeida não perdia pênaltis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Revoltado, Henriques foi tirar satisfação com o Sergipano já fora do gramado. Maguila, o roupeiro, chupava uma laranja ao lado da maca em que o atacante estava estirado e foi logo se metendo entre os dois. O goleiro já chegava com o dedão da luva apontado para a cara de Sergipano, que o olhava com traços de deboche.&lt;br /&gt;“Tu se acha malandro, né? Tu é safado!”, xingou o goleiro. “Tu é safado!”.&lt;br /&gt;“Playboy frangueiro”, repetia o Sergipano.&lt;br /&gt;Os dois já estavam cercados por repórteres e curiosos, mas continuaram a troca de ofensas sob a chuva de microfones. Um repórter de TV entrevistou Henriques, assim que conseguiram separá-los.&lt;br /&gt;“Henriques, o que foi que aconteceu no lance do primeiro gol?”, perguntou.&lt;br /&gt;“Esse safado... Não vale nada. Todo mundo sabe que ele joga sujo”.&lt;br /&gt;“Mas o que foi que ele fez, Henriques?”, insistiu o jornalista.&lt;br /&gt;“Na hora em que eu subi pra fazer a defesa, ele passou um sabão ou sei lá o quê nos meus olhos. Daí eu não consegui enxergar mais nada...” e saiu de cena resmungando.&lt;br /&gt;O mesmo repórter procurou saber a versão do Sergipano.&lt;br /&gt;“Sergipano, o Henriques disse que você esfregou alguma coisa nos olhos dele no lance do primeiro gol, é verdade?”&lt;br /&gt;“Que nada. Todo mundo sabe que o Henriques é um chorão. O Botafogo já teve goleiros mais competentes, o Gonzaga, por exemplo”, retrucou, venenoso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Flamengo ainda marcou mais um gol, aos 43, em outro contra-ataque, desta vez puxado por Pereba, que entrara no lugar de Sergipano para segurar o jogo. O camisa 9, Tião, artilheiro do campeonato, completou de primeira o cruzamento rasteiro de Paulinho Lambreta. Flamengo 3 x 1 Botafogo, placar final. E a torcida flamenguista não se cansava de cantar o famoso coro em homenagem ao Sergipano, eleito herói do título: “Vaaamos, Sergipaaano / Nós gostaaamos de você / Cooome mocotóóó / E bota pra foder!!!”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Zé McGill&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;* O vídeo dessa música estava no Youtube mas parece que mandaram tirar do ar... Só de pirraça, com vocês: Stretch - &lt;em&gt;Why did you do it?&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/g0wLS4mQ2qU&amp;amp;hl=" width="425" height="344" type="application/x-shockwave-flash" fs="1" allowfullscreen="true" allowscriptaccess="always"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3689334277767611765-7672515646627478189?l=revistafoda-se.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://revistafoda-se.blogspot.com/feeds/7672515646627478189/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3689334277767611765&amp;postID=7672515646627478189' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3689334277767611765/posts/default/7672515646627478189'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3689334277767611765/posts/default/7672515646627478189'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://revistafoda-se.blogspot.com/2009/04/sergipano-capitulo-2.html' title='SERGIPANO - CAPÍTULO 2'/><author><name>Revista Foda-se</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16958292788814484525</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_6KDne3Njd_g/SYBYcPCPbxI/AAAAAAAAAJI/UuNficiIY9U/S220/marrocos6.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/_6KDne3Njd_g/Sef74xV3YVI/AAAAAAAAAKo/Zmuv5mk6PyU/s72-c/pimenta.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3689334277767611765.post-371852892635407208</id><published>2009-03-31T00:15:00.008-03:00</published><updated>2009-04-01T14:29:59.582-03:00</updated><title type='text'>S      E      R      G      I      P      A      N      O</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_6KDne3Njd_g/SdGLZTpAl5I/AAAAAAAAAKg/FuB9NcSF4J8/s1600-h/almir2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5319185901786535826" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 239px; CURSOR: hand; HEIGHT: 310px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_6KDne3Njd_g/SdGLZTpAl5I/AAAAAAAAAKg/FuB9NcSF4J8/s320/almir2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Comecei a escrever algo que pode vir a ser um livro... &lt;/div&gt;&lt;div&gt;Este seria o primeiro capítulo de SERGIPANO, um jogador de futebol arruaceiro e bom de bola, &lt;strong&gt;&lt;em&gt;inspirado&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt; em Almir, o Pernambuquinho (o aloprado da foto acima). No segundo capítulo, bola rolando e mais confusão, sexo, música... Talvez seja um pouco grande para um blog, mas foda-se... Quem conseguir chegar até o final, sinta-se confortável para sugerir, criticar, sorrir, calar, assobiar, chutar, bocejar...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;-------------------------------------------------------------------------------&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;SERGIPANO - CAPÍTULO I&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordou com o rosto colado na calçada de pedras portuguesas. Sua visão se limitava ao que lhe permitia enxergar o olho esquerdo, pois o direito encontrava-se completamente cerrado, inchado pelas pancadas da briga em que se envolvera naquela madrugada. Mas o pior não eram os ferimentos na face. O que preocupava o Sergipano era a mancha de sangue que endurecia o tecido da calça jeans na altura de sua canela esquerda. Domingo tinha jogo. Final de campeonato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Sergipano era a grande estrela daquele time do Flamengo no campeonato carioca de 2026. Sua presença na decisão era fundamental para as pretensões da equipe e da torcida, que vivia fase de lua-de-mel com o time após uma década de frustrações. O treinador, Heleno Vianna, conhecendo a fama de arruaceiro do seu camisa 11, fizera recomendações explícitas de discilplina ao final do treino de sexta-feira: “Vai pra casa, toca uma punheta e dorme! Amanhã a gente se vê na concentração”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a vida noturna do Rio de Janeiro era uma tentação à qual Sergipano sucumbia com a maior impudência. Aos vinte e cinco anos de idade, experimentava a fama com uma sede quase vingativa de quem desperdiçara os anos de adolescência trabalhando no cultivo de tabaco, em Lagarto, sua cidade natal, no agreste sergipano. Sentia-se imbatível. Tinha dinheiro, uma casa de cinco quartos no Recreio dos Bandeirantes e uma caminhonete importada com tração nas quatro rodas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquela noite de sexta-feira, o telefone celular do Sergipano tocou às 22:45hs, justamente no momento em que ele sorvia a última colherada da sopa de mocotó, seu prato predileto, que a cozinheira deixava pronta para os finais de semana antes de ir embora. A bina do aparelho identificava chamada de Gonzaga, ex-goleiro reserva do Botafogo e melhor amigo do Sergipano desde que este chegara ao Rio, havia quatro anos, contratado pelo clube alvinegro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Fala Gonzagão!”, saudou Sergipano, de boca cheia.&lt;br /&gt;“Ô, barão, no domingo eu vou lá, hein! Quero ver você acabar com a raça do Henriques, aquele playboy...”, disse Gonzaga. Henriques era o atual goleiro titular do Botafogo. Fora ele quem tomara a vaga de Gonzaga, que estava sem clube havia cinco meses.&lt;br /&gt;“Deixa comigo. Se depender de mim, a carreira do Henriques acaba no domingo”, respondeu Sergipano, cheio de malícia no sotaque nordestino, antes de completar: “Mas diga lá, o que é que tu manda?”&lt;br /&gt;“Então, escuta só: lembra daquela moreninha que a gente conheceu no churrasco do Pereba, a Monica?”&lt;br /&gt;“Aquela bunduda com cara de safada que eu trouxe aqui pra casa depois do churrasco? Lembro bem...”, respondeu Sergipano, largando a colher dentro da cumbuca de sopa.&lt;br /&gt;“Então, encontrei com ela na praia. Me disse que ia passar lá na Baronezza, hoje à noite, com mais duas amigas. Vamos nessa?”&lt;br /&gt;“Porra, Gonzagão, se aqueles putos dos fotógrafos me pegam no flagrante, o Heleno vai me dar o maior esporro, sei não...”.&lt;br /&gt;“Deixa de viadagem, ô, barão! Não vai ter flagrante nenhum. Passo aí e te pego em meia hora, fechado?”, intimou o goleiro.&lt;br /&gt;“Ô diabo... Vamos nessa. Vamos que aquela morena é gostosa e o mocotó já tá no sangue!”, exclamou, desligando o telefone.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sergipano e Gonzaga chegaram à boate Baronezza já perto da meia-noite. O ambiente era escuro e enfumaçado, mas havia um canto na boate, perto do balcão do bar, que era mais iluminado. Foi para lá que os dois se dirigiram assim que chegaram. Gonzaga vestia uma jaqueta de couro marrom que não deixava espaço para o ar entre os braços musculosos de goleiro e a pele morta do boi. Tinha quase dois metros de altura, cabelos castanho-claros e um nariz muito esquisito, que, de tão curvado, quase tocava a pele entre o próprio e a boca. Sergipano tinha o biotipo típico de muitos nordestinos brasileiros: baixa estatura (um metro e sessenta e cinco centímetros de altura), tronco parrudo e olhar arredio, desconfiado. Trajava calça jeans azul clara e uma camisa social cor de abóbora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O goleiro foi quem encostou os cotovelos no balcão para pedir a primeira rodada de bebidas: whisky duplo com energético para os dois. A música eletrônica que emanava dos alto-falantes contribuía para criar uma atmosfera luxuriosa, onde garotas de programa e turistas europeus movidos a drogas sintéticas roçavam-se uns nos outros sem que houvesse entre eles nenhuma troca de olhares. Sergipano terminava o segundo drinque quando avistou Monica e as duas amigas do outro lado da boate, cercadas por cinco jovens altos e praticamente albinos. Eram todos louros, com exceção do mais gordinho, de cabelo raspado, que falava e gesticulava sem parar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Gonzaga, olha lá a Monica.”, apontou Sergipano, dando uma leve cotovelada na costela do amigo.&lt;br /&gt;“Ih, olha lá... e quem são os galegos?”, indagou Gonzaga, lançando um olhar assassino sobre o grupo de louros.&lt;br /&gt;“Devem ser gringos, vamos dar um confere”.&lt;br /&gt;Sergipano largou o copo vazio sobre o balcão e os dois se aproximaram do grupo. Logo descobriram que realmente eram estrangeiros, os jovens. Eles estavam flertando com o grupo de moças e arriscavam cantadas num português patético: “&lt;em&gt;voucê eh queinte&lt;/em&gt;!”, dizia um deles para Monica. A moça correspondia com sorrisos de falsa modéstia e jogava o cabelão liso e negro para o lado, faceira. Sergipano percebeu o clima da conversa e decidiu chegar chutando a porta. Abordou a morena pelas costas, com as mãos nos quadris dela, e falou com a boca quase colada em seu ouvido: “Oi Moniquinha, lembra de mim?”. Gonzaga vinha logo atrás, de olho nas outras duas moças; uma ruiva, de cabelo curto e roupas de plástico modernosas, e outra morena, a mais baixinha das três, que tinha os braços cobertos por tatuagens coloridas e a minissaia mais &lt;em&gt;mini&lt;/em&gt; da cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Sergipano! Claro que lembro de você!”, respondeu Monica, corando na face com o susto, para em seguida explicar aos gringos, em inglês: “Pessoal, este é o Sergipano, do Flamengo! Ele é um jogador de futebol muito famoso por aqui!”. Os gringos, que já haviam ficado pasmos com a intromissão descarada do jogador, não pareceram se animar com a informação. Responderam com um monótono “Oh...”. O mais gordinho ainda emendou: “&lt;em&gt;We don’t like football&lt;/em&gt;”. E, mesmo sem saber falar inglês, Sergipano notou a hostilidade no tom de voz dos estrangeiros. “Qual é a desses gringos, Monica? &lt;em&gt;Donti laike&lt;/em&gt; futebol? Que porra é essa?”, perguntou Sergipano, com os olhos vermelhos de sangue, encarando o gordinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabedora do histórico de brigas do jogador, Monica adivinhou a confusão iminente e tratou de mudar de assunto, dando as costas para os gringos e abrindo um sorriso nervoso: “Eles são da Noruega, nem sabem o que é futebol... Mas, então, domingo é dia, hein! Tá preparado?” Sergipano não respondeu, bufou. E não desgrudava os olhos do gordinho escandinavo, que retribuía a animosidade com o olhar. Gonzaga, que observava a tudo calado, interviu: “Vem, Monica, traz as tuas amigas e vamos tomar um drinque ali no bar. Bora, barão”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sergipano consentiu e já ia seguindo Gonzaga e as meninas na direção do bar, de mãos dadas com Monica. Mas no meio do caminho, um dos noruegueses – o mais alto e mais bêbado – se colocou no caminho do casal, encarando Monica e fingindo ignorar Sergipano. Com um sorriso sonso espalhado pela cara, ele decretou o início da confusão. Disse algo como: “&lt;em&gt;Hey, baby&lt;/em&gt;, onde você vai? Vem com a gente.” E pronto. Sergipano estendeu o braço por entre as pernas do grandalhão e esmagou-lhe o saco com a palma da mão direita. “Ficou maluco, gringo?”, trovejou, mostrando os dentes. Em seguida, um copo de vidro explodiu no supercílio direito do jogador. Era o gordinho, que chegara por trás para acudir o amigo que gemia de dor com a língua de fora e corria sério risco de ficar estéril. O drinque gelado de vodca e suco de laranja que estava no copo de vidro se misturou ao sangue que escorria quente da cara do Sergipano. Este cambaleou por alguns segundos e não pôde testemunhar a voadora que Gonzaga aplicou no peito do gordinho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A correria e gritaria que deram seguimento à confusão remetiam ao clima de desespero que se instala numa comunidade acometida por uma catástrofe natural. Caos total na pista de dança da Baronezza. Somente quando a pista esvaziou é que foi possível visualizar o massacre: o Sergipano estava montado sobre o peito do gordinho e, babando de ódio, emendava um soco após o outro na cara da vítima, já desacordada. Os cinco seguranças da boate tiveram trabalho para retirar o Sergipano de cima do gordinho. Quando conseguiram, precisaram carregá-lo pelos braços e pernas até a porta da boate. Um dos seguranças ainda levou uma mordida que quase lhe custou um pedaço da orelha.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá fora, na porta da boate, Gonzaga recebeu o Sergipano com o casaco de couro rasgado e uma linha fina de sangue escorrendo pelo nariz. Assustada, Monica examinava o olho direito do jogador, que por sorte não perdera a visão após ter um copo de vidro espatifado na cara. Nisso, um dos outros noruegueses surgiu do nada com um pedaço de madeira na mão. Sergipano estava, mais uma vez, de costas quando recebeu o golpe na canela esquerda e outro, logo em seguida, na parte posterior da cabeça. Desta vez, foi ao chão. Apagou por cerca de trinta segundos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando acordou, com o rosto colado na calçada de pedras portuguesas, Sergipano estava rodeado por uma dúzia de fotógrafos. Os &lt;em&gt;flashes&lt;/em&gt; disparados pelas câmeras contribuíam para piorar a sensação de tonteira que sofria. Gonzaga, revoltado, gritava: “Cai fora, seu bando de filhos da puta!”. Monica quase sorria, quase fazia pose para as câmeras. Sabia que as fotos estariam nas capas dos jornais do dia seguinte. E não deu outra, a manchete do principal jornal da cidade foi: SERGIPANO ESPANCADO NA VÉSPERA DA DECISÃO!&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Zé McGill&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;Where is my mind?&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/Sd5XUYfLYn0&amp;amp;hl=" width="425" height="344" type="application/x-shockwave-flash" fs="1" allowfullscreen="true" allowscriptaccess="always"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3689334277767611765-371852892635407208?l=revistafoda-se.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://revistafoda-se.blogspot.com/feeds/371852892635407208/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3689334277767611765&amp;postID=371852892635407208' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3689334277767611765/posts/default/371852892635407208'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3689334277767611765/posts/default/371852892635407208'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://revistafoda-se.blogspot.com/2009/03/s-e-r-g-i-p-n-o.html' title='S      E      R      G      I      P      A      N      O'/><author><name>Revista Foda-se</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16958292788814484525</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_6KDne3Njd_g/SYBYcPCPbxI/AAAAAAAAAJI/UuNficiIY9U/S220/marrocos6.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_6KDne3Njd_g/SdGLZTpAl5I/AAAAAAAAAKg/FuB9NcSF4J8/s72-c/almir2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3689334277767611765.post-6885717192100537693</id><published>2009-03-18T19:00:00.008-03:00</published><updated>2009-03-18T23:00:26.175-03:00</updated><title type='text'>O DIA INTERNACIONAL DO FODA-SE</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_6KDne3Njd_g/ScFyjw8CjTI/AAAAAAAAAKY/6UQPhFjINzI/s1600-h/fodadesenho.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5314654994031611186" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 213px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_6KDne3Njd_g/ScFyjw8CjTI/AAAAAAAAAKY/6UQPhFjINzI/s320/fodadesenho.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Fiquei sabendo que o próximo dia 28/03 será celebrado em várias cidades de todo o mundo como o Dia Internacional do Apagão. Parece que a idéia é que as pessoas desliguem as luzes de suas casas durante uma hora em nome da conservação da energia elétrica e preservação da natureza. Toda essa comoção me incentivou a lançar aqui, na &lt;strong&gt;Revista Foda-se&lt;/strong&gt;, o primeiro Dia Internacional do Foda-se..&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso mesmo, o Dia do Foda-se. E a data está marcada para 23 de março, uma segunda-feira (há dia que mereça mais um belo &lt;em&gt;foda-se&lt;/em&gt; do que a segunda-feira?), e você está convidado a participar. A idéia é que todos abram as janelas de casa, do carro ou do trabalho, às 19:00hs (horário de Brasília), e gritem um "foda-se" bem bonito, com ardor. Para quem não puder gritar (os mudos também têm direito ao &lt;em&gt;foda-se&lt;/em&gt;), fica liberado o &lt;em&gt;foda-se&lt;/em&gt; silencioso, em pensamento. Imagine que coisa maravilhosa será o &lt;em&gt;foda-se&lt;/em&gt; ecoando pelos quatro cantos do mundo: do Rio de Janeiro a Galdinópolis, de Barcelona a Lisboa, da Califórnia a Marrakesh, de Dudinka a Vladivostock!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quem estiver caminhando na rua, melhor ainda: olhe para o céu, erga suas mãos bem alto e grite o seu “foda-se” para o mundo. Foda-se para os problemas da vida. Foda-se a crise econômica mundial. Foda-se Brasília. Foda-se o choque de ordem. Foda-se o Cuca, técnico do Flamengo, que não coloca o Jônatas para jogar. Foda-se aquela(e) ex-namorada(o) que te trocou por outro(a). Foda-se quem não gosta de massagem nos pés. Foda-se quem nunca contou uma mentira. E foda-se a Academia Brasileira de Letras, que não reconhece a beleza e o caráter libertário da expressão “foda-se”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há tanta mágica num &lt;em&gt;foda-se&lt;/em&gt;! Eu, por exemplo, gosto de um &lt;em&gt;foda-se&lt;/em&gt; com ponto de exclamação, mas prefiro os &lt;em&gt;foda-ses&lt;/em&gt; com reticências, dormentes, indiferentes. Quando a situação exige agressividade, exclamação nele, muito bem. Mas ainda mais gostoso é proferir o &lt;em&gt;foda-se&lt;/em&gt; com desdém, como resposta ao invés de imperativo: quando a professora reclama que você não fez o dever de casa, quando o chefe critica o seu trabalho, quando o William Bonner dá boa noite no Jornal Nacional...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tomei o cuidado de pesquisar sobre a história do dia 23 de março no &lt;em&gt;Wikipedia&lt;/em&gt; e não há nada que impeça o nosso empreendimento, pelo contrário. Que me perdoem Akira Kurosawa (o cineasta nipônico), Damon Albarn (vocalista do Blur) e Isaac Chansa (futebolista zambiano). Todos eles nasceram na data adotada. Em compensação, foi num dia 23/03 que o parlamento alemão concedeu plenos poderes ao governo de Hitler, Mussolini fundou seu movimento político fascista e JFK ampliou restrições comerciais contra Cuba. O &lt;em&gt;foda-se&lt;/em&gt; vai cair feito uma vulva no calendário internacional!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aliás, mate aula, falte ao trabalho, invente desculpas cretinas nesta segunda-feira. Diga que precisa levar sua avó à musculação, alegue suspeita sobre uma crescente epidemia de Febre Escarlate no condomínio, declare luto pela morte do Clodovil. O Dia Internacional do Foda-se será dia de alegria. Nosso &lt;em&gt;foda-se&lt;/em&gt; ressoará isento de amarguras. Será, antes de tudo, a celebração original do próprio &lt;em&gt;foda-se&lt;/em&gt;, esta arma de grosso calibre, dona de alcance superior ao de ogivas nucleares no que se refere à destruição de tudo aquilo que não presta. Portanto, no dia 23, prepare a sua espingarda do &lt;em&gt;foda-se&lt;/em&gt;. Lustre-a com flanela, verifique a munição e aponte o cano na direção do seu alvo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E que fique claro: não há na criação do Dia Internacional do Foda-se nenhum tipo de resposta ironizada ao Dia do Apagão. Nós até apoiamos a iniciativa. Mas o problema da preservação da energia e da natureza só começará a ser solucionado quando as questões do culto ao dinheiro e do avanço desenfreado da tecnologia em prol da ganância forem tratados com a atenção que merecem. A mobilização pelo Dia do Apagão serviu apenas como inspiração.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se você – oh, leitor macambúzio! – nasceu no dia 23 de março e ficou ofendido com a data escolhida para o DIF, sinta-se livre para inventar o Dia Internacional do Corroda-se, ou do Saxofoda-se! Pode até ser na data do meu aniversário (27 de setembro). Mas se o Dia Internacional do Foda-se caísse na data do &lt;em&gt;meu&lt;/em&gt; aniversário, eu me sentiria um privilegiado! Ah, só mais uma coisa... Caso ninguém se mobilize e grite o &lt;em&gt;foda-se&lt;/em&gt; na janela, às 19:00hs desta segunda-feira, foda-se...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Zé McGill&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;* Aqui um vídeo da música &lt;em&gt;Ndéleng Ndéleng&lt;/em&gt;, da espetaculosa Orchestra Baobab, de Senegal. Boa pedida para trilha sonora do Dia Internacional do Foda-se. A música estará no set do próximo PROGRAMA MAKULA, que vai ao ar toda quinta-feira na Rádio Gruta (&lt;/strong&gt;&lt;a href="http://www.radiogruta.com/"&gt;&lt;strong&gt;www.radiogruta.com&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;), às 15h, e é apresentado pelos DJs da Festa Makula: Zé McGill (Revista Foda-se), Lucio Branco (Soul, Baby, Soul!) e Gustavo Benjão (Do Amor)&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/h-Ke0Wtf298&amp;amp;hl=" width="425" height="344" type="application/x-shockwave-flash" fs="1" allowfullscreen="true" allowscriptaccess="always"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3689334277767611765-6885717192100537693?l=revistafoda-se.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://revistafoda-se.blogspot.com/feeds/6885717192100537693/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3689334277767611765&amp;postID=6885717192100537693' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3689334277767611765/posts/default/6885717192100537693'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3689334277767611765/posts/default/6885717192100537693'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://revistafoda-se.blogspot.com/2009/03/dia-internacional-do-foda-se.html' title='O DIA INTERNACIONAL DO FODA-SE'/><author><name>Revista Foda-se</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16958292788814484525</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_6KDne3Njd_g/SYBYcPCPbxI/AAAAAAAAAJI/UuNficiIY9U/S220/marrocos6.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_6KDne3Njd_g/ScFyjw8CjTI/AAAAAAAAAKY/6UQPhFjINzI/s72-c/fodadesenho.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3689334277767611765.post-2430755344550199520</id><published>2009-02-20T01:18:00.005-03:00</published><updated>2009-02-20T03:17:23.472-03:00</updated><title type='text'>REVISTA FODA-SE RECOMENDA: 10 VÍDEOS PARA O SEU CARNAVAL</title><content type='html'>Tudo o que eu tinha a dizer sobre o carnaval já foi dito &lt;a href="http://revistafoda-se.blogspot.com/2008/02/abram-alas-que-o-bloco-foda-se-vai.html"&gt;AQUI&lt;/a&gt;. Portanto, seguem abaixo dez vídeos do Youtube que são folia pura...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;1 – Mussum tomando leite&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O gênio, o &lt;em&gt;genialzis&lt;/em&gt;! Um dos grandes ídolos da Revista Foda-se. Já parou pra pensar que o Mussum vivia falando de cachaça num programa que era assistido por milhões de criancinhas?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/P9t0a_X-5Ic&amp;amp;hl=" width="425" height="344" type="application/x-shockwave-flash" fs="1" allowfullscreen="true" allowscriptaccess="always"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;2 – Trote da Telerj&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Escutei o já clássico trote da Telerj pela primeira vez no recreio do Colégio Andrews, de &lt;em&gt;walkman&lt;/em&gt;, há quinze anos. Só lembro que me mijei de rir. E me mijo até hoje. Afinal, “grandes merdas ser adevogado, depois, todo adevogado é viado mesmo...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/_O9WhsFJS7I&amp;amp;hl=" width="425" height="344" type="application/x-shockwave-flash" fs="1" allowfullscreen="true" allowscriptaccess="always"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;3 – Como curtir as praias do Paraná&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Alborghetti é a melhor tradução para o termo “escroto”. Quando eu e meu irmão éramos adolescentes (eu orelhudo, ele cabeçudo), parávamos o que estivéssesmos fazendo para assistir ao programa &lt;em&gt;Cadeia&lt;/em&gt;, apresentado por ele na CNT.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/II2uWc6Ywng&amp;amp;hl=" width="425" height="344" type="application/x-shockwave-flash" fs="1" allowfullscreen="true" allowscriptaccess="always"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;4 – Senhor, nós estamos ao vivo!&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O entrevistado se enrola no meio da resposta e pede para a repórter cortar a entrevista. Só que o lance era ao vivo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/HTo_yPxuyrA&amp;amp;hl=" width="425" height="344" type="application/x-shockwave-flash" fs="1" allowfullscreen="true" allowscriptaccess="always"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;5 – Lasier Martins tomando um choque&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Eu nem sei quem é Lasier Martins, mas, Lasier, onde quer que você esteja, obrigado por este momento lindo. (Atenção para os gritinhos dele na hora do choque e para a cara da apresentadora do jornal...)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/ETUEWN7pte8&amp;amp;hl=" width="425" height="344" type="application/x-shockwave-flash" fs="1" allowfullscreen="true" allowscriptaccess="always"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;6 – Agnaldo Timóteo canta &lt;em&gt;Poema de um bruto&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Isto é Brasil!!! Esse clipe do Timóteo é de uma sinceridade que corta o coração. Ele joga comida para os cisnes, faz carinho nas crianças... e que letra bonita! Vai, Agnaldo: abra o seu coração para o povo brasileiro!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/k0oGeXZe47k&amp;amp;hl=" width="425" height="344" type="application/x-shockwave-flash" fs="1" allowfullscreen="true" allowscriptaccess="always"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;7 – Vovô é foda&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Trecho de uma das dublagens do programa &lt;em&gt;Tela Class&lt;/em&gt;, de Hermes e Renato (MTV). Minha parte favorita é a da fotografia. Se bem que também é bem legal a parte em que a Demi Moore vira de costas...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/GJn8fpRoaEI&amp;amp;hl=" width="425" height="344" type="application/x-shockwave-flash" fs="1" allowfullscreen="true" allowscriptaccess="always"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;8 – Entrevista com Anderson&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Este aqui foi afanado do Tico Tico, o blog do programa &lt;em&gt;Ronca Ronca&lt;/em&gt; (Oi FM, toda terça-feira, 22h). É uma entrevista do jogador Anderson (Manchester United e Seleção Brasileira) para algum entrevistador inglês. Basta ler as legendas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/GG55Ze_Dj20&amp;amp;hl=" width="425" height="344" type="application/x-shockwave-flash" fs="1" allowfullscreen="true" allowscriptaccess="always"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;9 – Professor Gilmar dá esporro nos alunos&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Gil Brother Away, o cara que esconde pigmeus africanos no jardim de casa, em Petrópolis. “Esse bando de badernista! Tudo uns aluno criado a leite com pêra, a &lt;em&gt;Ovomaltino&lt;/em&gt;...”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/99eDWSCQRgk&amp;amp;hl=" width="425" height="344" type="application/x-shockwave-flash" fs="1" allowfullscreen="true" allowscriptaccess="always"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;10 – Costinha e as raspadinhas do Rio&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Nem vou dizer nada. Quem não apertar o &lt;em&gt;play&lt;/em&gt;, mesmo que já tenha visto antes, deu mole.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/FZx4UYBuRBA&amp;amp;hl=" width="425" height="344" type="application/x-shockwave-flash" fs="1" allowfullscreen="true" allowscriptaccess="always"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Zé McGill&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3689334277767611765-2430755344550199520?l=revistafoda-se.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://revistafoda-se.blogspot.com/feeds/2430755344550199520/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3689334277767611765&amp;postID=2430755344550199520' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3689334277767611765/posts/default/2430755344550199520'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3689334277767611765/posts/default/2430755344550199520'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://revistafoda-se.blogspot.com/2009/02/revista-foda-se-recomenda-10-videos.html' title='REVISTA FODA-SE RECOMENDA: 10 VÍDEOS PARA O SEU CARNAVAL'/><author><name>Revista Foda-se</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16958292788814484525</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_6KDne3Njd_g/SYBYcPCPbxI/AAAAAAAAAJI/UuNficiIY9U/S220/marrocos6.jpg'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3689334277767611765.post-5459428472543803367</id><published>2009-02-12T13:18:00.006-02:00</published><updated>2009-02-12T15:02:28.640-02:00</updated><title type='text'>DOSTOIÉVSKI NÃO COMBINA COM VERÃO</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_6KDne3Njd_g/SZRAaspNRbI/AAAAAAAAAKA/dpqdTx8hpC4/s1600-h/poodle.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5301933488726689202" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 299px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_6KDne3Njd_g/SZRAaspNRbI/AAAAAAAAAKA/dpqdTx8hpC4/s320/poodle.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;No sábado retrasado, acordei terrivelmente cedo, às nove horas. Levantei da cama, cocei a barriga e fui olhar a rua pela janela. Fazia um calor de derreter pirâmides e resolvi ir à praia. Antes de sair de casa, saquei da estante o livro &lt;em&gt;Os irmãos Karamazóvi&lt;/em&gt;, do russo Fiódor Dostoiévski (1821-1881). Eu tenho uma dívida com o autor. Há alguns anos, cheguei a ler 80% do romance &lt;em&gt;Crime e castigo&lt;/em&gt;, também escrito por ele, mas desisti perto do final. Naquela manhã de sábado, eu planejava acertar as contas com o Fiódor, na praia do Leblon.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E lá fui eu, de bermuda furada, sandália de dedo e remelas nos olhos caminhar pela calçada em direção à praia. Já escrevi por aqui que pelo menos metade da população do Leblon é composta de poodles. E eu odeio poodles. Pode ser que eu não tenha conhecido o poodle certo, aquele poodlezinho humilde, bacana. Tudo bem, mas o fato é que todos os poodles que já cruzaram o meu caminho carregavam um ar de nobreza aristocrática que me irrita. Pelas calçadas do Leblon, eles desfilam com sapatinhos de pelúcia e abanam aquele rabinho patético em formato de pompom. São tão limpinhos, tão fofinhos, tão escandalosos... Às vezes, tenho vontade de chutá-los.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim como nunca vi um filhote de pombo, também nunca vi um poodle vira-lata. Será que existem poodles em Realengo ou em Tomás Coelho ou em qualquer outro bairro fora da Zona Sul do Rio? Também nunca vi. Mas o Leblon está infestado deles. São poodles brancos, pretos, cinzas e poodles-humanos. Do magnata no apartamento de três andares com vista para o mar à madame-decadente-plastificada, são milhares de poodles. Posso resumir facilmente, em uma única palavra, o meu sentimento por esta raça: cólera, aversão, furor, desdém, repugnância, asco, náusea etc.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, por que foi mesmo que comecei a falar sobre poodles? Esqueci... Aliás, lembrei: é que naquela manhã de sábado, enquanto eu esperava o sinal fechar para atravessar a última rua antes da praia, um poodle latiu e mostrou a gengiva pra mim. Numa reação instintiva de susto, levantei o livro do Fiódor com a mão direita e quase o atirei na cabeça do quadrúpede perfumado. Tá certo que o livro tem umas seiscentas páginas, é um tijolão, mas foi só uma ameaça, sou contra agressão aos animais. Mesmo assim, a dona do poodle, uma madame com seu visual de Dona Abóbora, ficou indignada. Pegou o cão no colo e saiu resmungando. Ela era mais poodle que o próprio poodle.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente pisei na areia quente. Aluguei uma cadeira e andei pra perto do mar enquanto os raios do sol reluziam com força sobre a capa vermelha do livro. A praia ainda não estava lotada e me animei com a perspectiva de ler um pouco sem muito barulho por perto. Dei um mergulho no mar e voltei para a cadeira de praia. Comecei a leitura e me lembrei, logo nas primeiras páginas que, para ler Dostoiévski, é necessário fazer uma cola: anotar os nomes e apelidos de todos os personagens numa folha de papel. Sim, porque a grande maioria dos personagens têm nomes tão modestos quanto Rodion Românovitch Raskólnikov e Aliéksiei Fiodórovitch Karamazov. E cada um tem o seu apelido; Ródion e Aliócha, neste caso, respectivamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se o leitor não anota os nomes e apelidos para efeito de consulta, corre o risco de chegar à metade do livro e ficar completamente perdido. Foi o que aconteceu comigo quando li &lt;em&gt;Crime e castigo&lt;/em&gt;. Faltavam umas cem páginas para o final quando comecei a me embolar com os nomes. Fiquei revoltado e joguei o livro num canto. Contudo, a capacidade do autor de transmitir a angústia naquela história me impressionou. Tanto que, prometi “dar uma segunda chance” ao Fiódor. Mas ali na praia, com suor escorrendo pela testa e um cheiro de queijo coalho impregnando o ambiente, percebi que seria difícil ler &lt;em&gt;Os irmãos Karamazóvi&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A praia estava ficando cheia, o calor engrossava, o barulho ídem. Cheguei então a uma parte do livro em que a família Karamazóvi se reúne com o &lt;em&gt;stáriets&lt;/em&gt; (um mentor eclesiástico dos monges) num mosteiro. Comecei a me sentir mal. Não sei porquê, mas qualquer história que envolva igreja, mosteiro ou religião me causa desconforto. Aliás, lembro que quando estive em Roma, no ano passado, achei o Vaticano uma bela merda. Entrei na Basílica de São Pedro, fiquei olhando aquele teto todo revestido em ouro e comecei a pensar na quantidade de vidas que aquela igreja custou. Saí em menos de dez minutos. Da igreja e do Vaticano. E foi no momento em que o pai dos &lt;em&gt;Karamazóvi&lt;/em&gt; começava a armar a maior confusão no mosteiro que notei uma movimentação estranha ao meu redor, ali na praia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Havia uma meia-dúzia de três ou quatro sujeitos com câmeras fotográficas nas mãos, todos olhando na mesma direção. Eram os &lt;em&gt;paparazzi &lt;/em&gt;- esses indiscretos fotógrafos de celebridades. E o alvo era ninguém menos do que Luana Piovani, aquela pseudo-atriz que nem é tão gostosa assim. Luana é uma autêntica representante da raça poodle-leblonense e resolvera pegar um bronze com a sua &lt;em&gt;tchurma&lt;/em&gt; a poucos metros de mim e dos &lt;em&gt;Karamazóvi&lt;/em&gt;. Sacanagem, minha leitura foi pro espaço. O falatório e a quentura do meio-dia estavam me deixando zonzo. Senti ânsia de vômito e decidi fechar o livro do Fiódor para respirar um pouco de ar com fumaça de queijo coalho queimado e dar um último mergulho antes de ir embora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Debaixo d’água, abri os olhos e comecei a pensar que, naquelas condições, a leitura mais adequada seria algo de conteúdo mais leve. Talvez Bukowski ou o caderno de esportes de algum jornal. Talvez nem isso. Leitura exige concentração, disciplina, entrega. Se o sujeito não estiver atento, não consegue ler nem o que está escrito na faixa daqueles aviões de propaganda que sobrevoam as praias cariocas nos finais de semana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cheguei em casa, tomei um banho gelado, liguei o ventilador no máximo e dormi ao som do &lt;em&gt;Dub rockers delight&lt;/em&gt;, de Sly &amp;amp; Robbie, meu disco favorito de dub. Quando acordei, já era noite e eu estava meio febril por causa da aventura praiana ao lado dos poodles e dos &lt;em&gt;Karamazóvi&lt;/em&gt;. Mas valeu para entender que praia, sol de quarenta graus e o verão carioca não combinam com Dostoiévski. Dali pra frente, engrenei no livro do Fiódor e já estou quase na metade, lendo sempre à noite, com o ventilador ligado no máximo e com o Frank Sinatra, o cachorro do meu avô (que não é poodle), sempre ao lado.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Zé McGill&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;*Aqui um vídeo caseiro da faixa &lt;em&gt;Night of dub&lt;/em&gt;, do disco &lt;em&gt;Dub rockers delight&lt;/em&gt;, de Sly &amp;amp; Robbie:&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/EG21ED0RXR8&amp;amp;hl=" width="425" height="344" type="application/x-shockwave-flash" fs="1" allowfullscreen="true" allowscriptaccess="always"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3689334277767611765-5459428472543803367?l=revistafoda-se.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://revistafoda-se.blogspot.com/feeds/5459428472543803367/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3689334277767611765&amp;postID=5459428472543803367' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3689334277767611765/posts/default/5459428472543803367'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3689334277767611765/posts/default/5459428472543803367'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://revistafoda-se.blogspot.com/2009/02/dostoievski-nao-combina-com-o-verao.html' title='DOSTOIÉVSKI NÃO COMBINA COM VERÃO'/><author><name>Revista Foda-se</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16958292788814484525</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_6KDne3Njd_g/SYBYcPCPbxI/AAAAAAAAAJI/UuNficiIY9U/S220/marrocos6.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_6KDne3Njd_g/SZRAaspNRbI/AAAAAAAAAKA/dpqdTx8hpC4/s72-c/poodle.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3689334277767611765.post-2046774709590530684</id><published>2009-01-31T09:00:00.021-02:00</published><updated>2009-02-12T14:01:23.783-02:00</updated><title type='text'>M                                 A                                 K                                U                       L                       A</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_6KDne3Njd_g/SYQ7MmFa9BI/AAAAAAAAAJ4/XPHdb7OjSew/s1600-h/MAKULA+FINAL+FRENTE.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5297424149262300178" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 134px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_6KDne3Njd_g/SYQ7MmFa9BI/AAAAAAAAAJ4/XPHdb7OjSew/s200/MAKULA+FINAL+FRENTE.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_6KDne3Njd_g/SYQ6_8cN_kI/AAAAAAAAAJw/GNid6xv-Lts/s1600-h/DSC05733.JPG"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5297423931925200450" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 150px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_6KDne3Njd_g/SYQ6_8cN_kI/AAAAAAAAAJw/GNid6xv-Lts/s200/DSC05733.JPG" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_6KDne3Njd_g/SYQxiUIXB0I/AAAAAAAAAJo/CKtHrHIAAVc/s1600-h/MAKULA+FINAL+FRENTE.jpg"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_6KDne3Njd_g/SYQxPdelwfI/AAAAAAAAAJg/T1pkGPo6q4Y/s1600-h/DSC05733.JPG"&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Macula foi um jogador de futebol que defendeu as cores do glorioso time do Bangu nos anos 1980 e 90. Ele também atuou por Vasco, Fluminense e Palmeiras, entre outros clubes, mas foi pelo Bangu que o meio-campista negro, esguio, parrudo e desengonçado cravou sua marca na memória dos torcedores dos grandes times do Rio. Macula era catimbeiro, malandro e bom de bola. Tinha fama de gente boa e vivia com um sorriso largo estampado na cara. Mas quando o Flamengo enfrentava o Bangu, eu tinha medo do Macula.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E atenção para esta informação de importância vital: segundo o site &lt;em&gt;Wikipedia&lt;/em&gt;, atualmente, Macula trabalha no mercado imobiliário! Portanto, se você estiver procurando moradia e esbarrar com o carrasco de Moça Bonita, avise ao pessoal da festa MAKULA. Sim, Macula (com “k”) virou nome de festa e não foi por acaso. Foi, de fato, uma singela homenagem ao ex-jogador. E o pessoal da festa gostaria muito de ver o negão desfilar o seu sorriso imaculado pela pista na noite do evento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A MAKULA, que estréia nesta sexta-feira (dia 06 de fevereiro), no segundo andar do Cine Lapa (RJ), é uma festa de música africana comandada pelos DJs Lucio Branco, Gustavo Benjão e Zé McGill. A ideia do nome MAKULA surgiu numa mesa do Bar do Mineiro, em Santa Teresa, após quatorze garrafas e meia de Antarctica Original. Mas a vontade de produzir uma festa 100% África surgiu um pouco antes, já que os três DJs são viciados em Fela Kuti, Manu Dibango, Daktaris, Antibalas, Mulatu Astatke e Orchestra Baobab, entre outros monstros da música do monumental continente crioulo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas foi ali, no Bar do Mineiro, que o Lucio Branco começou a sugerir nomes para a festa, e botou na mesa duas opções: Maculelê (a dança de origem afro-indígena) e Makélélé (o jogador nascido no Congo, que defendia a seleção francesa). Na hora, gostei de Makélélé, mas pensei: “Foda-se a seleção francesa!”, e rebati: “Por que não MAKULA?”. E pronto, estava batizado o ritual rítmico que vai fazer a cabeça e os pés de quem já conhece o poder chacoalhante dos sons africanos e surpreender aqueles que pensam que do continente negro só sai batuque de macumba (não que ele não compareça na festa!). Ingressem na lista amiga (ver nosso contato abaixo – favor deixar nome e sobrenome)! Segue abaixo o release oficial da MAKULA, por Lucio Branco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;------------------------------------------------------------------------------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A MAKULA, que tem sua primeira edição no 2º andar do Cine Lapa, dia 6 de fevereiro, uma 6ª feira, é basicamente uma festa de Afrobeat, gênero musical que assimila jazz, soulfunky e elementos propriamente africanos criado pelo nigeriano Fela Kuti. Também marcam presença nela alguns outros ritmos africanos como Highlife, Juju, Soukous, Räi e Kuduro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comparecem nos CDJs da MAKULA bandas e artistas como Matata, Kaleta, Antibalas Afrobeat Orchestra, Konono, Les Tetes Brulles, Super Rail Band, Babatunde Olatunji, Manu Dibango, King Sunny Ade, Joni Haastrup, Tony Allen, Miriam Makeba, Orlando Julius &amp;amp; His Afro Sounders, Femi Kuti, Wallias Band, Lafayette Afro Rock Band, African Brothers Band, Mulatu Astatke, The Daktaris, Jingo etc (além do referido fundador da banda Africa 70, obviamente) mostrando a potência dos sons e ritmos do continente negro num repertório muito pouco – quando nunca – executado pela grande maioria dos DJs cariocas, e mesmo pelos de outros estados do país.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A MAKULA tem em sua equipe de DJs: Gustavo Benjão (compositor e guitarrista do Conjunto Musical do Amor); Lucio Branco (festas SOUL, BABY, SOUL!, TREPIDANTE e BARRACUDA) e Zé McGill (festa ZAZUEIRA). Para criar o clima afro da noite, no telão são exibidos filmes temáticos como &lt;em&gt;Music is the Weapon&lt;/em&gt; (documentário sobre Fela Kuti) e filmes etnográficos de Jean Rouch.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A grife BALACO, especializada em roupas e design de inspiração afro-brasileira, dá o tom geral da MAKULA. Além da projeção no telão das vinhetas assinadas pela estilista e designer da BALACO, Júlia Vidal, são produzidas por ela atrações que vão desde a caracterização da &lt;em&gt;hostess&lt;/em&gt; à dos percussionistas que interagem com os DJs nas sessões de LivePA, assim como desfiles, exposições, decoração ambiente, cabeleireiras afro e a presença de dançarinos a caráter na pista. No dia 6 de fevereiro, no Cine Lapa, a BALACO traz e customiza elementos da rica cultura do continente negro para a MAKULA, numa parceria que confere a devida legitimidade a esta festa 100% África.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E atenção para a &lt;strong&gt;promoção&lt;/strong&gt;: quem quiser dar um confere na MAKULA após o show da banda Little Joy, no Circo Voador, é só apresentar o canhoto do ingresso na entrada do Cine Lapa para pagar apenas R$10,00.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PS: A quem possa ocorrer que o nome da festa tenha relação com o craque do Bangu dos anos 1980/90, saiba que não há coincidência alguma nisso: trata-se mesmo de uma singela homenagem ao carrasco de Moça Bonita. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;6ª feira, 06 de fevereiro&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Cine Lapa (Av. Mem de Sá, 23 – Lapa) Tel. 2266-1014/2509-5166 – 2º andar&lt;/div&gt;&lt;div&gt;R$16,00 – R$14,00 c/ filipeta &lt;/div&gt;&lt;div&gt;A partir das 23hs&lt;br /&gt;Contato: &lt;a href="mailto:festamakula@gmail.com"&gt;festamakula@gmail.com&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Comunidade Orkut: &lt;a href="http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=79613829"&gt;http://www.orkut.com.br/Main#Community.aspx?cmm=79613829&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Zé McGill&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;*Aqui o link para um vídeo de &lt;em&gt;Many Things&lt;/em&gt;, música de Seun Kuti, que vai rolar bonito na MAKULA:&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/qswlBFdTQGM&amp;amp;hl=" fs="1" width="425" height="344" type="application/x-shockwave-flash" allowfullscreen="true" allowscriptaccess="always"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3689334277767611765-2046774709590530684?l=revistafoda-se.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://revistafoda-se.blogspot.com/feeds/2046774709590530684/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3689334277767611765&amp;postID=2046774709590530684' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3689334277767611765/posts/default/2046774709590530684'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3689334277767611765/posts/default/2046774709590530684'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://revistafoda-se.blogspot.com/2009/01/m-k-u-l.html' title='M                                 A                                 K                                U                       L                       A'/><author><name>Revista Foda-se</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16958292788814484525</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_6KDne3Njd_g/SYBYcPCPbxI/AAAAAAAAAJI/UuNficiIY9U/S220/marrocos6.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_6KDne3Njd_g/SYQ7MmFa9BI/AAAAAAAAAJ4/XPHdb7OjSew/s72-c/MAKULA+FINAL+FRENTE.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3689334277767611765.post-6420312405308896816</id><published>2009-01-16T16:15:00.010-02:00</published><updated>2009-02-12T14:03:30.531-02:00</updated><title type='text'>NÃO LEIA ESTE TEXTO. É TUDO MENTIRA. MENTIRA.</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_6KDne3Njd_g/SXDPknEaIGI/AAAAAAAAAI4/ys800Xi6wV4/s1600-h/colorblind.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5291957790030045282" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 312px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_6KDne3Njd_g/SXDPknEaIGI/AAAAAAAAAI4/ys800Xi6wV4/s320/colorblind.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;2008 foi um ano muito bom pra mim. Ganhei muito dinheiro e trepei com uma meia-dúzia de oito ou nove mulheres gostosas. Meu time me deu muitas alegrias. Parei de fumar e beber. Escalei o monte Aconcágua. Atravessei o Canal da Mancha a nado. A Alessandra Negrini me deu mole numa festa. Consegui colocar todas as minhas idéias em ordem. Em 2009, não mentirei.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A gente mente muito mais do que pensa, apesar de pensarmos muito mais do que mentimos. Um gesto de cumprimento pode ser uma mentira. Um olhar, um pensamento pode ser uma mentira. A mentira não é dependente da palavra. É livre, e de vez em quando, liberta. Eu sempre tive essa mania feia de tentar ser verdadeiro e honesto com as pessoas o tempo todo. Sempre achei bonito isso de dizer o que penso, assim no estilo Romário. E estou cansado de me foder por causa disso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma noite, há alguns anos, saí pra jantar com uma ex-namorada que andava meio insegura. O clima tava legal, rolaram uns beijinhos, umas cervejas e tal. Mas eis que, no final da noite, ela resolve testar a minha patética honestidade com aquele tipo de pergunta que não se faz. Com um sorriso no rosto, olhos nos olhos, ela pediu: “Diz a verdade: eu sou a mulher mais bonita e mais gostosa com quem você já ficou?”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Gelei. Este é o típico momento em que a mentira é necessária, mesmo que não seja mentira. Porque mesmo que ela seja a mulher mais bonita e gostosa que você já conheceu, é necessário dizer que SIM com o maior grau de afetação possível (e aí, meu chapa, você já está mentindo), senão, ela pode ficar magoada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas eu... tinha que ser verdadeiro! Dei um gole na cerveja, enchi o pulmão de fumaça e disse a ela que não, ela não era a mais bonita, mas era a mulher que eu mais amava nesse mundo (sou ou não sou um merda?). E nem era mentira. Na hora, ela até riu e tentou disfarçar o ódio, mas aquilo ficou lá, no fundo da cabeça dela até o dia em que ela me deu um pé na bunda. Agora já sei: da próxima vez, digo o que ela quiser escutar, seja ela um dragão-de-komodo ou uma flor. A verdade é um crime hediondo. A mentira é uma pequena contravenção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Você diz que é feliz. Feliz nos seus relacionamentos, feliz no trabalho, na vida. Diz que acredita num monte de coisas porque aquilo te faz sentir-se melhor. Pois é. Melhor assim. Chega de condenar a mentira, por maior que ela seja. Vamos todos sair às ruas e mentir com sinceridade para os porteiros, padeiros, trocadores de ônibus. Fodam-se a culpa, a consciência, a ética e a moral. Vão todas pra puta que os pariu! Hoje e sempre é primeiro de abril.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mark Twain (1835-1910), o escritor norte-americano, já dizia: “Se raças e povos inteiros conspiram para difundir gigantescas mentiras silenciosas no interesse das tiranias e dos impostores, por que nos importarmos com as bagatelas ditas pelos indivíduos? Por que havemos de dar a impressão de que abster-se da mentira é uma virtude? Por que nos enganamos dessa maneira? Por que não sermos honrados e sinceros, mentindo todas as vezes que tivermos oportunidade? Isto é... Por que não havemos de ser lógicos, mentindo constantemente ou então nunca mentindo? Creio que será apenas para recobrarmos forças e tirarmos dos lábios o sabor rançoso.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mentira boa foi a que eu contei no dia do alistamento para um oficial do exército brasileiro. Se algum milico ler isso aqui, posso me foder, mas foda-se, vamos lá. Eu sou daltônico e me orgulho disso. Tenho um amigo que, além de ser dois anos mais velho, também é daltônico e se livrou de servir o exército por causa disso. Foi ele quem me deu a dica de pegar um atestado de daltonismo com um oftalmologista. E foi o que eu fiz. Cheguei ao quartel com o atestado debaixo do braço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Passei nos exames e questionários iniciais e estava ficando tenso, pois ao que tudo indicava, eu estava sobrando no grupo que iria servir. Só que, aos 45 do segundo tempo, um oficial virou-se para o meu grupo e perguntou: “Alguém aqui tem alguma deficiência, alguma doença? Se tiver, essa é a hora de falar”. Dei um passo à frente e respondi: “Eu tenho daltonismo”, e puxei o atestado do bolso. “Daltonismo? Que porra é essa, moleque?”, respondeu o oficial, com cara de nojo, enquanto lia o atestado. “Eu não sei diferenciar as cores com precisão”, aleguei, com raro senso didático.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Não sabe ver cor? Tu tá de sacanagem. E qual é a cor disso aqui?”. O oficial apontou para a camisa de um dos outros caras do meu grupo. A camisa era branca, mas ele apontou para o mapa que ficava no centro da camisa. E aquela era uma das camisas mais comuns da época. Era uma camiseta da marca Company, com um mapa da Ilha Grande. E todo mundo sabia que aquele mapa era obviamente verde, inclusive eu. A maioria dos mapas é verde. Mas fiz um teatro. Fiquei olhando o desenho por alguns segundos, fazendo cara de esforço, até dizer: “Eu não tenho certeza, mas acho que é marrom”. Fui dispensado na mesma hora. Liberado, libertado pela mentira.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas como eu ia dizendo, em 2009, não mentirei. Vou torcer pro Vasco voltar à primeira divisão. Vou escalar o Aconcágua, de novo. Vou me matricular numa academia. Vou escrever um texto por dia. E vou parar de mandar o foda-se para os problemas da vida, porque isso é muito feio. De verdade.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Zé McGill&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;ps - a imagem acima é um teste para daltônicos. Se você enxerga ali no meio o número 5, bem-vindo ao mundo do daltonismo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;em&gt;* Aqui o vídeo de uma música que tem alegrado as tardes deste início de ano. Rubinho Jacobina, Dr sabe tudo. E não é mentira!&lt;/em&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;object width="480" height="295"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/KETAYtVX35M&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/KETAYtVX35M&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="480" height="295"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3689334277767611765-6420312405308896816?l=revistafoda-se.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://revistafoda-se.blogspot.com/feeds/6420312405308896816/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3689334277767611765&amp;postID=6420312405308896816' title='9 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3689334277767611765/posts/default/6420312405308896816'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3689334277767611765/posts/default/6420312405308896816'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://revistafoda-se.blogspot.com/2009/01/no-leia-este-texto-tudo-mentira-mentira.html' title='NÃO LEIA ESTE TEXTO. É TUDO MENTIRA. MENTIRA.'/><author><name>Revista Foda-se</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16958292788814484525</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_6KDne3Njd_g/SYBYcPCPbxI/AAAAAAAAAJI/UuNficiIY9U/S220/marrocos6.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_6KDne3Njd_g/SXDPknEaIGI/AAAAAAAAAI4/ys800Xi6wV4/s72-c/colorblind.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>9</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3689334277767611765.post-7538477855184133828</id><published>2008-12-25T20:10:00.021-02:00</published><updated>2009-02-12T14:06:13.167-02:00</updated><title type='text'>A VERDADEIRA HISTÓRIA DE UMBABARAUMA</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_6KDne3Njd_g/SVR0Q5IBa8I/AAAAAAAAAIw/HUYbeZOuqG0/s1600-h/jorge.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5283976096373631938" style="FLOAT: left; MARGIN: 0px 10px 10px 0px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 200px" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_6KDne3Njd_g/SVR0Q5IBa8I/AAAAAAAAAIw/HUYbeZOuqG0/s200/jorge.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/_6KDne3Njd_g/SVRzfDxlBXI/AAAAAAAAAIg/uMKUkemtpdg/s1600-h/fela.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5283975240238826866" style="FLOAT: right; MARGIN: 0px 0px 10px 10px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 130px" alt="" src="http://4.bp.blogspot.com/_6KDne3Njd_g/SVRzfDxlBXI/AAAAAAAAAIg/uMKUkemtpdg/s200/fela.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5283975426280896418" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 200px; CURSOR: hand; HEIGHT: 146px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_6KDne3Njd_g/SVRzp41dt6I/AAAAAAAAAIo/t-nc7iLfFiQ/s200/bob-marley.jpg" border="0" /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;O último registro do ano na Revista Foda-se tinha que ser especial. Mas aqui, não tem essa de retrospectiva, listinha, sapatinho na janela e nem promessas para 2009. Aqui, temos este roteiro maluco de ficção musical para um curta-metragem. Trata-se de um encontro imaginário entre aqueles que são, na nossa opinião, os maiores nomes da música na América do Sul, Caribe e África: Jorge Ben, Bob Marley e Fela Kuti, respectivamente. Lá vai...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;------------------------------------------------------------------------------&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;strong&gt;1. EXT. CATUMBI, RIO DE JANEIRO, 1972. ESTRADA DE TERRA. DIA.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;FADE IN MÚSICA: ROOTS, ROCK, REGGAE - DE BOB MARLEY.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os sapatos brancos de Jorge Ben levantam poeira em passos relaxados pela estrada. A câmera passeia verticalmente pelo corpo do violão que Jorge carrega pela ponta do braço, como se empunhasse um frango abatido pelo pescoço. Velhos, criancinhas e cachorros acompanham e saúdam o Babulina em sua caminhada em direção à birosca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;FADE OUT MÚSICA&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;2. INT. BIROSCA. DIA.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JORGE BEN&lt;br /&gt;(sentando à mesa)&lt;br /&gt;Ô Tião, serve aí aquele ovinho de codorna e uma Jurubeba.&lt;br /&gt;Hoje eu tô inspirado, quero ir a um samba bem animado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;TIÃO&lt;br /&gt;É pra já, Babulina!&lt;br /&gt;Tu viu o golaço que o Fio marcou contra o Benfica?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JORGE BEN&lt;br /&gt;(escancarando um sorriso)&lt;br /&gt;Claro que vi, pô, só não entrou com bola e tudo porque teve humildade!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CORTE PARA A PORTA DA BIROSCA. Um anão negro e misterioso, de chapéu panamá, gravata florida e tapa-olho, está parado na porta. Ele se aproxima e deixa sobre a mesa um envelope branco. Sai de cena sem olhar para ninguém, sem falar nada. Intrigado, Jorge Ben abre o envelope e lê com atenção o conteúdo da carta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CLOSE na última linha da carta: AGUARDO SUA VISITA EM LAGOS, NO DIA 31. VENHA SOZINHO. ASSINADO: FELA ANIKULAPO KUTI.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;3. EXT. BECO ESCURO. KINGSTON, JAMAICA. NA NOITE DO DIA SEGUINTE.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;FADE IN MÚSICA: SORROW, TEARS AND BLOOD - DE FELA KUTI.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Três pistoleiros negros, de &lt;em&gt;dreadlocks&lt;/em&gt;, se reúnem no beco e entram numa kombi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;TRAVELLING LATERAL: a kombi roda pelas ruas escuras de Kingston até estacionar na porta de uma casa (o estúdio dos Wailers). Os homens descem do veículo, armados com suas pistolas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;FADE OUT MÚSICA. &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;4. INT. ESTÚDIO DA BANDA THE WAILERS. NOITE.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Câmera passeia pelo interior do estúdio enfumaçado. A banda ensaia a música &lt;em&gt;Sun is shining&lt;/em&gt;. Foco em primeiro plano na guitarra de Peter Tosh. No segundo plano, Bob Marley, de &lt;em&gt;headphones&lt;/em&gt;, canta atrás do vidro de aquário do estúdio. O ensaio é interrompido pelo estrondo causado pelo arrombamento da porta. Os pistoleiros invadem o estúdio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PISTOLEIRO 1&lt;br /&gt;(diálogo em inglês, sotaque jamaicano brabo)&lt;br /&gt;Mister Marley, a propina está atrasada em mais de um mês.&lt;br /&gt;E você sabe bem o que acontece quando atrasam a propina do homem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BOB MARLEY&lt;br /&gt;(ainda dentro do aquário)&lt;br /&gt;Olha, diga ao homem que nós vamos pagar. Já disse que vamos pagar.&lt;br /&gt;Nós não precisamos de mais problemas. A bilheteria do show de amanhã é dele.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PISTOLEIRO 2&lt;br /&gt;É melhor que seja. Senão, pode dar adeus ao seu pequeno estúdio de merda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CORTE PARA O PISTOLEIRO 3, que acerta um tiro no meio do amplificador de guitarra. Os pistoleiros batem em retirada. Na saída, o PISTOLEIRO 1 arranca um baseado da boca do percussionista Bunny Wailer. Bob Marley sai do aquário e junta-se aos músicos na sala principal. Ele enfia a mão no bolso e saca um punhado de erva.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BOB MARLEY&lt;br /&gt;Alguém tem seda?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PETER TOSH&lt;br /&gt;Nosso papel acabou. Aquele escroto levou o último.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BOB MARLEY&lt;br /&gt;Merda, vou sair pra arrumar algum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CÂMERA SEGUE MARLEY ATÉ A PORTA DO ESTÚDIO.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;5. EXT. PORTA DO ESTÚDIO. NOITE.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá fora, encostado na parede, está o anão do tapa-olho, com a mão esquerda estendida no vão da porta, segurando um maço de papel de seda e olhando em direção à rua. Bob Marley agradece e observa o anão enquanto pega os papéis. Quando abre o maço de sedas, descobre a mensagem em letras garrafais. Marley procura o anão, que já desapareceu na escuridão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CLOSE no papel de seda: AGUARDO SUA VISITA EM LAGOS, NO DIA 31. VENHA SOZINHO. ASSINADO: FELA ANIKULAPO KUTI.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;6. EXT. AEROPORTO DE LAGOS, NIGÉRIA. DIA.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;FADE IN MÚSICA: OS ALQUIMISTAS ESTÃO CHEGANDO - DE JORGE BEN.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O avião se aproxima da pista num dia de sol forte. Jorge Ben desce primeiro. Bob Marley surge na escada do avião após meia dúzia de passageiros.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CORTA PARA PORTA DO AEROPORTO.&lt;br /&gt;Jorge Ben e Bob Marley estão no ponto de táxi do aeroporto. Cada um carrega uma mala e um instrumento. Ben traja uma camisa do Flamengo, Marley está vestido com a camisa da seleção brasileira de 1970. Eles se olham, mas não reconhecem um ao outro. Uma caminhonete bege estaciona na frente dos dois. Do banco do carona, salta o anão misterioso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;FADE OUT MÚSICA.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ANÃO MISTERIOSO&lt;br /&gt;(em inglês)&lt;br /&gt;Mister Bob Marley, entre, por favor.&lt;br /&gt;(em português, sotaque angolano)&lt;br /&gt;Senhor Jorge Ben, por favor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os dois músicos adentram a caminhonete, que dá a partida e ganha as ruas de Lagos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;7. INT. CAMINHONETE. DIA. CÂMERA COLOCADA SOBRE O FREIO DE MÃO DA CAMINHONETE FOCA A CONVERSA ENTRE MARLEY E BEN NO BANCO DE TRÁS.&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JORGE BEN&lt;br /&gt;(apontando para a camiseta amarela de Marley)&lt;br /&gt;Mister Marley, véri naice camiseta, véri naice, mai frend!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BOB MARLEY&lt;br /&gt;(em inglês)&lt;br /&gt;Obrigado, Mister Ben. Sua música é linda e sua camiseta também...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JORGE BEN&lt;br /&gt;I donti spik inglish, mai frend... véri naice, véri naice!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;ANÃO MISTERIOSO&lt;br /&gt;(traduzindo as palavras de Marley para Ben)&lt;br /&gt;Ele disse que sua música é linda e sua camiseta também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JORGE BEN&lt;br /&gt;(para Marley)&lt;br /&gt;Maravilha! Is Flamengo, mai frend, FLA-MEN-GO!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BOB MARLEY&lt;br /&gt;(num português tosco)&lt;br /&gt;Ahh! “Sou Flamengo e tenho uma nega chamada Teresa”…&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JORGE BEN&lt;br /&gt;Yes, yes, mai frend!&lt;br /&gt;Ô, senhor Anão Misterioso, diz aí pra ele que lá no Brasil a gente adora aquele som que ele faz, o Réguis.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;FADE IN MÚSICA: CONCRETE JUNGLE, DE BOB MARLEY.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CORTA PARA A CARA DE MARLEY, que sorri para Ben e depois começa a olhar as ruas de Lagos, cheias de miséria. CÂMERA ESTÁ COLOCADA NA PERSPECTIVA DE JORGE BEN, com o perfil de Marley em primeiro plano e a janela com as ruas de Lagos em segundo plano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CORTA PARA A CARA DE BEN, compenetrado na pobreza da capital nigeriana. CÂMERA ESTÁ COLOCADA NA PERSPECTIVA DE BOB MARLEY, com o perfil de Ben em primeiro plano e a janela com as ruas de Lagos em segundo plano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A caminhonete estaciona na porta do Afrika Shrine, o &lt;em&gt;nightclub&lt;/em&gt; criado por Fela Kuti, que ficava na comunidade Kalakuta Republic, outra criação do Fela Kuti. Jorge Ben, Bob Marley, o motorista e o Anão Misterioso descem do automóvel e ficam parados na porta do &lt;em&gt;nightclub&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;FADE OUT MÚSICA.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;8. INT. AFRIKA SHRINE. NOITE.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;O interior do Afrika Shrine é escuro, iluminado apenas por luzes fracas de &lt;em&gt;neon&lt;/em&gt; amarelo e vermelho. Fela Kuti está deitado no sofá, rodeado por oito mulheres negras de caras pintadas e os músicos de sua banda. Ben e Marley estão de pé, em frente ao sofá. O primeiro carrega o violão, o segundo tem uma guitarra. O som de fundo é o Afro-beat.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;FELA KUTI&lt;br /&gt;(em inglês; o anão traduz para Jorge Ben)&lt;br /&gt;Mister Bob Marley! Mister Jorge Ben! Sejam bem-vindos!&lt;br /&gt;Obrigado por aceitarem o meu convite. A comunidade da Kalakuta Republic está em festa pela presença dos maiores músicos das Américas. Chamei-os aqui porque a música de vocês é o que melhor representa a cultura africana pelo mundo. Eu ia chamar o James Brown também, mas descobri que ele é simpatizante do Partido Republicano e mudei de idéia. Nós precisamos colocar a música africana nos corações e nas mentes das pessoas e ninguém melhor do que vocês, negros descendentes do nosso continente, para levar esta missão adiante. Venham, tragam seus instrumentos e sigam-me.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CÂMERA SEGUE PELAS COSTAS OS TRÊS MÚSICOS. Eles se dirigem ao palco do Afrika Shrine, que já está tomado por uma dúzia de músicos de Fela Kuti, todos em suas devidas posições, prontos para tocar os instrumentos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CLOSE no Anão Misterioso, que cochicha alguma coisa no ouvido de Fela Kuti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;FELA KUTI&lt;br /&gt;(em inglês)&lt;br /&gt;Alright, alright. Mister Marley, você primeiro. Sabemos que você aprecia as ervas e temos aqui uma nova música pra você. Chama-se African Herbsman. Aqui está a partitura. Tem um pedaço de letra e você pode completar. Vamos tocar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;BOB MARLEY &lt;/div&gt;&lt;div&gt;(isto não tem tradução à altura)&lt;br /&gt;Of course, boss. Whatever you say. Let’s jam!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MÚSICA: AFRICAN HERBSMAN, DE BOB MARLEY.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A banda começa a tocar. Bob Marley e Fela Kuti cantam juntos. Jorge Ben observa de braços cruzados na frente do palco.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;LEGENDA: A MÚSICA AFRICAN HERBSMAN DARIA TÍTULO AO NOVO DISCO DE BOB MARLEY, LANÇADO EM 1973.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;FADE OUT MÚSICA.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CLOSE no Anão Misterioso, que novamente cochicha alguma coisa no ouvido de Fela Kuti.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;FELA KUTI&lt;br /&gt;(em inglês; o Anão traduz para Jorge Ben)&lt;br /&gt;Jorge, agora é sua vez. Sei que você ama o futebol e temos aqui na Kalakuta Republic um atacante chamado Umbabarauma. Ele já marcou um milhão de gols pelo nosso time, que se chama Korokondô. Você pode fazer a letra em português, mas a base da música é esta aqui. (Fela Kuti toca no saxofone a linha de guitarra de Umbabarauma). Vamos tocar?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;JORGE BEN&lt;br /&gt;Ô, chefia... Você é quem manda. Vamo nessa!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Jorge Ben sobe ao palco e pede a guitarra de Bob Marley emprestada. Bob Marley vai para a percussão. As cantoras de Fela Kuti começam o coro de “Umbabaraumááá”. Todos começam a tocar!!!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MÚSICA: UMBABARAUMA, DE JORGE BEN.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;LEGENDA: PONTA DE LANÇA AFRICANO (UMBABARAUMA) SERIA A PRIMEIRA FAIXA DO DISCO ÁFRICA BRASIL, LANÇADO POR JORGE BEN EM 1976.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;FIM&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;FADE OUT MÚSICA.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;CRÉDITOS.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;MÚSICA: GENTLEMAN, DE FELA KUTI. &lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="left"&gt;&lt;strong&gt;Zé McGill&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;*Se você ainda não conhece o som do Fela Kuti, eis aqui a sua chance de redenção:&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;object width="425" height="344"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/h4AA6EuZe-k&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowFullScreen" value="true"&gt;&lt;/param&gt;&lt;param name="allowscriptaccess" value="always"&gt;&lt;/param&gt;&lt;embed src="http://www.youtube.com/v/h4AA6EuZe-k&amp;amp;hl=pt-br&amp;amp;fs=1" type="application/x-shockwave-flash" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true" width="425" height="344"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3689334277767611765-7538477855184133828?l=revistafoda-se.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://revistafoda-se.blogspot.com/feeds/7538477855184133828/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3689334277767611765&amp;postID=7538477855184133828' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3689334277767611765/posts/default/7538477855184133828'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3689334277767611765/posts/default/7538477855184133828'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://revistafoda-se.blogspot.com/2008/12/verdadeira-histria-de-umbabarauma.html' title='A VERDADEIRA HISTÓRIA DE UMBABARAUMA'/><author><name>Revista Foda-se</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16958292788814484525</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_6KDne3Njd_g/SYBYcPCPbxI/AAAAAAAAAJI/UuNficiIY9U/S220/marrocos6.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_6KDne3Njd_g/SVR0Q5IBa8I/AAAAAAAAAIw/HUYbeZOuqG0/s72-c/jorge.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3689334277767611765.post-1691670898230259270</id><published>2008-12-10T22:53:00.025-02:00</published><updated>2008-12-11T14:22:44.439-02:00</updated><title type='text'>JÔNATAS PRECISA DE CARINHO</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_6KDne3Njd_g/SUBku5v8ibI/AAAAAAAAAHg/HA8Wh6x9yM4/s1600-h/jonatas.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5278329520216902066" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_6KDne3Njd_g/SUBku5v8ibI/AAAAAAAAAHg/HA8Wh6x9yM4/s320/jonatas.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Adeus hexa, adeus Libertadores, adeus Caio Harry Potter Júnior. Olhei o Flamengo contra o Atlético Paranaense pela televisão no último domingo. Um olho brilhou de tristeza pela apatia e covardia do time, mas o outro brilhou diferente, aliviado com a saída iminente de um técnico que me causou um dos sentimentos mais esquisitos que existem: pena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando li que Harry Potter admitiu ainda não ter encontrado a formação ideal da equipe na trigésima sexta rodada do campeonato, deu pena. Quando ele disse que o Frambueza foi o melhor em campo contra o Botafogo, deu pena. Quando declarou, numa entrevista coletiva, que seu sonho era um dia ter o nome gritado pela torcida... misericórdia. Coitado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A gente sabe que um técnico é fraco quando uma meia-dúzia de três ou quatro jogadores notoriamente bons de bola vão mal. Foi assim com Leonardo Moura, Ibson, Juan e Marcelinho Paraíba, que tiveram raros momentos de brilho durante o campeonato. E foi assim com o único craque do elenco do Flamengo: Jônatas, que passou o ano inteiro fora até do banco de reservas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando o problema é com apenas um jogador que anda em má fase, tudo bem, aí o problema é o jogador, não o técnico. Mas quando vários jogadores vão mal ao mesmo tempo, há algo errado no comando. O Harry Potter usa óculos, tem varinha de condão, cabelo lambidinho e até que é bem intencionado, mas não sabe falar grosso e escala mal o time. Vide as insistências com Jaílton como zagueiro (cometendo três pênaltis por jogo) e Marcelinho Paraíba (que só faltou chorar para ser escalado em sua posição de origem, no meio de campo).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se o técnico do Flamengo em 2008 fosse o Felipão, o Muricy Ramalho ou o Mano Menezes, o Jônatas voltava a jogar bola rapidinho. Se bobear, já estaria de volta à seleção. Aliás, se o técnico do Flamengo fosse um desses caras no campeonato que acabou, seríamos campeões. Tínhamos time pra isso. E não há jogador atuando no Brasil que lance uma bola de longa distância, que tenha categoria e visão de jogo como Jônatas Domingos. Que ele é meio doidão, todo mundo sabe. Mas Romário e Maradona também são. Todo gênio é doidão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O meu avô, que já foi dirigente do Flamengo, conta que um dia chegou no vestiário e encontrou o Jônatas cabisbaixo, quase chorando. Ele já era titular do time, já estava arrebentando e o bolso dele já estava cheio de dinheiro, mas mesmo assim, tinha os olhos cheios d’água ali no vestiário. Meu avô chegou pra ele e perguntou: “Ô Jônatas, que é que há? Tá triste por quê?”. O camisa 5, soluçando, respondeu algo parecido com: “Eu quero voltar pro Ceará, não aguento mais, quero voltar pra minha família...”. Pergunto: É gênio ou não é?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Poucos anos depois, Jônatas carregou o time na conquista da Copa do Brasil de 2006, com ajuda fundamental do Renato Abreu. Não esqueço a comemoração do gol do Renato contra o Ipatinga, naquela Copa do Brasil. O jogo da volta estava empatado no Maracanã quando o Jônatas saiu driblando no meio de campo e lançou uma bola limpinha pro Renato, que chutou de primeira e marcou o gol da vitória. No close da câmera de TV, deu para ler os lábios do Renato durante a comemoração. Ele procurava à sua volta e perguntava: “Cadê o Jônatas? Cadê o Jônatas?”. Queria agradecer o presente. "Cadê o Jônatas", foi o que eu fiquei perguntando ao Caio Potter o ano inteiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E agora é isso. O ano acabou e engolimos a pior classificação possível em um Campeonato Brasileiro, que é a quinta colocação. Só não é pior que o rebaixamento. E ainda temos que aturar aquela grande corporação, aquele &lt;em&gt;business&lt;/em&gt;, que é o São Paulo Futebol Clube, tomar o nosso posto de maior campeão do Brasil com aquele joguinho safado deles. Você, que não é flamenguista, dirá: “Isso é papo de recalcado”. E é mesmo, mas é também papo de quem não acha legal ver uma empresa ser campeã de futebol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quanto ao rebaixamento do Vasco, senti pena (oh, sentimento profano!). Cheguei a torcer pelo time das mulheres bigodudas porque não queria ver tiração de onda por parte do Eurico Miranda – aquele hipopótamo de suspensórios, o personagem mais escroto da história do nosso futebol. Torci pelo rebaixamento do Fluminense. Este sim, merecia. Afinal, todos sabem que o time da burguesia carioca voltou à primeira divisão numa virada de mesa estapafúrdia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nós, flamenguistas, tivemos um ano triste. Triste porque o futebol é feito de expectativas e todas as nossas foram frustradas a partir daquela que foi a maior tragédia rubro-negra da história: a derrota por três a zero para o América do México, na Libertadores. Depois vieram outros desastres, como a derrota para o Atlético Mineiro e o empate com o Goiás que, na verdade, foi mais uma derrota por três a zero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se tivemos algum momento de alegria em 2008, este nos foi fornecido por um dos nossos maiores ídolos: Renato Gaúcho. Ele, que fez aquele gol insólito contra o Atlético Mineiro, em 1987, e que, agora, comandou o fracasso do Fluminense na final da Libertadores contra a LDU. Valeu, Renato!!! E, no ano que vem, tudo pode melhorar. O Harry Potter já saiu de fininho, temendo ser alvejado pela pedra filosofal das arquibancadas, e o Jônatas vem aí. O Kaiser do Semi-Árido voltará a brilhar. Ele só precisa de um técnico que lhe dê um pouco de carinho e dois quilos de rapadura pra matar as saudades do Ceará.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Zé McGill&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Aqui uma pequena amostra do que o Jônatas sabe fazer. Veja sem som, porque a música é uma merda.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=jMhwQhAx-QU"&gt;&lt;strong&gt;http://www.youtube.com/watch?v=jMhwQhAx-QU&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em compensação, aqui está um clipe amador da melhor música do mundo: &lt;em&gt;Gentleman&lt;/em&gt;, de Fela Kuti. Pra ouvir no último volume.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=-ykpwr8K3M4"&gt;&lt;strong&gt;http://www.youtube.com/watch?v=-ykpwr8K3M4&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3689334277767611765-1691670898230259270?l=revistafoda-se.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://revistafoda-se.blogspot.com/feeds/1691670898230259270/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3689334277767611765&amp;postID=1691670898230259270' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3689334277767611765/posts/default/1691670898230259270'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3689334277767611765/posts/default/1691670898230259270'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://revistafoda-se.blogspot.com/2008/12/jnatas-precisa-de-carinho.html' title='JÔNATAS PRECISA DE CARINHO'/><author><name>Revista Foda-se</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16958292788814484525</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_6KDne3Njd_g/SYBYcPCPbxI/AAAAAAAAAJI/UuNficiIY9U/S220/marrocos6.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_6KDne3Njd_g/SUBku5v8ibI/AAAAAAAAAHg/HA8Wh6x9yM4/s72-c/jonatas.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3689334277767611765.post-2693128273352618216</id><published>2008-11-22T12:45:00.013-02:00</published><updated>2008-11-23T13:58:48.394-02:00</updated><title type='text'>JOÃO JOÃO E O FORASTEIRO</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_6KDne3Njd_g/SSgsJV0GMBI/AAAAAAAAAHY/BwrK6GtZM-I/s1600-h/x.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5271511902823264274" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 246px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_6KDne3Njd_g/SSgsJV0GMBI/AAAAAAAAAHY/BwrK6GtZM-I/s320/x.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;João João era um bandido que metia medo em todo mundo. A barba precisamente aparada, o terno marrom sempre alisado com ferro quente e aquele cabelo negro brilhante que nunca escorria eram as bandeiras do temperamento gelado que carregava. Ninguém sabia o motivo da cicatriz que dividia sua cara redonda em dois hemisférios: no sudoeste, a boca amordaçada pelo corte. No nordeste, olhos infinitos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estava faminto quando adentrou a taberna naquela noite fria. Colocou o revólver sobre o balcão, tirou o terno e pediu um ovo estrelado com duas fatias de bacon. Sentou-se e abriu bem as narinas para aspirar o cheiro quente de sua refeição, que já flutuava pelo salão. O rádio de pilha tocava um blues dos anos 1930 que falava sobre o encontro de alguém com o diabo numa encruzilhada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sentado ao seu lado, um forasteiro franzino engolia calmamente a cerveja morna que descia da caneca de vidro. Tinha um olho cego embaçado, o outro no revólver de João João, que dormia sobre o balcão. Acabara de chegar na cidade e estava à procura do assassino de seu irmão. Agora que o encontrara, sentado logo ao lado com aquela cicatriz indefectível, refazia seu plano de vingança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O forasteiro ouvira dizer que o ponto fraco de João João residia justamente nos deboches que seu nome composto inspirava, mesmo que ninguém na cidade tivesse coragem de proferir os tais deboches na sua presença. Portanto, foi por este caminho que o forasteiro iniciou o ataque quando o ovo estrelado e os bacons pousaram no colo de seu adversário.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Boa noite, estranho, qual é a sua graça?”&lt;br /&gt;“E quem é que deseja saber?”, retrucou João João, salgando o ovo sem olhar para o forasteiro.&lt;br /&gt;“Ora, vamos, meu caro. Só estou tentando puxar conversa nesta noite vazia. Você pode me chamar de Zezé”.&lt;br /&gt;João João largou os talheres de metal sobre o prato e finalmente o encarou.&lt;br /&gt;“Me chamo João João”, respondeu, com o bacon entre os dentes.&lt;br /&gt;“Pfff... João João!”, exclamou o forasteiro explodindo numa gargalhada maliciosa e esguichando cerveja por entre os lábios semi-cerrados antes de concluir: “Que raio de nome é esse!?” &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Os outros clientes da taberna, que até então acompanhavam o diálogo entre João João e o forasteiro de olhos arregalados, encolheram-se em seus cantos, provocando um súbito silêncio, apesar do som do rádio e da gargalhada escandalosa que ecoava pelo salão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora de pé, João João passou a mão no revólver e apontou na direção do forasteiro. Sua alma embriagada de cólera desfizera as manias mais excêntricas de sua frieza e uma mecha do cabelo negro e brilhante agora pendia patética sobre a testa em brasa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“É nome de sujeito homem”, trovejou João João. “Nome de matador, seu filho de uma puta. E tira esse sorriso da cara senão eu te meto chumbo agora mesmo!”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O forasteiro descansou a caneca de vidro sobre o balcão e limpou o sorriso com a manga da camisa. Foi ali que o dono da taberna, um tipo obeso e de bigode ruivo, apresentou Marieta, a escopeta que ficava escondida do outro lado do balcão. Não precisou dizer nada. Bastou apontar, com o cano da arma, o caminho da rua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lá fora, o vento corria rasteiro, sujando de poeira o couro das botas de João João. A estrada de terra que passava na frente da taberna dormia deserta no mais negro breu. A única testemunha do duelo que se anunciava era a luz fraca da lamparina de querosene, que dançava preguiçosa na porta da taberna. Nenhum dos clientes teve peito de meter a cara na janela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;João João, que saíra primeiro, empunhava o revólver com raiva. Tanta raiva, que o suor da palma de sua mão tornara escorregadia a coronha do revólver. Seus olhos procuravam a silhueta do forasteiro no meio da escuridão, mas o que avistaram foi a caneca de vidro rolando na direção das botas sujas e derramando o resto de cerveja morna sobre a areia. Nenhum sinal do forasteiro, até que sentiu a garganta sendo esmagada por um braço e a barriga espetada pela ponta de um facão. O revólver de João João quicou pela estrada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Vou fazer um X na tua cara, completar o serviço que meu irmão começou”, disse o forasteiro, soltando um bafo quente na parte posterior da orelha de João João.&lt;br /&gt;“Mate-me agora, ou morra depois, seu pedaço de merda”, grunhiu João João.&lt;br /&gt;“Não... prefiro te deixar caminhar por aí, com um X na cara, pra completar a desgraça que esse teu nome ridículo já te traz. João João... pfff. Que nome escroto.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O facão viajou fundo, do noroeste ao sudeste da face de João João. Deitado em frente à taberna, com o rosto coberto de sangue, ele escutou as gargalhadas e os gritos cada vez mais distantes do forasteiro, que sumiu para sempre no breu da estrada: “João João! Teu nome é tua sepultura! Tua sepultura, João João!” &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Zé McGill&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;*Trilha sonora para leitura: &lt;em&gt;Me and the devil blues,&lt;/em&gt; de Robert Johnson.&lt;br /&gt;Aqui o link pro vídeo, que é bem sinistro - &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=3MCHI23FTP8"&gt;http://www.youtube.com/watch?v=3MCHI23FTP8&lt;/a&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;p&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/p&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3689334277767611765-2693128273352618216?l=revistafoda-se.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://revistafoda-se.blogspot.com/feeds/2693128273352618216/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3689334277767611765&amp;postID=2693128273352618216' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3689334277767611765/posts/default/2693128273352618216'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3689334277767611765/posts/default/2693128273352618216'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://revistafoda-se.blogspot.com/2008/11/joo-joo-e-o-forasteiro.html' title='JOÃO JOÃO E O FORASTEIRO'/><author><name>Revista Foda-se</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16958292788814484525</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_6KDne3Njd_g/SYBYcPCPbxI/AAAAAAAAAJI/UuNficiIY9U/S220/marrocos6.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_6KDne3Njd_g/SSgsJV0GMBI/AAAAAAAAAHY/BwrK6GtZM-I/s72-c/x.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3689334277767611765.post-5063706315006495897</id><published>2008-11-05T22:08:00.007-02:00</published><updated>2008-11-08T04:11:27.233-02:00</updated><title type='text'>ALESSANDRA NEGRINI NUNCA ME LIGOU</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_6KDne3Njd_g/SRI5bVtdZMI/AAAAAAAAAFw/e7vdgopPWX8/s1600-h/alessandranegrini6.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5265334056196596930" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 232px; CURSOR: hand; HEIGHT: 320px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_6KDne3Njd_g/SRI5bVtdZMI/AAAAAAAAAFw/e7vdgopPWX8/s320/alessandranegrini6.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;Lá estava eu comandando as carrapetas no meu primeiro trabalho como DJ em uma festa particular. Passava das onze da noite e a pista de sinteco da sala começava a fumegar naquele apartamento ancião da praia do Flamengo. Entre uns goles na latinha de cerveja e umas espiadas na vista panorâmica da Baía de Guanabara, revezávamos, eu e meu parceiro Lupicínio, no temporal de Funk 70 que desabava em forma de James Brown, Kool &amp;amp; The Gang, Sly, Tim Maia e JB’s, entre outros meliantes da pesada, quando uma perua precoce e ocluda me abordou.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Toca um funk aí!”&lt;br /&gt;“Hã?”, respondi, fingindo que o volume do som atrapalhava a compreensão daquele pedido lunático.&lt;br /&gt;“Fuuun-kêêê!”, escancarou a ocluda. Pronto. Agora não tinha mais desculpa.&lt;br /&gt;“Pô... mas isso é James Brown. Quer &lt;em&gt;mais funky&lt;/em&gt; que isso?”, tentando ser simpático: a ocluda tinha uma bunda legal.&lt;br /&gt;“Eu sei, muito bom! Mas toca aí um funk original.”&lt;br /&gt;“Original, como assim!?”&lt;br /&gt;Afinal, entendi. O “funk original” dela era o pancadão-popozudo-tigrão-carioca.&lt;br /&gt;“Foi mal, não tenho”, aleguei, tentando fornecer um sorriso amarelado.&lt;br /&gt;A ocluda fez beicinho mas sorriu e saiu saltitando pelo sinteco feito uma gazela suntuosa enquanto ajeitava os óculos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Tudo bem, até acho que o pancadão, ou &lt;em&gt;funkarioca&lt;/em&gt;, tem o seu valor, que é uma forma legítima e até divertida de expressão dos esquecidos do esquemão e etc., mas porra, os meliantes do funk norte-americano dos anos 70 é que são os originais, os pais do funk. E quando a ocluda me abordou, o som que rodava no CDJ era &lt;em&gt;Make it funky&lt;/em&gt;, do James Brown: uma pedrada violenta, daquelas que fazem até joão-bobo murcho balançar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre uns goles na latinha de cerveja e umas espiadas na bunda da ocluda, lembrei que a festa acontecia em um dos metros quadrados mais caros da cidade, e que os convidados eram daquele time que acha que é &lt;em&gt;cool &lt;/em&gt;militar a favor da cultura dos morros sem nunca ter pisado numa favela. De qualquer maneira, o aniversariante (vulgo: patrão) e a maioria dos convidados estavam perdendo a noção do ridículo na pista, bamboleando de tal maneira que não deixavam dúvida quanto ao sucesso da sequência musical a que eu e Lupicínio os submetíamos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já perto da meia-noite, entre uns goles na latinha de cerveja e umas espiadas na mesa de quitutes, o Lupicínio acertou uma leve cotovelada nas minhas costelas e forneceu a notícia aterrorizante:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Olha quem chegou aí... a tua musa, Alessandra Negrini”.&lt;br /&gt;“Tá de sacanagem... cadê?”, perguntei no susto.&lt;br /&gt;“Ali, malandro!”, apontando para a porta do apartamento.&lt;br /&gt;“Aí, fodeu, não vou mais conseguir tocar.”, avisei, meio rindo, meio sério.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lupicínio conhecia a minha tara pela atriz Global. Estava farto de me ouvir dizer, no final dos nossos porres pelos botecos sujos, que Alessandra Negrini era a mulher mais tesuda da galáxia. Sim, encabeçando uma lista que conta ainda com as seguintes alienígenas: Catherine Boceta-Jones (aquela égua galesa), Kirsty Alley (a mamãe-delícia do filmeco &lt;em&gt;Três solteirões e um bebê&lt;/em&gt;), Mireya Luis (a ex-craque popozuda da seleção cubana de vôlei) e Cláudia Cruz (a apresentadora do RJTV nos anos 90, que fazia um biquinho fatal com a boca enquanto apresentava as notícias de inutilidade pública do telejornal).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sabedor da minha aflição, Lupicínio não estranhou quando larguei o &lt;em&gt;headphone&lt;/em&gt; no meio de &lt;em&gt;Acenda o farol&lt;/em&gt;, do Tim Maia, e fui fumar um cigarro na janela. Alessandra já havia sumido na pequena multidão que se formara no corredor colossal que desembocava na “pista”, mas a ciência de sua presença no recinto festivo me perturbava. Entre uns goles na latinha de cerveja e uns tragos no cigarro, fiquei lembrando das fotos da Playboy, em que ela aparece com o olhar mais safado do mundo, posando de prostituta na Lapa. É a melhor Playboy nacional de todos os tempos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Encostado no parapeito, de costas pra janela, senti a brisa soprar na minha nuca quando Alessandra surgiu na pista. Trajava um vestido preto de tecido leve que denunciava todos os seus volumes mas deixava nuas apenas as canelas brancas e grossas. Segurando uma taça de champagne com uma das mãos e ajeitando o cabelo recém-cortado com a outra, ela entrou na dança timidamente, apesar do esforço dos estranhos em transparecer a maior naturalidade na sua presença. Acho que foi a suposta timidez dela que me encorajou a voltar pra mesa de som.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre uns goles na latinha de cerveja e umas espiadas no popô da Alessandra - que já requebrava bonito na minha frente - relaxei. Passava das duas horas da madrugada quando a vi caminhando em direção à mesa de som, quer dizer, em &lt;em&gt;minha&lt;/em&gt; direção. O sorrisinho dela era bem diferente daquele da Playboy. Era um sorriso meio torto, meio encabulado e, ao mesmo tempo, maroto que só ele. Os dois olhões negros me encontraram com cara de panaca, a boca entreaberta. Notei que ela trazia um pequeno pedaço de papel e uma caneta, ambos na mesma mão. Na outra, ainda a taça de champagne. Tirei o &lt;em&gt;headphone&lt;/em&gt; da cabeça, enchi o peito de confiança e me preparei para o confronto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Oi. Tudo bem?”, ela - colocando a taça sobre a mesa.&lt;br /&gt;“Tudo!”, eu - vermelho, roxo, magenta, sei lá, sou daltônico.&lt;br /&gt;“Adorei o som de vocês. Várias músicas que eu não escutava há um tempão. Vocês tocam sempre juntos? É que eu vou precisar de um DJ pruma festa e queria pegar o telefone de vocês...”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhei de relance pro Lupicínio, com cara de quem pede socorro, mas o puto fingiu estar compenetrado no trabalho, nem tirou o olho do CDJ. Aposto que estava se mijando de rir. Depois ele confessou que ouviu a conversa toda. Mas agora era comigo. A maior tesuda da galáxia estava na minha frente, pedindo o meu telefone e eu queria lhe dizer algo além do meu número. Ela é o tipo de mulher que já escutou toda a sorte de gracinhas e cantadas imbecis, portanto, perguntar se ela gostaria de conhecer a minha coleção de selos estava fora de cogitação. Resolvi então libertar o canalha que mora dentro de todos nós:&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Olha, Alessandra, seria o maior prazer tocar pra você, mas quando é a festinha?”&lt;br /&gt;“É no dia 31 de outubro, sexta-feira. Você pode?” – respondeu, ainda sorrindo torto, mas na maior boa vontade. Percebi que desta vez ela perguntara se &lt;em&gt;eu&lt;/em&gt; poderia, e não se &lt;em&gt;nós &lt;/em&gt;poderíamos.&lt;br /&gt;“Hummm... dia 31. É o dia do &lt;em&gt;Halloween&lt;/em&gt;, né?”&lt;br /&gt;“É mesmo! Coincidência...”&lt;br /&gt;“Pois é, acho que não vou poder, minha mãe não me deixa sair de casa no &lt;em&gt;Halloween&lt;/em&gt;...”&lt;br /&gt;“Que história é essa menino, quantos anos você tem?”, o sorriso dela agora era mais espontâneo.&lt;br /&gt;“Tenho 31, mas a minha mãe... sabe como é...”&lt;br /&gt;“Olha, avisa sua mãe que eu tomo conta de você, tá legal?”&lt;br /&gt;“Ahn, sendo assim, anota aí o meu número.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O dia 31 de outubro já passou e até hoje aguardo o telefonema de Alessandra. Naquela noite, ainda trocamos alguns comentários sobre os CDs, sobre aquele apartamento ancião e sobre a sua futura festa. Alessandra foi embora na hora do parabéns, lá pelas três da madrugada. Saiu de fininho, sem falar com ninguém. Nem comigo. Acho que deveria tê-la convidado para conhecer a minha coleção de selos. E deveria ter pedido o número do telefone dela, entre os goles na latinha de cerveja e as piadas duvidosas sobre o &lt;em&gt;Halloween&lt;/em&gt;. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Zé McGill&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;* Por falar em Tim Maia, segue o link de um vídeo raro e foderoso do Síndico. (Atentem para a performance do percussionista, que recebe um santo no final do vídeo... ISSO É BRASIL!!)&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=VqJSW4Uituk"&gt;&lt;strong&gt;http://www.youtube.com/watch?v=VqJSW4Uituk&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3689334277767611765-5063706315006495897?l=revistafoda-se.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://revistafoda-se.blogspot.com/feeds/5063706315006495897/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3689334277767611765&amp;postID=5063706315006495897' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3689334277767611765/posts/default/5063706315006495897'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3689334277767611765/posts/default/5063706315006495897'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://revistafoda-se.blogspot.com/2008/11/alessandra-negrini-nunca-me-ligou.html' title='ALESSANDRA NEGRINI NUNCA ME LIGOU'/><author><name>Revista Foda-se</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16958292788814484525</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_6KDne3Njd_g/SYBYcPCPbxI/AAAAAAAAAJI/UuNficiIY9U/S220/marrocos6.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_6KDne3Njd_g/SRI5bVtdZMI/AAAAAAAAAFw/e7vdgopPWX8/s72-c/alessandranegrini6.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3689334277767611765.post-3048287169018757568</id><published>2008-10-24T12:05:00.004-02:00</published><updated>2008-10-24T14:06:01.546-02:00</updated><title type='text'>M   A   R   I   N   A</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_6KDne3Njd_g/SQHtj9Sgd7I/AAAAAAAAAFg/zlGTvYztvNw/s1600-h/carangueijo-8204.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5260747041748842418" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; WIDTH: 320px; CURSOR: hand; HEIGHT: 240px; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_6KDne3Njd_g/SQHtj9Sgd7I/AAAAAAAAAFg/zlGTvYztvNw/s320/carangueijo-8204.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Um amigo sugeriu que eu tentasse escrever um conto curto ao mesmo tempo em que escutasse alguma música que não gosto. A idéia era despertar a criatividade através do improvável e deixar o texto correr. Escolhi a sofrível &lt;em&gt;Goodbye my lover&lt;/em&gt;, do James Blunt, e coloquei em "repeat" no Media Player. Quando o primeiro parágrafo saiu, acho que já havia escutado a música mais de dez vezes. Uma tortura fodida. Os parágrafos seguintes foram escritos no silêncio... segue o resultado: um conto curto chamado &lt;em&gt;Marina&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;--------------------------------------------------------------------------------&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;O sal rachava os lábios rúbidos de Marina. Cada sopro do vento hostil levantava o vestido rasgado e desnudava suas coxas pálidas. Marina permanecia inerte, com os pés dormentes afundando na areia e olhar fixo na ilha em forma de baleia. As gotas d’água que saltavam do mar encontravam seu rosto sardento e escorriam em direção à sua boca, confundindo-se desgostosas com as lágrimas salgadas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No início do crepúsculo, o dedão do pé direito descobriu as costas lisas de uma concha e empregou-lhe uma massagem letárgica. Enquanto isso, a maré enchia apressada e a canela de Marina desaparecia progressivamente na areia encharcada a cada refluxo do mar verde, cor de limonada. Os movimentos de seu corpo carnudo resumiam-se a inclinações dos olhos vermelhos que agora testemunhavam o soterramento de uma comunidade de tatuís.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A lua cheia mirou intrigada a imersão das coxas enquanto o oceano, faminto, lambia as dobras da bunda voluptuosa de Marina. Um carangueijo que passava por ali estranhou a estagnação apática da moça e decidiu provocá-la, investindo bruscamente na direção dos mamilos pontudos, como se ameaçasse beliscá-los com suas mãos de alicate. Nenhuma reação. O carangueijo deixou-se levar por uma marola e flutuou magoado. Sentia-se imprestável, invisível.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Marina já podia sentir a areia entre os dentes quando o odor de peixe, água e sal penetrou suas narinas e enviou a mensagem de transe para as profundezas do cérebro. Quando amanheceu, a praia estava deserta.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Zé McGill&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;* Um vídeo amador do incrível Shuggie Otis! A música chama-se &lt;em&gt;Aht uh mi hed.&lt;/em&gt; Confira: &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://br.youtube.com/watch?v=avw50zY4fxc"&gt;&lt;strong&gt;http://br.youtube.com/watch?v=avw50zY4fxc&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3689334277767611765-3048287169018757568?l=revistafoda-se.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://revistafoda-se.blogspot.com/feeds/3048287169018757568/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3689334277767611765&amp;postID=3048287169018757568' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3689334277767611765/posts/default/3048287169018757568'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3689334277767611765/posts/default/3048287169018757568'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://revistafoda-se.blogspot.com/2008/10/m-r-i-n.html' title='M   A   R   I   N   A'/><author><name>Revista Foda-se</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16958292788814484525</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_6KDne3Njd_g/SYBYcPCPbxI/AAAAAAAAAJI/UuNficiIY9U/S220/marrocos6.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_6KDne3Njd_g/SQHtj9Sgd7I/AAAAAAAAAFg/zlGTvYztvNw/s72-c/carangueijo-8204.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3689334277767611765.post-7977780334732570724</id><published>2008-10-08T18:32:00.009-03:00</published><updated>2008-10-11T18:01:21.861-03:00</updated><title type='text'>O GRANDE FRACASSO</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_6KDne3Njd_g/SO0nIfzSPCI/AAAAAAAAAE4/fii8a3-ynug/s1600-h/circo2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5254899367140277282" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_6KDne3Njd_g/SO0nIfzSPCI/AAAAAAAAAE4/fii8a3-ynug/s320/circo2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Estou achando essa crise financeira que assaltou os Estados Unidos – e que começa a atropelar a economia mundial como uma avalanche – de uma beleza fundamental. Pronto. Você aí que leu estas primeiras palavras já está dizendo: “Ah, não... quem é esse ignorante pra falar uma asneira dessas?”. Sim, estimado e atormentado leitor, aqui vos fala um idiota econômico, alguém que não entende patavina sobre as oscilações do mercado financeiro, um jumento numerológico incapaz de operar uma planilha de Excel. Alguém que até bem pouco tempo sequer conhecia a taxa de juros de seu próprio cheque especial.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No entanto, o jumento aqui quer ver o circo financial pegar fogo com todos os palhaços, domadores e atiradores de faca ardendo de febre dentro do inevitável globo da morte capitalista. Este asno da retórica econômica torce para que esta seja uma crise definitva, diferentemente daquela dos anos 30, que não serviu para elucidar as almas mais pobres sobre o que está acontecendo na sua casa, o mundo. Pois o que está acontecendo, meu sorumbático amigo, é o evidente seguinte: o capitalismo fracassou. E só os bobos ainda não perceberam.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fracassou porque faz com que passemos a maior parte de nossa vidas dedicando-nos à construção de um patrimônio material que relega ao segundo plano a construção do patrimônio da amizade, da espiritualidade, do amor. Fracassou porque nos induz à busca por supostos segurança e conforto financeiros a qualquer custo, mesmo que este seja o custo da destruição do planeta, dos animais com os quais o dividimos e de nossos próprios corpos e mentes, sacrificados de forma tão vil pela pressa estúpida e pelos prazeres inconsistentes da vida moderna.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O socialismo também fracassou. Mas fracassou, entre outros motivos, por exigir a limitação da ganância de muitos e permitir assim o banquete ganancioso de poucos. Já o capitalismo, fracassou por promover e exigir a ganância desenfreada de todos. Os sinais de seu fracasso são sutis como o coice duma égua prenha na boca do estômago, como a invasão do Iraque na busca por petróleo ou o dedo amputado de uma madame no semáforo por causa do anel de diamante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É claro que numa grande crise econômica como a que está se anunciando, quem sai mais prejudicado é sempe o pobre, o miserável. Os ricos continuarão ricos e muitos deles ficarão ainda mais ricos às custas da miséria alheia. Mas dizem que existe sempre um lado positivo em toda crise, e, se existirá um lado bom aqui, este será justamente a oportunidade de percebermos como todos nos tornamos escravos da máquina capitalista. E quanto mais profunda for esta crise, maior será nossa capacidade de percepção e julgamento do grande fracasso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os homens de “sucesso” gostam de se referir àqueles que vivem à margem do sistema como perdedores, &lt;em&gt;losers&lt;/em&gt;, fracassados. Muito bem. Mas que grande sucesso é este senão o êxito em fazer girar a roda-gigante do consumo, da ambição e do caos que tanto contribuíram para o grande fracasso? Chegou a hora deles reverem este conceito e se perguntarem quem são os verdadeiros &lt;em&gt;losers&lt;/em&gt; do parque temático do capitalismo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Votei em Fernando Gabeira para prefeito do Rio e não acredito que ele tenha notado a realidade do grande fracasso. Se notou, não acredito que a vaidade lhe permita abrir a boca para tocar no assunto. Meu voto foi vítima da urgência ecológica por um peido oxigenado de esperança. Pretendo me registrar e votar em Barack Obama e sei que este nem mesmo cogita da possibilidade do grande fracasso que ulula radiante na &lt;em&gt;Wall Street&lt;/em&gt;, na &lt;em&gt;Main Street&lt;/em&gt; e nos becos escuros e enfumaçados. Este seria um voto contra a truculência e a imbecilidade perigosas de seus adversários, nada mais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escrevi este texto e sei que você, oh macambúzio mosquito atolado na graxa da engrenagem colossal, mesmo que tenha se dado conta do grande fracasso, pouco ou nada poderá fazer a respeito. Mas não importa. O que importa agora é enxergá-lo. O rei está nu e só os bobos não enxergaram, ainda. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Zé McGill&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;* Aqui uma outra visão sobre o grande fracasso. Vale o clique.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://video.google.com/videoplay?docid=-7568664880564855303" target="_blank" rel="nofollow"&gt;&lt;strong&gt;http://video.google.com/videoplay?docid=-7568664880564855303&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;** E aqui uma boa trilha sonora para a reflexão sobre o grande fracasso. A banda é do Novo México (EUA) e se chama Beirut. A música é &lt;em&gt;Post cards from italy&lt;/em&gt;. &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=RjzVbXeD_8E"&gt;&lt;strong&gt;http://www.youtube.com/watch?v=RjzVbXeD_8E&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3689334277767611765-7977780334732570724?l=revistafoda-se.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://revistafoda-se.blogspot.com/feeds/7977780334732570724/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3689334277767611765&amp;postID=7977780334732570724' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3689334277767611765/posts/default/7977780334732570724'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3689334277767611765/posts/default/7977780334732570724'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://revistafoda-se.blogspot.com/2008/10/o-grande-fracasso.html' title='O GRANDE FRACASSO'/><author><name>Revista Foda-se</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16958292788814484525</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_6KDne3Njd_g/SYBYcPCPbxI/AAAAAAAAAJI/UuNficiIY9U/S220/marrocos6.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_6KDne3Njd_g/SO0nIfzSPCI/AAAAAAAAAE4/fii8a3-ynug/s72-c/circo2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3689334277767611765.post-3614513615459728123</id><published>2008-09-10T20:53:00.008-03:00</published><updated>2008-09-12T19:54:31.876-03:00</updated><title type='text'>REVISTA FODA-SE RECOMENDA</title><content type='html'>&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/_6KDne3Njd_g/SMheL5JD-BI/AAAAAAAAAEw/EhelIclxMMI/s1600-h/Ear.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5244545324483344402" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://1.bp.blogspot.com/_6KDne3Njd_g/SMheL5JD-BI/AAAAAAAAAEw/EhelIclxMMI/s320/Ear.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;Semana passada fui convidado pelo pessoal do site Gafieiras para escrever uma coluna chamada CincoPrauma, na qual são sugeridas cinco músicas de artistas brasileiros – uma música para cada dia da semana. Gostei da idéia e me empolguei. Tanto, que resolvi colocar aqui na Foda-se outro texto sobre música logo em seguida ao texto do Radiohead, quebrando o costume de intercalar textos sobre música com textos sobre assuntos diversos. É isso aí... foda-se. Aqui não tem regra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando recebi o convite do Gafieiras, fiquei matutando sobre quais músicas escolheria. Eu poderia ter listado músicas de gente estabelecida, gênios como Moacir Santos, Chico Buarque, Tim Maia, Mutantes e Jorge Ben, mas optei por cinco das minhas músicas favoritas de bandas independentes nacionais e atuais. Portanto, aqui estão, não cinco, mas dez das minhas músicas prediletas dessa gente que rala a bunda no asfalto e dificilmente consegue viver de música. Limpe os ouvidos, clique nos links e perceba que tem muita gente fazendo som do bom por essas bandas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;1. Samba Dia&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Quem: Gabriel Muzak&lt;br /&gt;Disco: Bossa Nômade&lt;br /&gt;Gravadora/ano: Independente/2003&lt;br /&gt;Ouve isso: &lt;a href="http://www.myspace.com/gabrielmuzak"&gt;http://www.myspace.com/gabrielmuzak&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns conhecem o guitarrista e compositor Gabriel Muzak da finada banda The Funk Fuckers. Outros, mais ligados na cena contemporânea do rock nacional, o identificam como &lt;em&gt;front man&lt;/em&gt; do grupo carioca Rockz. Mas o trabalho mais legal do Muzak é o seu primeiro álbum solo, &lt;em&gt;Bossa Nômade. Samba Dia&lt;/em&gt; é a terceira faixa e sintetiza bem a onda do disco. O baixo esmagador e cheio de efeitos de Guila (Lenine) e a bateria malemolente de Lourenço Monteiro (Marcelo D2) seguem o clima diurno e dilacerado da letra, que avisa: “Seus limites, só você poderá descobrir”. Muzak é daqueles guitarristas que imprimem sua personalidade no instrumento. Daqueles que você escuta uma vez e depois reconhece o estilo em poucos segundos na próxima audição.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;2. Pode me Chamar&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Quem: Eddie&lt;br /&gt;Disco: Original Olinda Style&lt;br /&gt;Gravadora/ano: Independente/2002&lt;br /&gt;Ouve isso: &lt;a href="http://www.myspace.com/bandaeddie"&gt;http://www.myspace.com/bandaeddie&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Você vai cair na festa”, é o que vaticina o refrão de &lt;em&gt;Pode me Chamar&lt;/em&gt;, quarta faixa do segundo álbum da banda Eddie, uma das fundadoras do movimento mangue beat que surgiu em Pernambuco no início dos anos noventa. Essa dá vontade de abrir uma cerveja. Tem cheiro de reggae, gosto de frevo e parece maloqueiragem mas é uma singela e quase inocente celebração do mais genuíno alto-astral. É Original Olinda Style dos backing vocals das meninas do Comadre Fulozinha à programação sagaz da batida eletrônica.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;3. Meu Capuccino&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Quem: Canastra&lt;br /&gt;Disco: Traz a Pessoa Amada em 3 Dias&lt;br /&gt;Gravadora/ano: Monstro Discos/2006&lt;br /&gt;Ouve e olha isso: &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=j4ItDoNSlZ0"&gt;http://www.youtube.com/watch?v=j4ItDoNSlZ0&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Essa música do Canastra me lembra muito o som de um grupo da Carolina do Norte (EUA) chamado Squirrel Nut Zippers, que, se você ainda não conhece, está papando mosca. Assim como os gringos do SNZ, o Canastra (RJ) resgata um clima de cabaré que andava meio sumido. Em &lt;em&gt;Meu Capuccino&lt;/em&gt;, faixa do primeiro disco deles, Renato Martins (ex-Acabou La Tequila) canta sobre a solidão e diz que o seu melhor amigo é o capuccino. Mas a banda, que atualmente conta com Rodrigo Barba (Los Hermanos) na bateria, não deixa a tristeza chegar. Ela, aliás, passa longe, graças à linha de metais animada e a levada no estilo das big bands de jazz de New Orleans.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;4. O Pinto de Peitos&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Quem: Cidadão Instigado&lt;br /&gt;Disco: Cidadão Instigado e o Método Túfo de Experiências&lt;br /&gt;Gravadora/ano: Slag Records/2005&lt;br /&gt;Ouve isso: &lt;a href="http://www.myspace.com/cidadaoinstigado"&gt;http://www.myspace.com/cidadaoinstigado&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Certas coisa acontecem na vida não para assustar / Mas sim, para mudar o entendimento sobre as coisas absolutas”. Uma dessas “coisas” só pode ser o Cidadão Instigado, banda cearense atualmente instalada em São Paulo e liderada pelo guitarrista e compositor Fernando Catatau. &lt;em&gt;O Pinto de Peitos&lt;/em&gt; serve de trilha sonora tanto para uma viagem de ácido quanto para uma festinha de crianças no &lt;em&gt;playground&lt;/em&gt;. Aqui, a música nordestina encontra o rock quase progressivo numa encruzilhada que leva o ouvinte aos terrenos psicodélicos de Zé Ramalho, Mutantes, Pink Floyd e Balão Mágico. Esta é maravilhosamente escalafobética. E gruda na cabeça.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;5. Casal de Velhos&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Quem: Lasciva Lula&lt;br /&gt;Disco: 1ª Edição&lt;br /&gt;Gravadora/ano: Independente/2002&lt;br /&gt;Ouve isso (no link do disco na Last FM): &lt;a href="http://www.myspace.com/lascivalula"&gt;http://www.myspace.com/lascivalula&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Das dez músicas aqui sugeridas, esta é a mais rock. Aumente o volume e atente para a raiva ululante das guitarras e do vocal-cospe-sangue à la Black Francis (Pixies) no refrão. O Lasciva Lula nasceu em Cabo Frio, interior do estado do Rio, no final dos anos 1990. Pouco depois, mudou-se para a capital, onde, em poucos anos conquistou uma pequena massa de fãs ardorosos e fiéis. Os shows eram sempre lotados e a cidade ficava cheia de gente vestida com a camisa da bicicletinha, que era o símbolo da banda. Pena que eles não serão uma banda de velhos. Penduraram as guitarras no final do ano passado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;6. Para Abrir os Olhos&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Quem: Vanguart&lt;br /&gt;Disco: Vanguart&lt;br /&gt;Gravadora/ano: Independente/2007&lt;br /&gt;Ouve isso: &lt;a href="http://www.myspace.com/vanguart"&gt;http://www.myspace.com/vanguart&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já vi acusarem o Vanguart de pretensioso e tacharem o quinteto matogrossense de “nova Legião Urbana” etc. Tudo babaquice. O fato é que eles são uma das bandas mais legais a emergir da areia movediça do rock underground brasileiro nos últimos anos. Não é todo dia que sai de Cuiabá uma banda de folk rock influenciada por Bob Dylan e que sabe fazer belas canções pop com letras que não têm medo de soar cafona. &lt;em&gt;Para Abrir os Olhos&lt;/em&gt; tem clima de madrugada e termina com o voz doce de Helio Flanders anunciando a chegada da manhã. Talvez por isso tenha sido escolhida para fechar o disco. Destaque para o solo de guitarra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;7. Preciso Ser Pedra&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Quem: MoMo&lt;br /&gt;Disco: Buscador&lt;br /&gt;Gravadora/ano: Dubas/2008&lt;br /&gt;Ouve isso: &lt;a href="http://www.myspace.com/momoproject"&gt;http://www.myspace.com/momoproject&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar do meu daltonismo, acredito que toda música tem uma cor. &lt;em&gt;Preciso Ser Pedra&lt;/em&gt;, por exemplo, é cinza. Cinza de dia nublado, cinza da melancolia, cinza do exorcismo dos azedumes da vida. “Vaaai minha tristeza”, urra o MoMo no refrão como se abrisse a janela do quarto à procura do sol. Slides de guitarra, teclado Casiotone entorpecente e uma batida letárgica que, somados à candidez da interpretação do cantor, constroem um ambiente de cena em &lt;em&gt;slow motion&lt;/em&gt;. A formosura desta canção está em algum lugar no meio do caminho entre &lt;em&gt;Long, long, long&lt;/em&gt;, dos Beatles, e &lt;em&gt;Heart Shaped Box&lt;/em&gt;, do Nirvana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;8. Pepeu Baixou em Mim&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Quem: Do Amor&lt;br /&gt;Disco: Live at Hanoi Studio&lt;br /&gt;Gravadora/ano: Independente/2007&lt;br /&gt;Ouve isso: &lt;a href="http://www.myspace.com/doamor"&gt;http://www.myspace.com/doamor&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Do Amor é o novo barato de três dos integrantes da Carne de Segunda, falecida banda carioca que fazia um som nada ordinário, ao mesmo tempo parecido com os Novos Baianos e aquelas bandas de surf music das antigas tipo The Ventures e The Shadows. A sonoridade da nova banda está mais para Novos Baianos, o que fica atestado nesta espécie de tributo desleixado ao Pepeu Gomes. Desleixo, aliás, é o que cativa no som deles. Os caras fazem questão de não se levarem a sério, mas não se engane: aqui estão alguns dos músicos mais requisitados do pedaço. O baixista e o baterista são da banda do Caetano Veloso e o guitarrista era baixista do Los Hermanos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;9. Felicidade&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;Quem: SereS&lt;br /&gt;Disco: SereS&lt;br /&gt;Gravadora/ano: Independente/2005&lt;br /&gt;Ouve isso: &lt;a href="http://www.myspace.com/bandaseres"&gt;http://www.myspace.com/bandaseres&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegou a hora do jabá, porra! A banda SereS é cria do editor da Revista Foda-se. Foi formada em 2000 e tocou em quase todos os buracos quentes do Rio de Janeiro antes de encher o saco e anunciar para quase ninguém que faria uma pausa por tempo indeterminado em 2007. Segue um pequeno trecho de uma entrevista que nunca aconteceu, do Zé McGill para a revista Rolling Stone: “SereS é um palíndromo. Coisa fina. &lt;em&gt;Felicidade&lt;/em&gt; é a nona faixa do nosso disco e a minha favorita. Tem participações de B Negão e Pedrão Selector (trompete). A letra é inspirada nas letras do Cartola e a levada é meio caribenha. O refrão lembra mutantes, eu acho.”&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;10. Alto e Distante Daqui&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;Quem: Ultramen&lt;br /&gt;Disco: O Incrível Caso da Música que Encolheu e Outras Histórias&lt;br /&gt;Gravadora/ano: Sum Records/2002&lt;br /&gt;Ouve e olha isso: &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=-NLh4SqdSe0"&gt;http://www.youtube.com/watch?v=-NLh4SqdSe0&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pra fechar, um funk clássico do Ultramen – o septeto gaúcho que infelizmente se aposentou em 2008 após dezesseis anos de estrada e quatro álbuns que ficarão marcados nos anais do circuito de bandas independentes deste Brasil varonil. Como em todo funk clássico, aqui o groove é ditado pela linha de baixo, pela batida suingada e pelas convenções rítmicas. E encontra sua alma no vocal de Tonho Crocco. Tim Maia ficaria todo metido e orgulhoso se escutasse o couro de “Eu quero voaaaar sem avião”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Zé McGill&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;* Aqui o link para a coluna CincoPrauma no site Gafieiras: &lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;a href="http://www.gafieiras.com.br/Display.php?Area=Colunas&amp;amp;SubArea=Colunas&amp;amp;ID=251&amp;amp;IDEscritor=136&amp;amp;css=1"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;http://www.gafieiras.com.br/Display.php?Area=Colunas&amp;amp;SubArea=Colunas&amp;amp;ID=251&amp;amp;IDEscritor=136&amp;amp;css=1&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt; &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3689334277767611765-3614513615459728123?l=revistafoda-se.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://revistafoda-se.blogspot.com/feeds/3614513615459728123/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3689334277767611765&amp;postID=3614513615459728123' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3689334277767611765/posts/default/3614513615459728123'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3689334277767611765/posts/default/3614513615459728123'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://revistafoda-se.blogspot.com/2008/09/revista-foda-se-recomenda.html' title='REVISTA FODA-SE RECOMENDA'/><author><name>Revista Foda-se</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16958292788814484525</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_6KDne3Njd_g/SYBYcPCPbxI/AAAAAAAAAJI/UuNficiIY9U/S220/marrocos6.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/_6KDne3Njd_g/SMheL5JD-BI/AAAAAAAAAEw/EhelIclxMMI/s72-c/Ear.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3689334277767611765.post-1805026737728997079</id><published>2008-08-29T12:41:00.006-03:00</published><updated>2008-08-29T18:32:44.569-03:00</updated><title type='text'>RADIOHEAD EM SÃO FRANCISCO</title><content type='html'>&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/_6KDne3Njd_g/SLgdfog-NYI/AAAAAAAAAEo/nkM3zfRTASU/s1600-h/radiohead.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5239970595734435202" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://3.bp.blogspot.com/_6KDne3Njd_g/SLgdfog-NYI/AAAAAAAAAEo/nkM3zfRTASU/s320/radiohead.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Assisti a um show do Radiohead em Barcelona, há dois meses, no festival Daydream. Saí meio puto da vida porque esperava escutar alguns sucessos como &lt;i&gt;My iron lungs&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;Fake plastic trees&lt;/i&gt; ou &lt;i&gt;Karma Police&lt;/i&gt;, que não constavam no setlist. Por outro lado, fiquei com a batida e o vocal de &lt;i&gt;Weird Fishes&lt;/i&gt; – do novo álbum, &lt;i&gt;In rainbows&lt;/i&gt; - na cabeça por uma semana. Quando cheguei em casa, baixei o disco e me viciei. Dali em diante, foram dois meses de expectativa pelo show no Outsidelands Festival, em São Francisco, Califórnia, na última sexta-feira, dia 22 de agosto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parei de acompanhar a carreira do Radiohead no início deste século, quando a banda lançou &lt;i&gt;Kid A&lt;/i&gt;, seu quarto álbum, e passou a priorizar o experimentalismo eletrônico e uma complexidade excêntrica nas composições, deixando de lado sua sensível capacidade de produzir baladas grudentas e rocks vigorosos da melhor qualidade. Continuo achando &lt;i&gt;Kid A&lt;/i&gt; (2000) uma chatice, com raras exceções, o sucessor, &lt;i&gt;Amnesiac&lt;/i&gt; (2001), fraco, e &lt;i&gt;Hail to the thief&lt;/i&gt; (2003), uma bosta.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No ano passado, porém, os caras voltaram com tudo e chamaram a atenção de todo mundo que se interessa por música. Numa estratégia de marketing que deixou a indústria fonográfica com o cu na mão, eles lançaram &lt;i&gt;In rainbows&lt;/i&gt; na internet sugerindo que o público baixasse o álbum pelo preço que achasse justo pagar. Disso, quase todo mundo já sabe. O que nem todo mundo percebeu ainda é que &lt;i&gt;In rainbows&lt;/i&gt; é, ao lado de &lt;i&gt;OK computer&lt;/i&gt; (1997), o melhor disco da carreira do quinteto de Oxford.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Após estréia fonográfica apenas regular com &lt;i&gt;Pablo honey&lt;/i&gt; (1993), a banda amadureceu em &lt;i&gt;The bends&lt;/i&gt; (1995) e chegou perto da sua obra-prima com &lt;i&gt;Ok computer&lt;/i&gt;. Mas depois o negócio desandou. Até hoje me pergunto como pôde o mesmo grupo de pessoas que compôs clássicos como &lt;i&gt;Paranoid android&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;High and dry&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;No surprises&lt;/i&gt; ter cometido diarréias sonoras como &lt;i&gt;2+2=5&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;The gloaming&lt;/i&gt; ou &lt;i&gt;The national anthem&lt;/i&gt;. É admirável a capacidade que esses caras possuem de soarem geniais em um momento e cretinos no minuto seguinte. E o show deles é mais ou menos assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Só que o repertório do novo show é baseado no genial &lt;i&gt;In rainbows&lt;/i&gt;. Portanto, os momentos de cretinice são escassos. Tanto em Barcelona quanto em São Francisco eles tocaram noventa por cento do repertório do disco novo ao vivo. A diferença entre os dois shows foi que, em São Francisco, rolaram todos aqueles hits citados no primeiro parágrafo. Só faltou mesmo &lt;i&gt;Creep&lt;/i&gt;, que parece ter se tornado uma espécie de &lt;i&gt;Anna Júlia&lt;/i&gt; do Radiohead e raramente é executada em shows.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O show de São Francisco aconteceu no Golden Gate Park, no primeiro dia do festival Outsidelands. Antes da atração principal, pude conferir 20 minutos do show do Manu Chao e corri para pegar uma hora do show do Beck, em outro palco, com direito a &lt;i&gt;Loser&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;Devil’s haircut&lt;/i&gt;. Bom show. Melhor que aquele do Rock in Rio de 2001. Mas precisei cair fora antes do fim para garantir um lugar na multidão que se amontoava em frente ao palco principal à espera do Radiohead. A noite caía sobre o parque e eu ainda corria pelo gramado, desviando de alguns nativos obesos com seus &lt;i&gt;hot dogs&lt;/i&gt; e suas cervejas de sete dólares nas mãos, quando escutei de longe as batidas de &lt;i&gt;15 step&lt;/i&gt;, a mesma música que abriu o show de Barcelona.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não sou PM e não tenho o talento sobrenatural de avaliar os números de uma multidão assim, só de olhar. Mas havia pelo menos cinquenta mil pessoas ali e o que pude ver do palco foi o Thom Yorke do tamanho da unha do meu dedo mindinho. O que salvou foi o telão, que era dividido em quatro quadros, sempre focalizando um dos músicos em cada quadro. O show seguiu com &lt;i&gt;Reckoner&lt;/i&gt; e um som apenas razoável para um festival de primeiro mundo. Em seguida veio a introdução do clássico &lt;i&gt;Airbag&lt;/i&gt; e urros de delírio da multidão. Só que, de repente, o festival de primeiro mundo pagou mico. Houve um estalo seco e o som do P.A. sumiu completamente por cerca de dois minutos. Ouvi alguém da platéia reclamar: “That was not cool”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois o som voltou e tudo correu bem até que surgiram no setlist as sofríveis &lt;i&gt;The national anthem&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;The gloaming&lt;/i&gt;. Para minha sorte, durante esta última, aconteceu de novo: no meio da música, falha no sistema de som e silêncio total. Desta vez foi legal. Foi &lt;i&gt;cool&lt;/i&gt;. O melhor silêncio que escutei em meses, ofuscado apenas por algumas vaias educadas. E durou quase a música inteira, aquele silêncio. O som voltou quando a banda tocava o último acorde. Perfeito. Fiquei rindo sozinho, imaginando que o técnico de som, entediado, houvesse desplugado os cabos propositalmente. O Thom Yorke ficou estressado. Chegou no microfone e esbravejou: “Sorry. I don’t know what the fuck is going on”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o show continuou com uma sequência matadora: &lt;i&gt;Weird fishes&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;Idioteque&lt;/i&gt;, &lt;i&gt;Karma police&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;Jigsaw falling into place&lt;/i&gt;. Pronto, valeu o ingresso. Olhei em volta e comecei a perceber porque é que se diz por aí que o Radiohead é hoje a maior banda de rock do mundo. Os cinquenta mil presentes acompanhavam Thom Yorke e cantavam juntos a maioria das letras, assim como aconteceu em Barcelona. A performance do vocalista, em transe numa dança esquizofrênica, por alguns instantes lembrou o jeitão esquisito do finado Ian Curtis (Joy Division). O adolescente que estava ao meu lado fez uma observação divertida a respeito de Yorke: “I think this dude is retarded” (acho que esse cara é retardado). E, olhando aquele ataque semi-epiléptico no centro palco, ficou difícil discordar do garoto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao mesmo tempo, é difícil discordar de quem diz que o Radiohead é hoje a maior e melhor banda de rock do mundo. Thom Yorke (vocal e guitarra), Ed O’Brien (guitarra e vocal), Jonny Greenwood (guitarra), Colin Greenwood (baixo), e Phil Selway (bateria) sabem criar clima como poucos e a superioridade técnica deles como músicos é evidente. Fora isso, eles acabaram de lançar um disco que é simplesmente fodão e têm o melhor cantor de rock da atualidade. Thom Yorke canta muito e estava inspirado em São Francisco. O ponto alto dele foi em &lt;i&gt;Nude&lt;/i&gt; – uma das boas faixas de &lt;i&gt;In rainbows&lt;/i&gt; – quando hipnotizou até os esquilos do parque soltando sua bela voz de mancebo revoltado e deprimido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se você é fã incondicional de Radiohead, é provável que não tenha chegado até este último parágrafo. Talvez esteja aí, do outro lado da tela do computador, segurando uma pedra portuguesa e com uma vontade grande de atirá-la na minha cara. Só porque eu chamei o Thom Yorke de retardado e mancebo deprimido e porque eu acho aqueles três discos da banda um porre. Entretanto, se você não chegou até aqui, não saberá que no bis eles tocaram &lt;i&gt;Paranoid android&lt;/i&gt; e &lt;i&gt;Fake plastic trees&lt;/i&gt; e encerraram a apresentação com a melhor música do &lt;i&gt;Kid A&lt;/i&gt;: &lt;i&gt;Everything in its right place&lt;/i&gt;. Não saberá também que os shows de Barcelona e São Francisco e, especialmente, o novo disco, &lt;i&gt;In rainbows&lt;/i&gt;, me fizeram voltar a gostar do Radiohead. E me convenceram de que, de fato, eles são hoje a maior e melhor banda de rock do mundo.&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;Zé McGill&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;* Pra quem ainda não conhece o clássico instantâneo &lt;i&gt;Weird fishes&lt;/i&gt;, aqui está o vídeo no Youtube: &lt;/strong&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=FcANFVcJeOM"&gt;&lt;strong&gt;http://www.youtube.com/watch?v=FcANFVcJeOM&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;** E aqui um vídeo que registra o apagão sonoro no meio de &lt;i&gt;Airbag&lt;/i&gt;, no show de São Francisco: &lt;/strong&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=qH_3p1hAbWk"&gt;&lt;strong&gt;http://www.youtube.com/watch?v=qH_3p1hAbWk&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;*** Esta resenha foi publicada no Portal Rock Press. Confira: &lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://www.portalrockpress.com.br/modules.php?name=News&amp;amp;file=article&amp;amp;sid=2936"&gt;&lt;strong&gt;http://www.portalrockpress.com.br/modules.php?name=News&amp;amp;file=article&amp;amp;sid=2936&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3689334277767611765-1805026737728997079?l=revistafoda-se.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://revistafoda-se.blogspot.com/feeds/1805026737728997079/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3689334277767611765&amp;postID=1805026737728997079' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3689334277767611765/posts/default/1805026737728997079'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3689334277767611765/posts/default/1805026737728997079'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://revistafoda-se.blogspot.com/2008/08/radiohead-em-so-francisco.html' title='RADIOHEAD EM SÃO FRANCISCO'/><author><name>Revista Foda-se</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16958292788814484525</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_6KDne3Njd_g/SYBYcPCPbxI/AAAAAAAAAJI/UuNficiIY9U/S220/marrocos6.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/_6KDne3Njd_g/SLgdfog-NYI/AAAAAAAAAEo/nkM3zfRTASU/s72-c/radiohead.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3689334277767611765.post-4863294811671577651</id><published>2008-08-07T00:59:00.005-03:00</published><updated>2008-08-07T21:20:26.784-03:00</updated><title type='text'>O CAVALO DA TECNOLOGIA</title><content type='html'>&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/_6KDne3Njd_g/SJpzOSZ8OtI/AAAAAAAAAEY/LNtm70BMRUY/s1600-h/wild_horse_ii.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5231620606440258258" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://2.bp.blogspot.com/_6KDne3Njd_g/SJpzOSZ8OtI/AAAAAAAAAEY/LNtm70BMRUY/s320/wild_horse_ii.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;Acho um saco esse papo de tecnologia. Pra mim, &lt;em&gt;bluetooth&lt;/em&gt; é cárie, banda larga é bunda grande e &lt;em&gt;firewall&lt;/em&gt; é assunto para o corpo de bombeiros. Mas, além de me entediar, a tecnologia me assusta. Ela está tornando o ser humano cada vez mais superficial e individualista. A criança contemporânea brinca cada vez menos na rua e passa cada vez mais tempo com a cara grudada na tela do computador. Pessoas constroem relações de amizade e amor através de cabos de fibra ótica, muitas vezes sem sequer terem trocado um olhar. Fico me perguntando aonde isso tudo vai parar, mesmo sabendo que isso tudo não vai parar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Evoluir é uma necessidade natural do homem? Ok, pode ser. Mas o homem também tem bom senso e sensibilidade, ou não? Está na moda militar contra o aquecimento global e a poluição, o que é ótimo (e vital), mas ninguém parece perceber as ameaças do avanço desembestado da tecnologia. Quando a poluição começa a ameaçar a saúde, eles não criam o rodízio de automóveis, os filtros de chaminés? Pois então, por que não utilizar o bom senso para decretar uma freada na corrida alucinada do cavalo da tecnologia? É, eu vejo a tecnologia como um cavalo raivoso de olhos vermelhos esbugalhados que cavalga espumando pelos cantos da boca, soltando fumaça pela narina e atropelando tudo que cruza o seu caminho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado, reconheço que alguns dos avanços tecnológicos proporcionam coisas boas. Sem eles, não existiriam o MP3, nem as redes de P2P (troca de arquivos digitais) – a melhor invenção dos últimos anos. Não existiriam o Youtube, o rádio, os amplificadores, as guitarras, o cinema, as transmissões ao vivo de futebol pela TV. Sei de tudo isso. E sei também que não existiria este blog. Talvez a Revista Foda-se nunca tivesse nascido. Mas quando penso na clonagem de animais e seres humanos, no culto à música eletrônica movido a drogas sintéticas, na indústria bélica, na bomba atômica, na mira laser, no Big Brother em que as metrópoles monitoradas por câmeras estão se tornando e na Cora Rónai (a colunista &lt;em&gt;nerd&lt;/em&gt; de O Globo), sinto que a coisa está fora de controle. Deu &lt;em&gt;tilt&lt;/em&gt; no sistema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguém dirá que a tecnologia não tem culpa, que o culpado é sempre o homem, que a utiliza de forma mesquinha e egoísta. Eu discordo. Acho que, assim como o dinheiro, a tecnologia pode ter vida e alma próprias. E, assim como o dinheiro, ela pode sim influenciar o comportamento do ser humano. Pode mudar conceitos, transformar tradições e culturas, criar vícios nocivos. E pode até contribuir com o fim de namoros e casamentos. É impressionante o número de casais desfeitos com a ajuda da Internet. Conheço vários casos de relacionamentos que terminaram com a descoberta de um e-mail ou de uma mensagem suspeita no Orkut. É cada vez mais comum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A nossa geração, e as próximas duas ou três, poderiam viver muito bem com o que temos hoje, sem que nada mais fosse inventado. E poderia viver melhor ainda se algumas invenções recentes fossem eliminadas do nosso dia-a-dia. Não digo isso com o ressentimento de um ancião que perdeu o seu posto de trabalho para uma máquina, ou coisa que o valha. Trabalhei durante cinco anos na área de teconologia dentro de gravadoras. Fui responsável pelos sites e pelos novos negócios que envolvem a música. Acompanhei de perto a queda da venda de CDs e o surgimento das mídias digitais, da venda de arquivos de música através da Internet e dos telefones celulares. E encho a boca pra dizer: pedi demissão porque, entre outros motivos, este negócio perdeu a graça. Pelo menos para mim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O negócio das gravadoras perdeu a graça porque a tecnologia acabou com o tesão do consumidor pelo ato da compra de música. Durante boa parte da minha vida, um dos maiores prazeres que tinha era entrar numa loja de discos, olhar as prateleiras cheias de vinis ou CDs, pegar um disco nas mãos e admirar a capa. Depois, era levar o disco pra casa, colocá-lo para tocar e ler o encarte com as letras e a ficha técnica. Isso tudo criava um clima que não se cria mais com as lojas de música digital na Internet ou nos telefones celulares. Hoje, o processo é frio demais. Automático demais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Até o sexo está ficando automático. Nunca se bateu tanta punheta no planeta Terra quanto após o advento da Internet. Antigamente, a masturbação era patrocinada pela imaginação ou pelas fotos de revistas. Hoje, todo mundo faz sexo com a tela do computador. Taxistas, atletas, porteiros, maquiadores, executivos, presidentes. Todos têm o seu site de sacanagem predileto. O seu chefe também. Seu filho idem. Até a sua mãe vê putaria na rede! E, a princípio, não há nada de errado com isso. Mas a coisa pode ficar perigosa, porque nunca foi tão fácil se viciar em masturbação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A ganância, a ira, a inveja, o ciúme, a perversão, a violência e outras maravilhas tão antigas quanto estas nunca estiveram tão bem acompanhadas. O dinheiro e o cavalo da tecnologia estão prontos para equipá-las. Outro dia me disseram que eu tenho alma de &lt;em&gt;hippie&lt;/em&gt;. Talvez seja verdade, mas podem anotar aí: o dinheiro e o cavalo da tecnologia serão responsáveis pelo fim da humanidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Zé McGill&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;* Como prova de nosso apreço pelas coisas boas proporcionadas pela tecnologia, a partir de agora, toda postagem da Revista Foda-se terá um vídeo de música do Youtube. O escolhido da semana é o clipe da música &lt;i&gt;Jailer&lt;/i&gt;, da cantora franco-nigeriana Asa. Clique no link abaixo.&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=Sh2vqnok1OA"&gt;&lt;strong&gt;http://www.youtube.com/watch?v=Sh2vqnok1OA&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3689334277767611765-4863294811671577651?l=revistafoda-se.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://revistafoda-se.blogspot.com/feeds/4863294811671577651/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3689334277767611765&amp;postID=4863294811671577651' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3689334277767611765/posts/default/4863294811671577651'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3689334277767611765/posts/default/4863294811671577651'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://revistafoda-se.blogspot.com/2008/08/o-cavalo-da-tecnologia.html' title='O CAVALO DA TECNOLOGIA'/><author><name>Revista Foda-se</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16958292788814484525</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_6KDne3Njd_g/SYBYcPCPbxI/AAAAAAAAAJI/UuNficiIY9U/S220/marrocos6.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/_6KDne3Njd_g/SJpzOSZ8OtI/AAAAAAAAAEY/LNtm70BMRUY/s72-c/wild_horse_ii.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3689334277767611765.post-6642330720881684936</id><published>2008-07-25T23:54:00.008-03:00</published><updated>2008-07-26T12:07:57.279-03:00</updated><title type='text'>JANELA INDISCRETA</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_6KDne3Njd_g/SIqSINa5K0I/AAAAAAAAAEQ/00tPtr3jXcI/s1600-h/janela2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5227150987255950146" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_6KDne3Njd_g/SIqSINa5K0I/AAAAAAAAAEQ/00tPtr3jXcI/s320/janela2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Suspense. Nos últimos anos, o Campeonato Brasileiro de Futebol devolveu ao público, aos jogadores e a todos os envolvidos com o esporte bretão o velho complexo de vira-latas. E o medo. Se o tal complexo percebido por Nelson Rodrigues havia sido enterrado após a conquista da Copa de 1958, ele acaba de ser exumado, cinquenta anos depois. Ou não seria um campeonato de vira-latas aquele em que o maior medo do torcedor é perder o craque do seu time para a janela indiscreta de negociações com o futebol europeu? Aliás, futebol europeu, asiático, adriático, polar, aborígene, talibã...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Me lembro bem – e com pesar – da noite em que o Vasco tirou o Bebeto do Flamengo. Corria o ano de 1989 e eu era um moleque esquelético e orelhudo que começava a acompanhar atentamente o dia-a-dia do meu time. Talvez tenha sido meu período mais doentio como torcedor, ali pelos doze anos de idade. Passava as noites escutando o programa Panorama Esportivo, da Rádio Globo, das dez à meia-noite.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ao final de uma das edições do Panorama, já perto da madrugada, chegou a notícia fulminante, na voz enfática do Élcio Venâncio: “O Vasco anuncia a contratação de Bebeto!”. Sempre que me lembro de alguma notícia trágica sobre futebol, lá está a figura caxias de Élcio Venâncio. E ele anunciou a venda do Bebeto como um repórter policial anuncia um assassinato de figurão em terreno baldio. Esse era sempre o tom dele. Onde andará Élcio Venâncio?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas, voltando à tragédia do Bebeto, dormi mal naquela noite. A notícia doeu nas entranhas. E no dia seguinte, quando cheguei no colégio, os amigos vascaínos infernizaram meus ouvidos com a comemoração ovante. O Bebeto era chorão, acreditava em Papai Noel e no Saci Pererê, mas era craque. E a venda dele para o maior rival do Flamengo foi o meu primeiro trauma em termos de perda de ídolos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas a diferença daquela negociação – e de tantas outras que ganharam manchetes até o final do século passado – para as negociações de hoje, era que o negócio só se concretizava depois que o jogador estivesse estabelecido como ídolo de uma torcida. O Zico, por exemplo, só foi vendido para a Udinese depois de disputar duas Copas do Mundo, já beirando os trinta anos de idade. Hoje, é bem diferente. Qualquer Marcinho arruma as malas antes mesmo da metade da competição se for o artilheiro do campeonato. E não precisa ser artilheiro de nada, não. Se você for o zagueiro reserva do reserva do Flamengo e tiver um bom empresário, pode ir parar no Belenenses, de Portugal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, quem se lembra do Bujica, aquele centroavante rubro-negro que gostava de balançar as redes vascaínas na década de 80? Foi vendido pro estrangeiro? Nunca. Mas se jogasse hoje, teria boas chances de ir parar na Ucrânia. E o Berg, do Botafogo? Hoje, seria o camisa dez do Galatassaray, da Turquia. Fácil. O Biro-Biro não teria tido tempo de se tornar ídolo da Gaviões da Fiel. Na primeira roubada de bola em jogo contra o XV de Piracicaba, seria levado para as Arábias. Aliás, a famosa democracia corinthiana não teria existido. Hoje, só há lugar para a ditadura do dinheiro. Na vida e no futebol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acabo de ler no jornal que um tal de Philippe Coutinho, do Vasco, foi vendido para a Inter de Milão. Tem dezesseis anos, o moleque. Ainda fede a talquinho de neném e deve frequentar festinhas de playground, onde se empanturra com delícias juvenis como o cajuzinho. E o pior: os paneleiros lusitanos ainda nem tiveram a chance de ver o garoto jogar. Não vai doer nada no coração do torcedor. E aí é que está a tragédia: ninguém vai sofrer com a perda do eventual craque de bola. Ninguém vai chorar. Ninguém chora mais pela perda do ídolo. Mas hão de lembrar do mancebo cruzmaltino quando este despontar como revelação tupiniquim pelos gramados do velho continente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pergunto, então: - Como torcer por um time brasileiro de futebol em 2008? Como torcer pelo Fluminense sabendo que os dois Thiagos vão embora antes do fim do campeonato? Como torcer pelo Flamengo se o único que admite ficar até o fim é o técnico Harry Potter? Como torcer pelo Grêmio se o craque (?) do time, Roger, decide, da noite para o dia, que vai jogar no Qatar (!), e vai embora sem se despedir dos companheiros? Como torcer diante do desdém e da falta de credibilidade? Como torcer com medo de que o melhor jogador do seu time resolva abrir a janela de transferências e saltar para o abismo da prosperidade? Como torcer nesse clima de suspense e medo à la Alfred Hitchcock?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O melhor negócio é virar &lt;em&gt;voyeur&lt;/em&gt;, feito o personagem do James Stewart (o ator do filme &lt;em&gt;Janela indiscreta&lt;/em&gt;). Faça como ele. Arrume uma perna quebrada, coloque nela um gesso pesado, sente na poltrona e espreite o seu time pela televisão com muita suspeita e desconfiança porque amanhã ele pode ser vítima de mais um assassinato a que você espreita pela janela. A indiscreta, a medonha, a hedionda janela de transferências.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;Zé McGill&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3689334277767611765-6642330720881684936?l=revistafoda-se.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://revistafoda-se.blogspot.com/feeds/6642330720881684936/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3689334277767611765&amp;postID=6642330720881684936' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3689334277767611765/posts/default/6642330720881684936'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3689334277767611765/posts/default/6642330720881684936'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://revistafoda-se.blogspot.com/2008/07/janela-indiscreta.html' title='JANELA INDISCRETA'/><author><name>Revista Foda-se</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16958292788814484525</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_6KDne3Njd_g/SYBYcPCPbxI/AAAAAAAAAJI/UuNficiIY9U/S220/marrocos6.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_6KDne3Njd_g/SIqSINa5K0I/AAAAAAAAAEQ/00tPtr3jXcI/s72-c/janela2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3689334277767611765.post-1469788187824322766</id><published>2008-07-12T03:10:00.006-03:00</published><updated>2008-07-12T03:39:52.493-03:00</updated><title type='text'>A   Z   E   I   T   O   N   A</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_6KDne3Njd_g/SHhLSI6E4uI/AAAAAAAAAEI/_xvze7BMs24/s1600-h/hiena.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5222006542936892130" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_6KDne3Njd_g/SHhLSI6E4uI/AAAAAAAAAEI/_xvze7BMs24/s320/hiena.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Foda-se o Centro da Cidade do Rio de Janeiro e o seu caos de formigueiro quente, cinza, feio, fétido. Fodam-se a Avenida Rio Branco e a Presidente Vargas. Fodam-se a Cinelândia, o Amarelinho e o &lt;em&gt;glamour&lt;/em&gt; do Theatro Municipal. Foda-se a Confeitaria Colombo e toda sua tradição em quitutes. Fodam-se os tribunais, fóruns e escritórios; ad&lt;strong&gt;e&lt;/strong&gt;vogados, homens-de-negócio e despachantes. Fodam-se o terno e a gravata. Foda-se a Igreja da Candelária. E foda-se também a Academia Brasileira de Letras, que não reconhece a expressão “&lt;strong&gt;foda-se&lt;/strong&gt;” como a melhor e mais transcendental da língua portuguesa.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se o Robert De Niro ainda fosse o Taxi Driver e vivesse no Rio de Janeiro, diria isso tudo que está escrito aí em cima sobre o Centro. E mais um pouco. Diria que o Centro é a escória da Terra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O Centro do Rio, praticamente, é um cemitério. Os prédios são a lápide da sepultura de muita gente. Uns morrem aos pouquinhos na Rua da Assembléia número dez, outros padecem macambúzios no Edifício Avenida Central. Os patrões são os coveiros e o computador é a cruz que acompanha os escaveirados das nove da manhã às cinco da tarde. Flores, só para os futuros presuntos que trabalhem num escritório cheio de estagiárias gostosas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toda vez que caminho pelas ruas do Centro, sinto meus ossos apodrecerem, meus cabelos embranquecerem. Trabalhei ali algumas vezes e... nunca mais. Outro dia fui obrigado a voltar ao Centro após alguns bons meses de ausência. Sim, para resolver problemas de ordem estritamente burocrática, como de praxe. Hoje, só piso lá quando sou obrigado. Ou quando é para comprar contrabando no camelódromo da Uruguaiana. Atenção. Observação: Já escrevi a palavra "centro" em demasia neste texto. Por isso, no próximo parágrafo, centro será azeitona.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Toda cidade tem suas esquisitices. Em Londres, uma das atrações turísticas de maior sucesso é a trilha dos assassinatos cometidos por Jack, o Estripador. Com direito a um guia tradutor e tudo, pelas ruas de Whitechapel. Em Marraqueche, na praça Jemaa el-Fna (a maior praça do continente africano), os caras brincam de provocar a Naja, a serpente mais peçonhenta do mundo, tocando clarinete e metendo um pandeiro na cara do animal. Em Los Angeles, existe um vale chamado São Fernando, que fica a meia hora da azeitona, e é conhecido pela simpática alcunha de “Cidade do Pecado”. É a Hollywood do cinema pornô. A capital mundial da sacanagem!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguém dirá que a maior esquisitice da Cidade Maravilhosa (cheia de cantos mil) é o Estádio de São Januário, na Barreira do Vasco. Mas não. No quesito esquisitice, o campo dos paneleiros bigodudos é... vice-campeão. O título de maior bizarrice carioca vai para o Centro da Cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aliás, todo centro de cidade grande é desagradável, mas o que potencializa a escrotidão do Centro do Rio é a beleza natural que está a seu redor. Sinceramente, não entendo como é que alguém consegue encher a boca pra dizer: "Eu adoro o Centro. Adoro tomar um chope no Centro depois do trabalho". Pra mim, quem diz isso é hiena: come merda e ri.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Zé McGill&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3689334277767611765-1469788187824322766?l=revistafoda-se.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://revistafoda-se.blogspot.com/feeds/1469788187824322766/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3689334277767611765&amp;postID=1469788187824322766' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3689334277767611765/posts/default/1469788187824322766'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3689334277767611765/posts/default/1469788187824322766'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://revistafoda-se.blogspot.com/2008/07/z-e-i-t-o-n.html' title='A   Z   E   I   T   O   N   A'/><author><name>Revista Foda-se</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16958292788814484525</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_6KDne3Njd_g/SYBYcPCPbxI/AAAAAAAAAJI/UuNficiIY9U/S220/marrocos6.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_6KDne3Njd_g/SHhLSI6E4uI/AAAAAAAAAEI/_xvze7BMs24/s72-c/hiena.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3689334277767611765.post-7917062384896877787</id><published>2008-07-01T23:02:00.008-03:00</published><updated>2008-07-01T23:29:11.734-03:00</updated><title type='text'>O SHOW DO ANO</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_6KDne3Njd_g/SGrj_IuIldI/AAAAAAAAAEA/jwffY7xWBXU/s1600-h/nysje.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5218233792074388946" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_6KDne3Njd_g/SGrj_IuIldI/AAAAAAAAAEA/jwffY7xWBXU/s320/nysje.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;The Skatalites, a melhor banda de ska do mundo, passou pelo Brasil recentemente e não tocou no Rio. Teve gente se lamentando e gente matando o trabalho e a faculdade para ir até São Paulo ou Brasília conferir o show dos jamaicanos. Eu fiquei. Lamentei, reclamei, proferi adjetivos não muito carinhosos aos responsáveis pela turnê dos caras e depois esqueci. Só que aí disseram que o New York Ska Jazz Ensemble, a segunda melhor banda de ska do mundo, tocaria na cidade. Taí então o consolo, pensei. Consolo... porra nenhuma. Foi o show do ano!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A gente percebe logo que um show merece atenção quando os caras que pisam no palco já passaram da casa dos quarenta anos de idade. Se os caras misturam ska com jazz, rock e reggae e são de Nova Iorque... aí então dá pra desconfiar que o bagulho vai ser realmente quente. E foi. O Teatro Odisséia, local que abrigou o bacanal ska-jazzístico, estava lotado. Raramente se vê uma fila daquele tamanho na porta da casa de shows carioca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Rocksteady” Freddie Reiter (saxofone, flauta, vocal) é o coroa meio-careca-meio-grisalho que comanda a banda com um jogo de pernas malemolente e sapatos bicolores. Ele é o único remanescente da formação original do NYSJE. E é ele quem anuncia em inglês: “Nós somos o New York Ska Jazz Ensemble. Rio, vocês estão prontos?”. Começava ali um show que, para mim, ainda não acabou. Estão rolando até agora, aqui dentro da caixola craniana, os ecos do saxofone do “Rocksteady” e do trombone do Mark Pakin – o sósia parrudo do Tom Waits.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O setlist passeou pela carreira da banda e privilegiou seus três primeiros – e melhores - álbuns: &lt;em&gt;New York Ska Jazz Ensemble&lt;/em&gt; (1995), &lt;em&gt;Low Blow&lt;/em&gt; (1997) e &lt;em&gt;Get This&lt;/em&gt; (1998). Nos discos, o NYSJE costuma escolher alguns clássicos do jazz e transformá-los, apimentando a coisa com tempero jamaicano. Quem foi ao Teatro Odisséia viu o que eles fazem com standards como &lt;em&gt;Mood Indigo&lt;/em&gt; (Bigard/Ellington/Mills), &lt;em&gt;Harlem Nocturne&lt;/em&gt; (Earle Hagen) e &lt;em&gt;Haitian Fight Song&lt;/em&gt; (Charles Mingus). Esta última, alías, foi um dos momentos delirantes da noite. A música, que no original de Mingus já soa como um tributo à cocaína tamanha a aceleração dos compassos, com o NYSJE ganha ainda mais cor e energia. Bob Marley &amp;amp; The Wailers também foram homenageados, com uma versão mais cadenciada de &lt;em&gt;Love and Affection&lt;/em&gt;, faixa dos primórdios do grupo de Kingston.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o New York Ska Jazz Ensemble não vive só de releituras. O repertório autoral da banda é matador e o público carioca foi presenteado com &lt;em&gt;Joelle&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Low Blow&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Midnite Crazier&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Montalvo&lt;/em&gt;, entre outras. De quebra, foram apresentadas algumas faixas do disco novo, &lt;em&gt;Step Forward&lt;/em&gt;, que ainda nem foi lançado oficialmente. E, claro, como acontece em 90% dos shows gringos no Rio de Janeiro, teve que rolar um jabazinho maroto: solo de &lt;em&gt;Desafinado&lt;/em&gt; (Tom Jobim) no saxofone.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No palco, além do “Rocksteady” e do sósia parrudo do Tom Waits, estavam Yao Dinizulu (bateria), Earl Appleton (teclados), Alfred Wayne Batchelor (baixo) e Alberto Tarin (guitarra). Este último, se empolgava cada vez que “Rocksteady” anunciava: “Na guitarra, Alberto Tarin, de Valencia, Espanha”. E, na empolgação, o Alberto mandou uns solos que às vezes destoavam do clima. Chegou até a citar o solo de &lt;em&gt;Oye Como Va&lt;/em&gt;, do Santana, no meio de uma música.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Caralho! Eu esperei dez anos por esse show!”, foram as palavras que soltou B Negão ao pisar visivelmente emocionado no palco do Teatro Odisséia para participar do bizz mandando rap freestyle em cima da inacreditável &lt;em&gt;Buttah&lt;/em&gt;. Entre uma e outra frase dos metais, “Rocksteady” dava um tapinha nas costas e fazia sinal com a cabeça pra que o Negão entrasse na roda. Ninguém conseguiu ficar parado. Sabe aquele lance de por alguns minutos voltar a ser criança? Sabe como é passar um show inteiro com um sorriso debilóide colado na cara, com os dentes à mostra? Pois é. Tipo isso. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Cheguei em casa com o tênis todo pisado e a camisa ensopada de suor. Liguei o som e acordei uma vizinha velha com a música do NYSJE. Até agora, em 2008, passaram pelo Rio de Janeiro os shows de Ozzy Osbourne, Rod Stewart e até Bob Dylan. Mas, por enquanto, o show de domingo do New York Ska Jazz Ensemble no Teatro Odisséia leva o meu troféu de show do ano. Foi daqueles que entram pra lista dos melhores shows da vida de alguém.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Zé McGill&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;* Aqui estão os links para dois vídeos do show do NYSJE no Teatro Odisséia:&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://youtube.com/watch?v=d52E8udnG2o"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;http://youtube.com/watch?v=d52E8udnG2o&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=VGnqcG7eK2k"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;http://www.youtube.com/watch?v=VGnqcG7eK2k&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;** Esta resenha foi publicada no Portal Rock Press:&lt;br /&gt;(&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.portalrockpress.com.br/modules.php?name=News&amp;amp;file=article&amp;amp;sid=2719"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;http://www.portalrockpress.com.br/modules.php?name=News&amp;amp;file=article&amp;amp;sid=2719&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;em&gt;&lt;strong&gt;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;*** Foto – Michael Meneses&lt;/strong&gt;&lt;/em&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3689334277767611765-7917062384896877787?l=revistafoda-se.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://revistafoda-se.blogspot.com/feeds/7917062384896877787/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3689334277767611765&amp;postID=7917062384896877787' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3689334277767611765/posts/default/7917062384896877787'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3689334277767611765/posts/default/7917062384896877787'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://revistafoda-se.blogspot.com/2008/07/o-show-do-ano.html' title='O SHOW DO ANO'/><author><name>Revista Foda-se</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16958292788814484525</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_6KDne3Njd_g/SYBYcPCPbxI/AAAAAAAAAJI/UuNficiIY9U/S220/marrocos6.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_6KDne3Njd_g/SGrj_IuIldI/AAAAAAAAAEA/jwffY7xWBXU/s72-c/nysje.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3689334277767611765.post-6149175845822722052</id><published>2008-06-25T13:17:00.004-03:00</published><updated>2008-06-25T13:33:29.754-03:00</updated><title type='text'>QUEM TEM DOR DE BARRIGA VAI A ROMA</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_6KDne3Njd_g/SGJwWMxHbtI/AAAAAAAAADo/ewRRhHPj4pQ/s1600-h/europa2008+275.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5215854845135122130" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_6KDne3Njd_g/SGJwWMxHbtI/AAAAAAAAADo/ewRRhHPj4pQ/s320/europa2008+275.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Acordei às 9 da manhã em Roma. Eu havia chegado na madrugada anterior e seguido direto para a cama do hotel duas estrelas. Naquela manhã, nem o Coliseu nem o Vaticano eram prioridades. No império da minha mente, o assunto monumental era o resultado do jogo da noite anterior entre Flamengo e América do México, pela Taça Libertadores.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Abri na Internet o site de um jornal brasileiro e veio a surpresa, a catástrofe em manchete: “Tragédia no Maracanã: Fla é Eliminado pelo América do México”. “Pronto. E agora, com que cara eu vou pro Coliseu?”, me perguntei. Que bosta... Eu bem que havia avisado na Revista Foda-se sobre o perigo de ganhar o Campeonato Carioca. É sempre assim: um oba-oba patife que compromete o rendimento do time no restante da temporada. Agora, concordo com a faixa que vem sendo estendida pela torcida em dia de jogo, que diz o seguinte: O Brasileiro é obrigação!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saí pelas ruas de Roma ainda atordoado com a notícia. Entre um monumento e outro, a lembrança da derrota me esfaqueava. Ao meio-dia, cheguei ao famoso restaurante Il Vero Alfredo – onde inventaram o Fettucinne Alfredo. Pedi o prato tradicional e foi, de fato, a melhor macarronada que já provei. A receita parece simples: um fettuccine especial passado na manteiga e com muito queijo. Entre uma garfada e outra, proferia xingamentos silenciosos ao técnico Joel Santana.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi somente quando adentrei o Coliseu, algumas horas mais tarde, que os pensamentos começaram a tomar outro rumo. Dentro daquela arena em ruínas, que não tem a metade do tamanho do Maracanã, as sensações variavam entre admiração e desgosto. Ao mesmo tempo em que eu contemplava a beleza e a preservação daquele monumento de dois mil anos de idade, concluía que a humanidade já era uma merda desde o início dos tempos. Afinal, o Coliseu fora construído para que a massa se deliciasse com um espetáculo sanguinolento onde, entre outras atrações, panteras e leões devoravam homens desafortunados para delírio e aplausos da multidão. Ali, a morte era celebrada como um gol. E, dois mil anos depois, pude sentir a energia pesada que ainda pairava no ar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu estava de pé, na parte superior do Coliseu, imaginando que seria interessante ver dentro da arena o tal do Cabañas, o atacante paraguaio, carrasco rubro-negro, correndo em fuga desesperada dos leões, quando senti a primeira pontada na barriga. Pontada fulminante, daquelas que não deixam dúvida: vem aí uma dor de barriga agressiva que resultará em caganeira crônica. “Foi o fettuccine”, acusei. Desde de criança sei que não posso comer muito queijo, mas insisto em ignorar esta espécie de alergia em benefício do prazer do paladar. O resultado é quase sempre o mesmo: uma meia-dúzia de três ou quatro viagens à privada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comecei a lembrar daquela macarronada amarela e pegajosa e veio então a segunda pontada. A minha situação intestinal tornava-se crítica e eu precisava urgentemente encontrar um banheiro. Pelos meus cálculos de cagão experiente, restavam-me cerca de dez minutos antes da erupção. Mas eu estava dentro do Coliseu e sabia que a maioria das pessoas não entra ali em busca de um trono romano. Encontrar uma privada seria tarefa árdua. Portanto, recolhi minha câmera fotográfica e tomei a escadaria que levava ao piso inferior da construção, na altura da rua. Descendo os degraus, eu já suava frio e pensava que aquilo só podia ser um castigo dos antigos imperadores romanos. Trajano, Vespasiano e Domiciano haviam captado o meu desdém por sua empresa colossal e estavam me punindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando atingi o piso inferior, notei que um homem e uma mulher caminhavam na minha direção. Custei um pouco a perceber que tratava-se de um casal que havia trabalhado comigo no meu último emprego no Brasil! Aliás, eu nem sabia que os dois formavam um casal. Acho que aquilo foi, na verdade, um flagrante. Uma coincidência das mais violentas, tanto para eles, que provavelmente não esperavam encontrar alguém conhecido dentro do Coliseu, quanto para mim, que naquele momento não pensava em outra coisa que não encontrar uma latrina.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Trocamos cumprimentos e falamos sobre o pessoal do trabalho antigo: “Ahh... aquele meu ex-chefe... que figura... hahaha”. Eu soltava este tipo de comentário e não achava a menor graça. Durante os cinco minutos do encontro eu só conseguia pensar no fettuccine que borbulhava dentro da barriga. Meus olhos circulavam frenéticos pelo Coliseu em busca de uma placa de WC. Eu estava pálido. Precisava sair dali depressa se não quisesse me borrar diante dos ex-companheiros de trabalho. Acho que eles finalmente notaram o desconforto na minha cara e inventaram alguma desculpa para se despedir.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu agora estava livre para correr. Acelerei o passo e comecei a rodar o Coliseu em busca do alívio. Nada de placa, nada de banheiro. Pânico. Minha visão tornava-se cada vez mais turva e eu estava ficando zonzo. Foi então que avistei um guarda e perguntei-lhe sobre o caminho para a minha salvação. Ele indicou a direção dos banheiros e eu disparei. No meio do caminho, um grupo de turistas japoneses obstruia a passagem. Estavam todos amontoados, fotografando alguma estátua e soltando em uníssono um típico “Ooooohhhh!”. Ali eu virei um gladiador. Cada segundo era precioso e não seria um grupo de turistas japoneses que me impediria de vencer aquela batalha. Praticamente atropelei um adolescente oriental e continuei a correria sem olhar para trás.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Avistei a casinha quando o fettucinne já havia se transformado em Mike Tyson dentro de mim. Digladiamos por mais dois minutos, eu e Tyson, na fila do banheiro químico. Quando finalmente chegou a minha vez, sentei no trono de plástico e pensei em Trajano, Vespasiano e Domiciano. Em nome de todos os infelizes que um dia perderam suas vidas em benefício do prazer sarcástico destes imperadores, aqui estava a minha vingança, depositada com grande satisfação no caldeirão do império romano. Caguei pro Coliseu. Ou melhor, caguei no Coliseu. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;Zé McGill&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3689334277767611765-6149175845822722052?l=revistafoda-se.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://revistafoda-se.blogspot.com/feeds/6149175845822722052/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3689334277767611765&amp;postID=6149175845822722052' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3689334277767611765/posts/default/6149175845822722052'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3689334277767611765/posts/default/6149175845822722052'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://revistafoda-se.blogspot.com/2008/06/quem-tem-dor-de-barriga-vai-roma.html' title='QUEM TEM DOR DE BARRIGA VAI A ROMA'/><author><name>Revista Foda-se</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16958292788814484525</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_6KDne3Njd_g/SYBYcPCPbxI/AAAAAAAAAJI/UuNficiIY9U/S220/marrocos6.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_6KDne3Njd_g/SGJwWMxHbtI/AAAAAAAAADo/ewRRhHPj4pQ/s72-c/europa2008+275.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3689334277767611765.post-4931208472849911189</id><published>2008-05-29T08:51:00.007-03:00</published><updated>2008-06-02T08:11:06.735-03:00</updated><title type='text'>CHICA, O QUE É UM BLOW JOB?</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_6KDne3Njd_g/SD6Z_hNz4tI/AAAAAAAAADg/nr67DFW3rAY/s1600-h/100_3000.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5205767535813976786" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_6KDne3Njd_g/SD6Z_hNz4tI/AAAAAAAAADg/nr67DFW3rAY/s320/100_3000.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Quatro e meia da madrugada. Caminho sozinho e &lt;em&gt;borracho&lt;/em&gt; pela Ramblas – a principal rua de Barcelona – após uma noitada infernal num dos clubs mais famosos da cidade. Colo o queixo no peito e enfio as mãos no fundo dos bolsos do casaco para aliviar o frio. Uma dúzia de paquistaneses vagam pelas calçadas como fantasmas oferecendo “cerveza – beer!” por um Euro cada. A mão direita sai de dentro do bolso para agarrar uma latinha vermelha de Estrela Damm, que me faria companhia no trajeto até a casa do meu irmão. Ele ficou no club. Agarrou uma sueca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Alguns quarteirões adiante, sinto que alguém caminha na minha cola. Olho por cima do ombro e vejo uma menina negra, bonita, de calça jeans e casaco de couro marrom. Ela não tinha mais de vinte anos de idade. Era uma puta. Já haviam me dito que as putas de rua em Barcelona são todas negras, a maioria importada do Senegal. “Olá! Quieres un blow job?”, perguntou. Resolvi dar uma de cretino e, mesmo sabendo perfeitamente que um blow job quer dizer boquete em bom português, respondi com outra pergunta, em espanhol: “Mas, chica, o que é um blow job?”. Ela riu e passou a andar ao meu lado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Caminhei os dez minutos seguintes com a senegalesa grudada em mim. Enquanto oferecia seus serviços, ela alisava a parte frontal da minha calça jeans. O álcool e o frio não impediram uma ereção sutil ali dentro da cueca, mas quanto mais olhava o rosto daquela menina, mais culpado eu me sentia. Sua voz acusava um desespero crescente e o preço do programa caia dez Euros a cada dez passos. Ela precisava da grana que eu não tinha e insistia: “Vamos ali. Você vai gostar. Pode fazer o que quiser comigo”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A brincadeira estava perdendo a graça. O desespero era evidente nos olhos dela e aquilo era brochante. Me deu vontade de cortar o papo furado. Lancei então uma conversa de titio na intenção de afastar a moça: “Você é uma menina simpática, esperta, bonita. Sua família sabe que você está na rua a esta hora da madrugada?”. Pronto. Funcionou. Na mesma hora ela interrompeu a caminhada e encheu a boca pra mandar: “Ahh, fuck you!”. Virou as costas e desapareceu. Joguei fora a latinha de cerveja e continuei a caminhada, rindo sozinho. Escutei um sonoro “Foda-se” logo na minha primeira noite em Barcelona. O foda-se também está aqui. O foda-se está em toda a parte.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Zé McGill&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3689334277767611765-4931208472849911189?l=revistafoda-se.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://revistafoda-se.blogspot.com/feeds/4931208472849911189/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3689334277767611765&amp;postID=4931208472849911189' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3689334277767611765/posts/default/4931208472849911189'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3689334277767611765/posts/default/4931208472849911189'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://revistafoda-se.blogspot.com/2008/05/chica-o-que-um-blow-job.html' title='CHICA, O QUE É UM BLOW JOB?'/><author><name>Revista Foda-se</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16958292788814484525</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_6KDne3Njd_g/SYBYcPCPbxI/AAAAAAAAAJI/UuNficiIY9U/S220/marrocos6.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_6KDne3Njd_g/SD6Z_hNz4tI/AAAAAAAAADg/nr67DFW3rAY/s72-c/100_3000.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3689334277767611765.post-799547055250396821</id><published>2008-04-20T01:34:00.004-03:00</published><updated>2008-04-20T02:00:31.976-03:00</updated><title type='text'>A   S   T   R   O   N   A   U   T   A</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_6KDne3Njd_g/SArH_1WQNHI/AAAAAAAAADY/KN-vuaFygss/s1600-h/astronaut-banjo.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5191181419964019826" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_6KDne3Njd_g/SArH_1WQNHI/AAAAAAAAADY/KN-vuaFygss/s320/astronaut-banjo.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Amanhã vôo para Barcelona. Vou cair fora por um tempo e não sei quando poderei atualizar a Revista Foda-se. Talvez o faça com pequenas notas para registrar a viagem, que tem garantidos no roteiro Espanha, Itália e Inglaterra. A passagem de volta está marcada para cinco de junho, mas isto é apenas uma data.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha banda acabou, meu casamento idem e não possuo vínculo empregatício. Portanto, não há nada que me prenda ao Brasil. Minto. Tem o Flamengo. Não por esse Campeonato Carioca patético em que os times grandes não jogam fora de casa, mas pela Libertadores. Por mim, o Botafogo pode levar o Carioca. Estou cagando. Até porque, toda vez que o Flamengo ganha o Estadual, calça um salto alto e fica se achando o fodão. Depois, se estrepa no Brasileiro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fora o Flamengo, sentirei falta também da Antarctica Original e da Bohemia. Já provei cervejas do mundo inteiro e, até a presente data, não encontrei nada parecido. As cachoeiras do Horto – melhor lugar do Rio de Janeiro – também deixarão saudades. E tem ainda os amigos e o Frank Sinatra. Frank, é um cachorro de dois anos e meio, da raça Golden Retriver. O meu melhor amigo nos últimos meses. Quando fico pra baixo, ele chega com cara de cão abandonado e pousa o queixo pesado no meu peito. Quando tudo vai bem, o Frank balança o rabo freneticamente e destrói tudo que estiver ao seu alcance. Ele está aqui agora, do meu lado, e não quer me deixar escrever. Já babou toda a tela do &lt;em&gt;laptop&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na bagagem, levo pouca roupa e alguns livros. Entre eles, &lt;em&gt;As vinhas da ira&lt;/em&gt;, de John Steinbeck. Ainda estou nos primeiros capítulos, mas já sei que, quando terminar a leitura, vou colocá-lo na lista dos meus dez favoritos, que fica registrada neste link à direita, o do perfil. Levo também &lt;em&gt;O estrangeiro&lt;/em&gt;, de Albert Camus, o livro que inspirou a música &lt;em&gt;Killing an Arab&lt;/em&gt;, do The Cure. A mochila vai abarrotada de encomendas do meu irmão, que mora em Barcelona há quase dois anos. Tem uma barra gigante de Diamante Negro, um par de sandálias Havaianas brancas, o livro do Tim Maia e um pacote de frutas cristalizadas (!). Os fetiches que a saudade da pátria inspiram em um indivíduo são uma comédia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre achei uma frescura essa história de &lt;em&gt;mp3 player&lt;/em&gt;. Gosto de escutar música com os ouvidos bem abertos, sem &lt;em&gt;headphones&lt;/em&gt;. Mas para uma viagem longa, até que o aparelho será útil. Comprei-o por R$40, no camelódromo da Uruguaiana. Cabem umas 250 músicas e o repertório já está fechado. Tem de João Donato a Bezerra da Silva. De Carlos Gardel a Gotan Project. De Elvis a Squirrel Nut Zippers. De Gabriel Muzak a Ultraje a Rigor. De Shuggie Ottis a Skip James. De SereS a Fela Kuti. De Toots &amp;amp; The Maitals a Skatalites. De Sly &amp;amp; Robbie a New York Ska Jazz Ensemble. De WAR a Mulatu Astatke. De Pixies a The Who. De John Frusciante a Johnny Cash. E tem uma porrada de faixas da Amy Winehouse – a melhor coisa que aconteceu na música neste século – incluindo umas cinco versões de &lt;em&gt;Valerie&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltando ao roteiro. Chego em Barcelona na segunda-feira e fico até o dia 07 de maio. Não conheço ninguém que já tenha passado por lá e não considere Barcelona uma das cidades mais legais do mundo. Veremos. E veremos também Barcelona vs. Valencia, no estádio Camp Nou, a 04 de maio. Depois parto para Roma, onde ficarei por dois dias, antes de tomar o trem para a Toscana. Mora lá, em Lucca, um primo escritor que só conheço por e-mail. Vou aproveitar para ir a Florença, que fica ali perto. Em seguida, Londres. A expectativa é grande por conhecer o berço do Rock n Roll. Vou visitar outro primo, um paulista que não vejo há anos e que, dizem, está ficando famoso na cena local como DJ de música eletrônica. Serão onze dias em Londres.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois, volto para Barcelona e devo ir até a Alemanha, conhecer a namorada do meu irmão e visitar uma amiga trapezista que está num circo, em Berlim. Por último, a azeitona da empada, o lugar que mais me atrai, não sei por quê motivo, em todo este roteiro: o Marrocos. Mas isso tudo, é claro, se eu conseguir passar por todas as fronteiras sem problemas. Dizem que estão apertando o cerco contra os imigrantes, especialmente na Espanha. É triste isso. O mundo não deveria ter fronteiras. O cidadão deveria ser livre para poder passar por qualquer território do planeta sem precisar apresentar documento e... dinheiro. Sim. É preciso comprovar que há dinheiro em caixa para gastar no país visitado. Muito triste.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Estou decorando as minha linhas para o diálogo teatral das fronteiras a ser travado com os agentes de imigração. Estar desempregado é um perigo nesta hora. Por isso, acho que vou dar uma resposta que sempre quis, mas nunca tive coragem. Antes de sair do meu último emprego, resolvi fazer vários exames médicos para aproveitar o plano de saúde. Toda vez que eu chegava no consultório, era submetido a um interrogatório intrigante. A última pergunta era sempre a mesma: “Qual é sua profissão?”. No Gastro, fiquei pensando: “que porra o meu emprego tem a ver com o meu pâncreas?”. Minha vontade era responder o seguinte: “Sou astronauta”. Mas ainda não tive coragem. Fui acometido pela mesma vontade em todos os outros consultórios. Quem sabe mando essa para o agente espanhol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se não quiserem me receber em seu precioso país porque estou desempregado, FODAM-SE. Volto pra casa, numa boa. Mas suponho que não terei muitos problemas, uma vez que possuo passaporte norte-americano. Sou formado em jornalismo, mas não me orgulho muito disso. A principal coisa que aprendi na faculdade foi que nunca se deve acreditar no que é dito ou escrito por um jornalista. Aliás, desconfiem do que é escrito aqui na Revista Foda-se. Algumas vezes exagero, omito, minto, engano. Portanto, não gosto de dizer que sou jornalista. Nem numa fronteira. Vou concretizar o meu fetiche. Vou dizer que sou astronauta. Mas posso estar mentindo...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Levo no bolso praticamente todas as minhas últimas economias. O pouco que consegui juntar do meu último emprego. Sorte que as passagens aéreas internas da Europa custam zero Euros. Pois é, acredite: Comprei as passagens para Itália e Inglaterra por zero Euros, e mais uma merreca em taxas (Aqui a dica: &lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.ryanair.com/"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;www.ryanair.com&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;). Mas, de qualquer maneira, sei que na volta estarei mais liso que o cabelo da Catherine Boceta Jones. Isto é, se eu voltar. No fundo, levo a esperança de encontrar alguma coisa que me faça ficar por lá por um tempo. Quem sabe não me apaixono por um camelo no Marrocos?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isto não é um adeus, mas preciso agradecer por todas as mensagens que tenho recebido através da Revista Foda-se, no Orkut e no Gmail. A maioria delas, de incentivo e congratulações. E algumas malcriadas também, que são sempre tão bem vindas quanto qualquer outra. Nesta semana, ultrapassamos o incrível número de mil visitantes únicos! São mais de mil desocupados que leram o que eu escrevo por aqui. Vocês não têm nada melhor pra fazer não? De qualquer modo, obrigado. Ao lado dos discos que gravei com as duas bandas que tive, SereS e Gentle Pains, esta revista é um dos orgulhos que carrego. Descobri com ela que vou tentar ganhar a vida escrevendo. Sei que vou passar sufoco, mas... &lt;strong&gt;foda-se&lt;/strong&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;strong&gt;Zé McGill &lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt;* Para ser informado sobre as atualizações da Revista Foda-se, escreva um e-mail para &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;a href="mailto:revistafodase@gmail.com"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;revistafodase@gmail.com&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;, com o assunto “Foda-se”. Ou entre na comunidade do Orkut: &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;a href="http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=46908949"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=46908949&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;* Amy Winehouse, &lt;em&gt;Valerie&lt;/em&gt; - &lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=lqSKVv6YO8g"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;http://www.youtube.com/watch?v=lqSKVv6YO8g&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;strong&gt;* John Frusciante, &lt;em&gt;How Deep Is Your Love&lt;/em&gt; - &lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=-tKQWvNZT0k"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;strong&gt;http://www.youtube.com/watch?v=-tKQWvNZT0k&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3689334277767611765-799547055250396821?l=revistafoda-se.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://revistafoda-se.blogspot.com/feeds/799547055250396821/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3689334277767611765&amp;postID=799547055250396821' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3689334277767611765/posts/default/799547055250396821'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3689334277767611765/posts/default/799547055250396821'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://revistafoda-se.blogspot.com/2008/04/s-t-r-o-n-u-t.html' title='A   S   T   R   O   N   A   U   T   A'/><author><name>Revista Foda-se</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16958292788814484525</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_6KDne3Njd_g/SYBYcPCPbxI/AAAAAAAAAJI/UuNficiIY9U/S220/marrocos6.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_6KDne3Njd_g/SArH_1WQNHI/AAAAAAAAADY/KN-vuaFygss/s72-c/astronaut-banjo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3689334277767611765.post-7258821551080838084</id><published>2008-04-15T18:08:00.007-03:00</published><updated>2008-04-16T23:08:31.104-03:00</updated><title type='text'>ADEUS, PIGMEU ARTILHEIRO</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_6KDne3Njd_g/SAUZ83CAfWI/AAAAAAAAADE/AaqPA9jyLso/s1600-h/romario3.bmp"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5189582678969580898" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_6KDne3Njd_g/SAUZ83CAfWI/AAAAAAAAADE/AaqPA9jyLso/s320/romario3.bmp" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Romário foi o maior jogador de futebol que eu vi em ação. Seria injusto dizer que foi o Zico, maior ídolo da história do &lt;em&gt;meu&lt;/em&gt; Flamengo. Quando o camisa dez da Gávea estava no auge de sua forma, no início dos anos 1980, eu era um pirralho magricelo que fedia a Yakult e tinha as atenções voltadas para as corridas de chapinha na areia do &lt;em&gt;playground&lt;/em&gt; do meu prédio, o Forte dos meus soldados de &lt;em&gt;Playmobil&lt;/em&gt; e a Geléia de Mocotó Imbasa. Não entendia nada de futebol, apesar de já me considerar um rubro-negro fanático.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A partir dos dez anos de idade, já em 1987, comecei a tomar gosto pela coisa e passei a acompanhar de perto o dia-a-dia do Flamengo e do futebol em geral. Naquele mesmo ano, tive os primeiros espasmos de torcedor doente no chão da sala ao ver o meu time sagrar-se tetracampeão brasileiro, com Zico ainda em campo e jogando muito. E vi também o Vasco de Romário levar a nossa taça de campeão carioca. Ele como artilheiro, pelo segundo ano consecutivo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas foi no ano seguinte que Romário entrou acidamente na minha memória, ao aplicar um balãozinho no goleiro Zé Carlos antes de tocar a bola com a cabeça para o fundo do barbante, no primeiro jogo da decisão do estadual de 1988. Até hoje sinto azia ao relembrar o lance. Depois veio o jogo do Cocada e o gol dele no último minuto, mas o que ficou foi a humilhação imposta pelo camisa onze do time de paneleiros portugueses na primeira partida da decisão. Até então, meu sentimento com relação àquele semi-anão metido a gostosão poderia ser resumido em uma palavra: ódio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para a minha sorte, e da torcida do Flamengo, o pigmeu artilheiro mudou-se para a Holanda pouco depois daquela final. Me limitei a assistir as traquinagens dele pelo PSV através dos Gols do Fantástico, aos domingos. A cada gol seu, soltava para mim mesmo um comentário do tipo: “Isso. Fica aí, seu escroto, do outro lado do mundo”. Mas foi numa dessas noites de domingo, entre uma dentada e outra na pizza de presunto, que gelei com o gol mais bonito da rodada. Léo Batista, o narrador-&lt;em&gt;highlander&lt;/em&gt;, dizia algo próximo a: “E o Baixinho continua aprontando das suas na Espanha. Desta vez a vítima foi o Real Sociedad...”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquele lance, já atuando pelo Barcelona, Romário recebeu um lançamento longo e matou a bola no peito como quem diz: “Vem cá neném, que o papai te dá um trato”. Em menos de um segundo, sem deixar a bola quicar na grama, emendou com a parte interna do pé direito e encobriu o goleiro, que, no susto, ainda tentou evitar o gol, mas tombou feito um saco de batatas na pequena área enquanto observava o objeto do seu fracasso invadir a rede. O lance todo não durou mais de quatro segundos. E ele fez aquilo a uma distância de cerca de dez metros da grande área. Sinistro, muuuito sinistro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foi automático. Depois daquele gol, passei a observar o duende marrento com outros olhos. Com um misto de admiração, incredulidade e carinho. Compreendi que, quando Romário estava em campo, não era o futebol que acontecia, mas a vida, a morte e todas emoções que vêm incluídas no pacote. Eu testemunhava os shows do Júnior no Maracanã, fiquei embasbacado com o gol do Maradona sobre a Inglaterra na copa de 86 (aquele em que ele dribla cinco antes de marcar) e lembrava do golaço do Van Basten pela Holanda, naquele chute sem ângulo. Mas o lance do Romário era especial. Sobretudo por sua frieza, antes, durante e depois do gol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Frieza esta que seria explicitada na Copa do Mundo de 1994. Lembra da disputa de pênaltis, na final contra a Itália? Lembra como o Romário caminhou devagar e rebolativo para o local da cobrança? Lembra como ele chutou e olhou a bola bater caprichosamente na trave antes de entrar? E, finalmente, lembra como ele andou de volta para o centro do gramado, após cumprir sua missão, sem abrir um sorriso nem soltar uma bufada de alívio? Pois é. Foi assim que ele terminou de ganhar a Copa para o Brasil. As defesas do Tafarel, o comando do Dunga e a habilidade do Bebeto foram importantes, mas sem o Romário, não teríamos escutado o Galvão Bueno berrar bisonhamente enquanto aplicava uma gravata no Pelé: “É tetraaa! É tetraaa! É tetraaa!”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Seis meses depois da Copa, Romário chegava ao Flamengo. Acabara de ser eleito o melhor jogador do mundo. Quando ele vestiu pela primeira vez o manto sagrado, as mágoas do passado viraram fumaça. Foram poucos títulos relevantes nas quatro temporadas em que defendeu o Rubro-negro, mas em compensação, fomos presenteados com o elástico sobre o Amaral, a sagacidade oportunista diante da falha do Márcio Teodoro, uma voadora no peito do gigante covarde do Vélez Sarsfield e quatro artilharias consecutivas do Campeonato Carioca. Ah, e ainda fomos à forra com os vascaínos. Perdi a conta das vezes em que vi o pigmeu mandar a torcida bigoduda calar a boca no Maracanã.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ontem, 14 de abril de 2008, Romário anunciou o encerramento da carreira, aos 42 anos de idade. Pena que ele não chorou durante a entrevista. Eu sempre vibrei com o choro sincero do marrentinho. Dentro de campo, era um matador gelado. Mas fora dele, um coração mole e uma sinceridade transbordante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Romário me ensinou duas coisas: a primeira, é que a humildade é facultativa diante do gênio. A marra dele sempre foi justificada pelos gols que fazia e pela coragem nas atitudes e declarações. O segundo ensinamento foi dado ao longo dos anos, mas principalmente no final da carreira, quando, já acima da casa dos quarenta, chegou ao milésimo gol e provou que, para o jogador de futebol, a inteligência é mais importante do que a forma física ou a habilidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fica aqui a homenagem da Revista Foda-se ao pigmeu artilheiro. E a certeza de que jamais surgirá no futebol alguém como ele.&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;Zé McGill&lt;/b&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;* Aqui está o vídeo com o gol antológico de Romário pelo Barcelona:&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=LKkAhnxcgVo"&gt;http://www.youtube.com/watch?v=LKkAhnxcgVo&lt;/a&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3689334277767611765-7258821551080838084?l=revistafoda-se.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://revistafoda-se.blogspot.com/feeds/7258821551080838084/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3689334277767611765&amp;postID=7258821551080838084' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3689334277767611765/posts/default/7258821551080838084'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3689334277767611765/posts/default/7258821551080838084'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://revistafoda-se.blogspot.com/2008/04/adeus-pigmeu-artilheiro.html' title='ADEUS, PIGMEU ARTILHEIRO'/><author><name>Revista Foda-se</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16958292788814484525</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_6KDne3Njd_g/SYBYcPCPbxI/AAAAAAAAAJI/UuNficiIY9U/S220/marrocos6.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_6KDne3Njd_g/SAUZ83CAfWI/AAAAAAAAADE/AaqPA9jyLso/s72-c/romario3.bmp' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3689334277767611765.post-4154004674165757845</id><published>2008-04-08T15:02:00.004-03:00</published><updated>2008-04-08T15:28:31.988-03:00</updated><title type='text'>COMIDA CHINESA PARA OZZY OSBOURNE</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_6KDne3Njd_g/R_u3xkT0WBI/AAAAAAAAAC0/x4ms-8Lve7c/s1600-h/Ozzy2.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5186941458035529746" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_6KDne3Njd_g/R_u3xkT0WBI/AAAAAAAAAC0/x4ms-8Lve7c/s320/Ozzy2.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Era horário de almoço no restaurante de comida chinesa em que eu trabalhava como entregador, em Berverly Hills, Los Angeles, 1998. Entediado com o movimento fraco daquela tarde, eu aguardava a próxima entrega esparramado sobre a cadeira. Estava quase caindo no sono quando o telefone tocou. A atendente anotou o pedido e colocou duas sacolas grandes sobre o balcão. No cartão que vinha grampeado em uma das sacolas, o nome do cliente: Osbourne.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ozzy e sua família viviam em uma mansão situada a poucos quarteirões do restaurante, e eu já os havia visto freqüentando o local. Gostavam da comida refinada do Chin Chin, especialmente do &lt;em&gt;Tangerine Beef&lt;/em&gt;, que estava entre os pratos daquele pedido. Só poderia ser ele, pensei. Levantei da cadeira e procurei pelos dois argentinos que trabalhavam comigo como entregadores. Não estavam na área. O caminho estava livre e aquela entrega seria minha. Os argentinos eram gente boa, e a vez da entrega era de um deles, mas não é todo dia que se leva comida para Ozzy Osbourne. Portanto, agarrei as duas sacolas e corri desembestado para o carro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Girei a chave e dei a partida no motor do meu Ford Festiva vermelho – um modelo idêntico ao Fiat Uno brasileiro. No caminho até a Beverly Drive, rua onde ficava a residência dos Osbourne, senti meus pés tremerem levemente sobre os pedais do acelerador e embreagem. Eu estava tenso. Olhei para as duas sacolas gordas sentadas no banco do carona e ri sozinho, imaginando se ali dentro haveria algum prato preparado à base de morcegos. O Príncipe das Trevas havia encomendado cento e vinte dólares de comida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foram menos de dez minutos até a intimidadora mansão branca de Ozzy. Desliguei o motor e fiquei mirando a casa por alguns segundos, de dentro do carro. Quando saltei, com uma sacola pesada em cada mão, me senti como o sujeito da foto da capa do filme &lt;em&gt;O exorcista&lt;/em&gt;. Entrei pelo jardim e apertei o botão da campainha. Esperei uns cinco minutos até que Jack – o filho mais velho – abrisse a porta. Cumprimentei o gordinho que, no auge de sua adolescência, parecia uma bolinha de meleca, cheio de espinhas na cara. Ele olhou para as sacolas de comida, arrancou-as das minhas mãos, e saiu gritando pela casa: “Daddy, daddy, food is here” (“Papai, papai, a comida chegou”).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Fiquei em pé ali, espiando o &lt;em&gt;hall&lt;/em&gt; de entrada daquele palácio por alguns segundos. De repente, senti uma mão tocar o meu ombro direito. Quando me virei, ali estava Ozzy, com um regador de plantas na mão, todo vestido de preto. Ele estava cuidando do jardim, mas eu não notara sua presença quando passei por ali. “Hello. Please wait here” (“Olá. Por favor, aguarde aqui”), pediu com sotaque britânico carregado. Observei enquanto Ozzy arrastava uma das pernas até um armário no canto da sala. Abriu uma das gavetas e, sem contar, puxou um bolo de notas verdes para o pagamento da comida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enquanto isso, eu tentava pensar em alguma coisa legal para dizer ao homem de preto. Eu era, e ainda sou, fã do Black Sabbath – grupo que ele ajudou a formar na Inglaterra, na década de 60. Mas quando ele voltou com o dinheiro, não consegui dizer nada melhor que: “Hey Ozzy, eu sou seu fã. Eu sou do Brasil e é uma honra entregar comida para você”. A resposta do Ozzy não poderia ser melhor: “Whatever”. O whatever dele era uma forma sutil de dizer: Foda-se. Eu não estou interessado. Tchau.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Saí de lá feliz da vida. Liguei o som do carro no volume máximo e coloquei uma fita cassete com minha música favorita do Sabbath, &lt;em&gt;Sweet Leaf&lt;/em&gt;. Antes de partir, contei o dinheiro e constatei que Ozzy havia me presenteado com oitenta dólares de gorjeta! Foi a maior gorjeta que recebi em quase um ano como entregador. E o whatever que recebi foi ainda melhor. Até que foi merecido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quase dez anos depois, na última quinta-feira, fui conferir o show do Ozzy na HSBC Arena (RJ), em noite chuvosa. Antes da apresentação, o telão exibiu alguns esquetes em que Ozzy aparece escrotizando filmes como &lt;em&gt;A rainha&lt;/em&gt; e seriados como &lt;em&gt;Lost&lt;/em&gt;. É de mijar de rir. Em seguida, as luzes se apagaram e o clima ficou por conta de Carmina Burana nos alto-falantes. Clichezão safado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A primeira música do set list foi &lt;em&gt;I Don’t Want to Stop&lt;/em&gt;, do recém-lançado álbum &lt;em&gt;Black Rain&lt;/em&gt; – o primeiro em que Ozzy garante ter composto e cantado as músicas 100% sóbrio. Mas sobriedade não significa caretice para o quase sexagenário Sr. Osbourne. E o show dele é diversão garantida. Entre uma música e outra, chegava ao microfone para dizer: “Let’s go fucking crazy!!”. Não faltaram baldes d’água atirados contra a platéia, tampouco os chifrinhos vermelhos de diabo enfiados na cabeleira. Ah, ele também mostrou a bunda murcha para o público.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A noite seguiu com sucessos de sua carreira solo como &lt;em&gt;Bark at the Moon&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Mr. Crowley&lt;/em&gt;, que foram recebidos com entusiasmo pela juventude metaleira. Aliás, mais uma vez, o preço hediondo dos ingressos (pista = R$180,00) espantou muita gente. Nem mesmo os dois shows de abertura - Black Label Society e Korn – foram suficientes para assegurar a lotação máxima da casa. Já está na hora de reverem o esquema das carteirinhas de estudante, porque o feitiço virou contra o feiticeiro: os estudantes acabam pagando um valor maquiado que na verdade deveria corresponder ao preço cheio dos ingressos. E quem não é estudante paga o pato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas vamos voltar ao que interessa: - pelo menos para mim, o que realmente interessava ali era escutar alguns clássicos do Black Sabbath. Então, tome &lt;em&gt;War Pigs, Iron Man e Paranoid&lt;/em&gt; – esta última fechando o show, com direito à rodinha de porrada. Tá bom? Ainda Não? Então leva de lambuja a melhor música da carreira solo do Ozzy, &lt;em&gt;No More Tears&lt;/em&gt;, que não fazia parte do repertório oficial da turnê. Pronto. Agora sim. Já valeu a pena.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu esperava uma banda afiada e um cantor com as cordas vocais comprometidas pelo tempo. Mas o que vi foi justamente o contrário. Enquanto os músicos escorregavam em seus instrumentos, Ozzy Osbourne garantia o espetáculo com os olhos esbugalhados e a inconfundível voz esganiçada em perfeitas condições. Por outro lado, o som do P.A. estava embolado e ainda tivemos todos que aturar longos minutos de um exibicionismo desnecessário do guitarrista Zakk Wilde, num solo masturbador interminável.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso, sem falar nas faixas que poderiam ter sido poupadas, como a balada de gosto duvidoso &lt;em&gt;Mama I’m Coming Home&lt;/em&gt; e o hard rock farofeiro &lt;em&gt;I Don’t Want to Change the World&lt;/em&gt;. Aí, foi a minha vez de ir à forra. Foi a minha vez de olhar de lado e dizer: Whatever, Ozzy.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;b&gt;Zé McGill&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;b&gt;*Ozzy escrotizando no Youtube:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/b&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=kthJgwAF3qU"&gt;http://www.youtube.com/watch?v=kthJgwAF3qU&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;b&gt;&lt;div&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;**Este texto foi publicado na revista Rock Press (06/04/2008):&lt;/span&gt; &lt;/strong&gt;&lt;a href="http://www.rockpress.com.br/modules.php?name=News&amp;amp;file=article&amp;amp;sid=2478"&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;http://www.rockpress.com.br/modules.php?name=News&amp;amp;file=article&amp;amp;sid=2478&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3689334277767611765-4154004674165757845?l=revistafoda-se.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://revistafoda-se.blogspot.com/feeds/4154004674165757845/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3689334277767611765&amp;postID=4154004674165757845' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3689334277767611765/posts/default/4154004674165757845'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3689334277767611765/posts/default/4154004674165757845'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://revistafoda-se.blogspot.com/2008/04/comida-chinesa-para-ozzy-osbourne.html' title='COMIDA CHINESA PARA OZZY OSBOURNE'/><author><name>Revista Foda-se</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16958292788814484525</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_6KDne3Njd_g/SYBYcPCPbxI/AAAAAAAAAJI/UuNficiIY9U/S220/marrocos6.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_6KDne3Njd_g/R_u3xkT0WBI/AAAAAAAAAC0/x4ms-8Lve7c/s72-c/Ozzy2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3689334277767611765.post-290670852762118335</id><published>2008-04-02T13:14:00.006-03:00</published><updated>2008-04-03T11:44:53.198-03:00</updated><title type='text'>MEDO DE MAR</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_6KDne3Njd_g/R_OxYUT0WAI/AAAAAAAAACs/pOaktBwtBvY/s1600-h/medusa.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5184682627360380930" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_6KDne3Njd_g/R_OxYUT0WAI/AAAAAAAAACs/pOaktBwtBvY/s320/medusa.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Pedi demissão. Trabalhava há pouco mais de um ano em uma gravadora multinacional e trilhava o caminho para me tornar um executivo do mercado fonográfico. Cansei. Agora percorro os trilhos da vagabundagem e posso me considerar um desempregado feliz. Meu futuro não será mais planejado em longo prazo. Amanhã, não sei como será. Tudo pode piorar, tudo pode melhorar. Estou na pista. Ou melhor, na areia da praia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vagabundo disciplinado, acordei às oito horas da manhã de ontem. Combinamos, eu e dois amigos, uma pequena viagem até a melhor praia do Rio de Janeiro, a Prainha – uma das poucas da cidade onde a areia não fede a chulé e não se encontra camisinha usada nem tampa de privada boiando na água. Há anos não experimentava o prazer de uma praia vazia em plena terça-feira. Como é boa essa vida de vagabundo!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No paraíso da Prainha, a água do mar é verde e clara como uma limonada. Não fosse a maré bravia, teria ficado boiando por horas de barriga pra cima feito um leão marinho preguiçoso no esquema “você deságua em mim e eu oceano”, bem cafajeste mesmo. Armamos a barraca para aliviar o calor do sol e sentamos nas cadeiras de praia. Desce uma cerveja, sobe um baseado. Que belezura. Ficamos sentados ali observando um maluco que se aventurava nas ondas de dois metros, equipado apenas com pés de pato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Comentávamos a respeito da impavidez daquele sujeito quando lembrei de um episódio traumatizante vivido naquele mesmo mar, muitos anos atrás. Eu era adolescente e feliz proprietário de uma &lt;em&gt;morey boogie&lt;/em&gt;, mas já me considerava um intrépido &lt;em&gt;bodyboarder&lt;/em&gt;. E foi ali, na mesma Prainha, que cai na água e parti destemido pra cima da arrebentação. Furei as primeiras ondas e nem havia respirado direito quando dei de cara com uma morra colossal, a última onda da série. Tomei na cabeça. Passei alguns segundos liquidificando no fundo, batendo as costas na areia e engolindo um punhado de água e sal.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Voltei à superfície abrindo a boca para sugar o máximo possível de oxigênio para dentro dos pulmões, emitindo um urro desconcertante. Trepei na prancha e colei a testa em cima dela para retomar a consciência. Comecei então a sentir uma fisgada violenta na coxa direita: câimbra. A dor aguda impossibilitava qualquer movimento e por isso me distanciei da arrebentação. Um surfista adulto que remava por ali, notou o meu aperto e perguntou: “Ô muleque, tudo bem aí? Quer um empurrãozinho?”. Nem pensar! Imagina se eu, &lt;em&gt;bodyboarder&lt;/em&gt; arrojado que era, toparia descer uma onda empurrado. “Não, não. Tá tranquilo. Tô só esperando a próxima série”, respondi. Que palhaço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu orgulho seria tragado pelo oceano dez minutos depois, quando, ainda imóvel sobre a prancha, olhei para a direita e notei que uma enorme medusa boiava a poucos centímetros de minha perna paralisada. A medusa é um invertebrado aquático de corpo gelatinoso, em forma de guarda-sol. Uma água viva gigante, com tentáculos venenosos. A visão era aterrorizante. Mijei na sunga. E fiquei torcendo para que aquele monstro se afastasse dali. Mas aí me ocorreu que o odor da urina atrai tubarões e eu já estava bem afastado da praia, flutuando isolado. Presa fácil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sempre tive verdadeiro cagaço de tubarão. Acho que vi filmes demais quando era pequeno. A paranóia era tanta que eu chegava ao ridículo de nadar rápido dentro da piscina, com medo de ser abocanhado pela besta imaginária. Quando pulava pra fora da piscina, ofegante sobre a borda, e me perguntavam o que estava acontecendo, eu dizia que estava apostando corrida. Hoje, me recuso a mergulhar em alto-mar. Especialmente com óculos de mergulho que possibilitam enxergar ao longe. Imagino logo um cardume de tubarões se aproximando. Sei que o fundo do mar é maravilhoso, um outro mundo, com estrelinhas brilhantes, cavalos-marinhos minúsculos e conchinhas muito meigas, porém, não, obrigado. Tô fora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas voltando àquela tarde adolescente na Prainha, o episódio da medusa e a paranóia do mijo me fizeram pedir arrego. Quando avistei aquele surfista novamente, deixei a vergonha de lado e pedi socorro. O cara era gente fina e foi solícito. Desceu da prancha e me empurrou na primeira onda que passou. Quando cheguei à beira, a perna ainda doía, e eu mal conseguia ficar em pé. As marolas varriam minhas canelas, a presilha enrolou-se nos meus pés e eu caí de cara na areia. Chegada triunfal. Uma dupla de jogadores de frescobol presenciou tudo. E não conseguiram conter o riso. Humilhado, tentei me levantar enquanto tropeçava nos pés de pato.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A sensação de derrota deu um ponto final prematuro à minha carreira de surfista. Mas o medo de mar persiste. E não apenas pelas feras que habitam o oceano. O simples fato de não enxergar o que está abaixo da superfície me incomoda profundamente. Mas hoje, pelo menos consigo nadar tranqüilo pelas piscinas do mundo.&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;Zé McGill&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3689334277767611765-290670852762118335?l=revistafoda-se.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://revistafoda-se.blogspot.com/feeds/290670852762118335/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3689334277767611765&amp;postID=290670852762118335' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3689334277767611765/posts/default/290670852762118335'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3689334277767611765/posts/default/290670852762118335'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://revistafoda-se.blogspot.com/2008/04/medo-de-mar.html' title='MEDO DE MAR'/><author><name>Revista Foda-se</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16958292788814484525</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_6KDne3Njd_g/SYBYcPCPbxI/AAAAAAAAAJI/UuNficiIY9U/S220/marrocos6.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_6KDne3Njd_g/R_OxYUT0WAI/AAAAAAAAACs/pOaktBwtBvY/s72-c/medusa.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3689334277767611765.post-3479970363892558408</id><published>2008-03-24T19:22:00.008-03:00</published><updated>2008-03-24T21:32:57.580-03:00</updated><title type='text'>NA NATUREZA SELVAGEM</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp0.blogger.com/_6KDne3Njd_g/R-guDkT0V_I/AAAAAAAAACk/wYI51FPyN5g/s1600-h/wild.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5181442010111039474" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp0.blogger.com/_6KDne3Njd_g/R-guDkT0V_I/AAAAAAAAACk/wYI51FPyN5g/s320/wild.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;Aluguei o filme &lt;em&gt;Na natureza selvagem&lt;/em&gt; um mês antes dele chegar aos cinemas. Minha locadora tem uma seção de DVDs área 1, e ali, geralmente encontro filmes sem legendas em português que acabaram de ser lançados nos seus países de origem. Levo-os para casa e assisto no meu Playstation 2. Assim como no caso do diretor Sean Penn, que confessou ter julgado o livro original de Jon Krakauer pela capa no ato da compra, julguei o filme pela foto da caixinha do DVD. E foi o melhor chute que dei nos últimos tempos.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;Na Natureza Selvagem&lt;/em&gt; (&lt;em&gt;Into the Wild&lt;/em&gt;, em inglês), é baseado na estória real do jovem Chris McCandless, que logo após a formatura, decide doar todas as suas economias - 24 mil dólares - a uma instituição de caridade. Em seguida, cai na estrada rumo ao oeste norte-americano e, sobretudo, em busca de uma aventura solitária na friagem do Alasca, onde pretendia viver da terra por alguns meses. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Entretanto, ao contrário do que se poderia presumir, nosso protagonista não era nenhum hippie doidão. Além de melhor aluno da classe, McCandless era um cara determinado. Quando decidiu mandar o foda-se para as agruras da sociedade, levou o negócio a sério: queimou o pouco de dinheiro que lhe restava, cortou a carteira de identidade em pedacinhos e adotou um novo nome. Isso é que é ser punk. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Apesar de radical, McCandless era dono de uma personalidade cativante e de um espírito libertário contagiante. Ao longo de sua jornada pelo oeste, deparou-se com diversos personagens, e não é difícil notar as marcas profundas que o jovem de vinte e poucos anos deixava nas pessoas que cruzavam seu caminho. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;Entre eles, vale citar um casal de coroas hippies que supera suas crises de relacionamento com a ajuda do garoto, uma cantora adolescente que se apaixona por ele e um velhinho solitário que propõe adotá-lo. Este velhinho, por sinal, dá um banho de interpretação. O ator, Hal Holbrook, foi indicado ao Oscar de melhor ator coadjuvante por este papel, e só perdeu para o imbatível Javier Bardem, de &lt;em&gt;Onde os fracos não têm vez&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre o ator principal, o sujeito que interpreta Chris McCandless, vale atentar para o que o diretor Sean Penn - um dos caras mais legais de Hollywood - tem a dizer: "Ele é muito talentoso. Esta foi a performance mais significativa de um jovem ator por várias gerações". O nome da fera é Emile Hirsch (foto), que despertou a atenção de Penn por seu desempenho em &lt;em&gt;Os Reis de Dogtown&lt;/em&gt;. Sua atuação é de fato marcante em &lt;em&gt;Na Natureza Selvagem&lt;/em&gt;. Alguns dirão que trata-se do novo Leonardo DiCaprio...&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;A trilha sonora é um parágrafo à parte. O papel das trilhas no cinema é colaborar com a construção do clima. E foi isso o que fez Eddie Vedder, o vocalista do Pearl Jam, em seu primeiro disco solo. Sim, a trilha do filme tornou-se o primeiro álbum de uma carreira que promete. Para este trabalho, Vedder parece ter incorporado o espírito do protagonista e compôs preciosidades como &lt;em&gt;No Ceiling&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Hard Sun&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Society&lt;/em&gt;, que nada ficam a dever às melhores baladas da banda de Seattle.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Talvez o único desacerto de Sean Penn ao transpor o livro de Krakauer e a história de McCandless para a telona tenha sido o fato de focalizar demais as atenções na crise familiar do rapaz. O enredo dá margem a uma conclusão equivocada de que sua fuga seria essencialmente fundamentada na raiva e decepção que alimentava com relação aos pais.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;De fato, a descoberta por McCandless de que seu pai (William Hurt, no filme) tinha uma outra família enquanto o criava, gerou no garoto uma revolta até compreensível. Afinal, a descoberta da condição de “bastardo” não deve ser uma surpresa agradável. Mas o diretor e o roteirista parecem ter relegado a segundo plano a indignação essencial do personagem que, na verdade, era voltada para a hipocrisia e as futilidades de seus pais, da sociedade, do mundo. Estas foram as grandes motivações de sua fuga. E o cara teve a coragem de fazer o que eu, você, todos nós já tivemos vontade de fazer um dia, mas não tivemos coragem: largar tudo. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;A qualidade de um filme pode ser medida pela edição, pelo roteiro, pela fotografia - que, aliás, é arrasadora neste filme - ou pelo trabalho dos atores e do diretor. Mas o que faz um filme marcar a vida das pessoas é o impacto que ele causa. E o impacto que me causou &lt;em&gt;Na Natureza Selvagem&lt;/em&gt; fez com que eu corresse à livraria mais próxima no dia seguinte em busca do livro e do CD da trilha sonora. Quase dois meses após aquela minha ida à locadora, continuo pensando no filme todos os dias. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;Zé McGill&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;/strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;b&gt;*Este texto foi publicado na revista ROCK PRESS em 20/03/08. Segue o link:&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;a href="http://www.rockpress.com.br/modules.php?name=News&amp;amp;file=article&amp;amp;sid=2440"&gt;http://www.rockpress.com.br/modules.php?name=News&amp;amp;file=article&amp;amp;sid=2440&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3689334277767611765-3479970363892558408?l=revistafoda-se.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://revistafoda-se.blogspot.com/feeds/3479970363892558408/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3689334277767611765&amp;postID=3479970363892558408' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3689334277767611765/posts/default/3479970363892558408'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3689334277767611765/posts/default/3479970363892558408'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://revistafoda-se.blogspot.com/2008/03/na-natureza-selvagem.html' title='NA NATUREZA SELVAGEM'/><author><name>Revista Foda-se</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16958292788814484525</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_6KDne3Njd_g/SYBYcPCPbxI/AAAAAAAAAJI/UuNficiIY9U/S220/marrocos6.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp0.blogger.com/_6KDne3Njd_g/R-guDkT0V_I/AAAAAAAAACk/wYI51FPyN5g/s72-c/wild.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3689334277767611765.post-5229897415183215089</id><published>2008-03-17T19:18:00.012-03:00</published><updated>2008-03-19T15:25:11.230-03:00</updated><title type='text'>D  U  N  E   -   ALUCINANDO NO DESERTO</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_6KDne3Njd_g/R97wvkz17II/AAAAAAAAACU/EfjVFNWc3aw/s1600-h/dune10.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5178841321648286850" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_6KDne3Njd_g/R97wvkz17II/AAAAAAAAACU/EfjVFNWc3aw/s320/dune10.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;“Meu amor, acho que chegou a hora. Eu vou morrer agora”. Esta foi a singela frase que dirigi à minha namorada no auge daquela &lt;em&gt;bad trip&lt;/em&gt;. Estávamos caminhando pelo deserto, no estado de Nevada, sob o sol escaldante do meio-dia, à procura do meu carro. Voltávamos de uma festa rave chamada &lt;em&gt;Dune&lt;/em&gt;, onde me empanturrei de um coquetel de drogas que por pouco não transformou meu cérebro em patê.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A rave aconteceu em algum final de semana do verão norte-americano de 1998. Naquela época, eu ganhava a vida entregando comida chinesa em Beverly Hills e minha namorada, Christianne, trabalhava no caixa de um restaurante caribenho do bairro de Santa Monica, Los Angeles, onde morávamos havia pouco mais de um ano. Dividíamos um simpático apartamento de três quartos – que ficava pertinho da praia - com Gustavo, um amigo carioca, e Mandeep, um indiano viciado em música eletrônica que fora criado na Inglaterra. Foi dele a idéia de irmos à festa no deserto.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu não era nenhum fã de música eletrônica e nunca havia estado numa rave, mas a idéia de uma festa no meio do deserto, e regada a LSD, seduziu meu espírito inconseqüente que acabara de completar vinte anos de existência sobre a face da Terra. Portanto, no sábado, após um almoço à base de burritos mexicanos, entramos no meu Ford Festiva vermelho (idêntico ao Fiat Uno brasileiro) e caímos na estrada. Eu, Chris, Gustavo, Mandeep e Vanessa, nossa vizinha nativa da Califórnia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foram mais de cinco horas de viagem até a fronteira do estado de Nevada. O cenário era deslumbrante e o astral da tripulação o melhor possível. O clima era de aventura e penetramos o deserto ao som de The Doors, numa consciente perseguição do clichê. Com as janelas fechadas, os incontáveis baseados de &lt;em&gt;skunk&lt;/em&gt; transformaram o interior do Ford numa sauna enfumaçada. Mal consegui enxergar a placa que anunciava a chegada à reserva indígena onde se consumaria a famigerada rave.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas bastou seguirmos o comboio de automóveis que se formou naquele ponto e, em vinte minutos, chegamos ao local do evento. Estacionamos o carro a cerca de um quilômetro da festa e começamos a andar em sua direção. No meio do caminho, uma dupla de malandrecos latinos ofertava a plenos pulmões: “Ácido! Ácido! Quem vaaai?”. E eu fui. Eu e Gustavo. Nós, que estávamos acostumados a pagar trinta reais por um quadradinho de papel de ácido no Rio de Janeiro, topamos a barganha na mesma hora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os caras carregavam o LSD puro em pequenos vidros de colírio e cada gota custava três dólares. Bastava colocar a língua para fora e eles pingavam o alucinógeno sobre ela. Tomei uma gota. O Gustavo, duas. O resto do pessoal foi menos ansioso e preferiu esperar. O Mandeep já havia sumido pelo deserto. Ele era enturmado com os organizadores do evento e correu ao encontro dos amigos ravers assim que desceu do carro, prometendo nos encontrar mais tarde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando chegamos ao local exato da rave, finalmente percebi a dimensão do negócio. O lugar era de uma beleza arrasadora e dez mil pessoas de todas as raças e idades quicavam ao som da batida repetitiva do &lt;em&gt;techno&lt;/em&gt;. A área tinha mais ou menos o tamanho de um campo de futebol oficial e era circulada por montanhas de areia fina que faziam jus ao nome da festa: &lt;em&gt;Dune&lt;/em&gt; (duna). Uma visão do outro mundo. O caos e a esbórnia haviam se instalado sobre a sílica do oeste americano.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Escalamos uma das dunas para obter uma visão mais ampla da folia modernosa e ficamos ali abraçados por um tempo, eu e Chris. Eu tomara o ácido havia quase uma hora mas a onda insistia em não bater. Então ela me disse que queria experimentar &lt;em&gt;ecstasy&lt;/em&gt;. Ok. Vamos nessa. Eu já estava mesmo desconfiado da potência do ácido que os latinos haviam me vendido, e decidi acompanhá-la no comprimido branco de &lt;em&gt;Mitsubishi&lt;/em&gt; que tinha até a logo da fabricante japonesa impressa em relevo. Compramos as balinhas ali mesmo, por dez dólares cada, das mãos de um conhecido nosso de Los Angeles chamado Oliver, que freqüentava nossa casa esporadicamente para filar cervejas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Dez minutos depois, Chris estava vomitando sobre a areia. Era uma reação típica de iniciantes do &lt;em&gt;ecstasy&lt;/em&gt;. Segurei sua mão enquanto analisava o líquido que ela havia expelido do estômago. O vômito dela se arrastou por entre os pedregulhos feito uma cobra vadia. A consistência e as cores metálicas do fluído me fizeram perceber que a jornada psicodélica havia começado. Pronto, eu estava louco e a sensação era maravilhosa. Nem esperei ela limpar a boca. Agarrei-a pela cintura e lancei-lhe um beijo de língua demorado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Depois do beijo, fomos procurar o Gustavo, que havia sumido. Avistamos o cara no pico de uma duna vizinha, a poucos metros dali. Estava sozinho, de cócoras e sacudindo a cabeça ao ritmo da música. Chegamos até ele e notei, no instante em que ele se virou para nos saudar, que suas pupilas estavam altamente dilatadas. Era outro insano na noite fria do deserto. Acendemos mais um baseado e nos abraçamos, os três. Lembro de olhar para o Gustavo e dizer: “Eu te amo”. E ele me devolveu a sinceridade com a mesma frase. A Chris, que contemplava a cena com os olhos cheios d’água, não resistiu e entrou no clima: “Eu também amo vocês!”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Descemos para nos misturar com a multidão e entrar na dança. O &lt;em&gt;ecstasy&lt;/em&gt; é uma droga sintética que induz o indivíduo a uma sensação de euforia e bem-estar. Aliado ao &lt;em&gt;trance&lt;/em&gt; (transe, em português), um estilo mais suave de música eletrônica, fez a nossa cabeça durante horas. As melodias progressivas e as batidas que emanavam das caixas de som de três metros de altura nos hipnotizaram. A nós e a todos ao nosso redor. Estava tudo lindo, no maior clima de paz e amor. Olhei para as dunas e descobri que as montanhas de areia também estavam dançando. Literalmente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Uma mulher completamente nua, coberta apenas por um vestido de plástico transparente colado ao corpo, entrou na nossa roda distribuindo flores e cogumelos. Fiquei mirando os bicos dos seios amassados contra o plástico enquanto ela colocava um pequeno cogumelo ressecado na palma da minha mão. Mandei aquele fungo colorido pra dentro sem vacilar. Naquele momento, minha razão vagava por algum planeta distante e nem me dei conta da mistura química explosiva que eu estava fabricando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Continuei encarando a mulher de plástico, que sorria e desejava paz a todos. Notei quando ela se dirigiu ao Gustavo e, encantada com o fato de sermos brasileiros, perguntou: “Como se diz &lt;em&gt;peace&lt;/em&gt; em português?”. Ao que ele respondeu: “Peace in portuguese is &lt;em&gt;foda-se&lt;/em&gt;”. E a palerma plastificada saiu dizendo “foda-se” para metade da festa na maior animação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De repente, senti um corpo desabando sobre meus pés. Era um jovem gringo que se estrebuchava em convulsões. Reparei assustado que sua veia jugular estava roxa, inchada e enrijecida. Alguns segundos se passaram enquanto eu presenciava aquela bizarrice, até que finalmente alguém da organização do evento apareceu e puxou o sujeito para um canto. Aquilo era alguma espécie de overdose, e eu senti o primeiro calafrio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O segundo veio quando começou a amanhecer. No escuro, não era possível perceber, mas com a luz do dia, reparei que os rostos das pessoas, inclusive o meu, estavam tensos e embranquecidos, cobertos de areia do deserto. Parecia que tínhamos envelhecido trinta anos. Aquela maquiagem natural deu a todos o aspecto de zumbis e a rave, que antes era uma festa cheia de vida, pareceu se transformar num culto misterioso às drogas e à música mecânica. E eu e meus amigos não fazíamos parte daquilo. O medo e a paranóia invadiram meus pensamentos. Começava ali minha primeira (e única) &lt;em&gt;bad trip&lt;/em&gt; - a expressão universal designada para sensações físicas e psicológicas cabulosas provocadas pelo uso excessivo de drogas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em seguida, fomos caminhar pela areia e esbarramos no corpo do Mandeep, estatelado no solo com um lenço cobrindo seu rosto. Congelei com aquela visão. Concluí que ele estava morto e entrei num processo silencioso de pânico. Percebendo a minha consternação, o Oliver, que estava por perto, aproximou-se e tentou me acalmar. Ele explicou que aquilo era normal e que o Mandeep havia apenas tomado muito &lt;em&gt;G&lt;/em&gt; – um líquido salgado, muito popular entre os ravers, e que mais tarde descobrimos tratar-se de uma bomba de hormônios. Segundo Oliver, ele estava "apenas" desmaiado e o lenço sobre o rosto era para proteger contra a luz do sol.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Pra mim, foi a gota d’água. O pessoal também sentiu o clima mórbido que havia se instalado e resolvemos cair fora dali. No caminho até o carro, eu estava num estado de choque que inspirava a preocupação dos amigos. É difícil traduzir em palavras a onda errada em que eu me encontrava. Lembro de apertar com força a mão da minha namorada enquanto marchava pelo deserto num pesadelo acordado que eu acreditava ser a realidade. Ao mesmo tempo, eu devorava uma garrafa de água mineral na tentativa de recuperar os sentidos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha sensibilidade havia aflorado de tal forma que eu realmente acreditei quando a Vanessa me disse: “Não beba tanta água. Você vai acabar se afogando”. Sei que a intenção dela era a melhor possível, mas ao ouvir estas palavras, me joguei no chão da estrada e achei que estava de fato me afogando. Foi então que disse a Christianne que minha hora havia chegado. Senti que a morte estava me vigiando de perto, numa ronda macabra. Mas acho que ela decidiu me dar uma colher de chá, pois consegui me levantar e caminhar até o carro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegamos em casa e eu passei dias me recuperando. Não falava com ninguém e fiquei uma semana sem ir trabalhar, achando que nunca mais voltaria ao normal. A intensidade daquela experiência no deserto me causou um impacto tão profundo que até hoje, dez anos depois, recuso qualquer tipo de substância alucinógena ou droga sintética. Prefiro ficar na cerveja e nos eventuais baseados. Nunca mais fui a uma rave. E nem pretendo. Aliás, alguém deveria criar a rave do funk, movida a James Brown, Matata, Rose Royce, Kool &amp;amp; The Gang, Sly Stone e cia. Ninguém precisaria de &lt;em&gt;ecstasy&lt;/em&gt; para dançar até o amanhecer.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Apesar dos horrores descritos acima, não renego os experimentos entorpecidos da minha juventude. Tive incontáveis viagens válidas - inclusive esta &lt;em&gt;bad trip&lt;/em&gt; - que contribuíram para um maior conhecimento das minhas questões existenciais e espirituais. Por isso mesmo, recomendo a qualquer pessoa pelo menos uma experiência alucinógena na vida.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Zé McGill&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;* Encontrei no Youtube um vídeo da festa &lt;em&gt;Dune&lt;/em&gt;, de 1999 - um ano após a nossa. Até a mulher de plástico aparece. Confiram: &lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=E2C7eK46B-k"&gt;http://www.youtube.com/watch?v=E2C7eK46B-k&lt;/a&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3689334277767611765-5229897415183215089?l=revistafoda-se.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://revistafoda-se.blogspot.com/feeds/5229897415183215089/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3689334277767611765&amp;postID=5229897415183215089' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3689334277767611765/posts/default/5229897415183215089'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3689334277767611765/posts/default/5229897415183215089'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://revistafoda-se.blogspot.com/2008/03/d-u-n-e.html' title='D  U  N  E   -   ALUCINANDO NO DESERTO'/><author><name>Revista Foda-se</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16958292788814484525</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_6KDne3Njd_g/SYBYcPCPbxI/AAAAAAAAAJI/UuNficiIY9U/S220/marrocos6.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_6KDne3Njd_g/R97wvkz17II/AAAAAAAAACU/EfjVFNWc3aw/s72-c/dune10.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3689334277767611765.post-9152481462009158623</id><published>2008-03-09T19:29:00.012-03:00</published><updated>2008-03-13T14:43:33.727-03:00</updated><title type='text'>A METEOROLOGIA DA VIDA</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp1.blogger.com/_6KDne3Njd_g/R9RlP4kwBVI/AAAAAAAAACM/JxnHcWBlKx0/s1600-h/rain4.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5175873195314513234" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp1.blogger.com/_6KDne3Njd_g/R9RlP4kwBVI/AAAAAAAAACM/JxnHcWBlKx0/s320/rain4.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;A previsão é de chuva para o final de semana. Por isso mesmo, abro o armário e saco um par de chinelos e uma bermuda. Vou à praia. Não acredito mais na meteorologia: não desde a última vez em que realmente confiei nela - e fui traído.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu casamento estava em ruínas e eu procurava um jeito de melhorar as coisas. Pensei que um final de semana na praia, com cerveja, camarão, uma cama gostosa numa pousada, e muito sol, nos faria bem. Consultei a previsão do tempo na Internet e fiquei animado: sol de sexta a domingo. Beleza. Então vamos nessa. Reservei o quarto e partimos os dois para Trindade, no litoral do Rio, ao cair da noite de sexta-feira. Dirigi por quatro horas consecutivas enquanto ela, imersa em sono profundo, babava no vidro do carona.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Acordamos cedo com a luz do sol entrando pela janela e esquentando nossos pés. A pousada ficava na beira da praia e, portanto, o preço da diária era hediondo. Gastei o que não tinha e me afundei ainda mais no cheque especial, mas tudo bem. Tudo ótimo. Precisávamos quebrar a rotina de trabalho-casa-trabalho e o dinheiro seria o último obstáculo. O primeiro seria uma gangue de nuvens negras que se aproximava da praia no momento em que erguíamos os nossos copos para o brinde.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Foram pouco mais de quinze minutos de sol antes que a chuva começasse a aguar nossa cerveja. E ainda tivemos que aturar um grupo de turistas paulistas histéricos que rolavam bêbados pela areia a poucos metros de nós. O resto do final de semana foi todo aguado. Fracasso total.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os meteorologistas e a chuva não foram os responsáveis exclusivos pelo fiasco daquela excursão praiana, mas o fato é que o casamento acabou um mês depois. O clima de Trindade não ajudou, só que a real crise climática era entre nós dois. Na verdade, faltava clima havia um bom tempo. E clima não pode faltar a um casal. De fato, clima é vital.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O clima é essencial no amor, no sexo, no trabalho, nas relações entre as pessoas, na música, no cinema, na literatura, nas fotografias e até mesmo no futebol. Imagine uma final de campeonato com estádio vazio, sem provocações entre as torcidas, sem o nervosismo da véspera que toma conta de todos os envolvidos na decisão. Sem isso tudo, não há emoção. Não há clima.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Meu filme favorito me ganhou no clima. Chama-se &lt;em&gt;Down by law&lt;/em&gt;. Rodado em preto e branco, e dirigido por Jim Jarmusch, logo na primeira cena a câmera desliza pelas ruas de um bairro pobre e faz com que o espectador sinta-se dentro de um carro espiando pela janela, absorto na atmosfera soturna do submundo. Isso ao som de &lt;em&gt;Jockey full of bourbon&lt;/em&gt; – uma música sombria de Tom Waits – outro monstro do clima. O filme conta a estória de um cafetão (John Lurie), um DJ (Tom Waits) e um turista italiano aloprado (Roberto Benigni) que se conhecem na prisão e fogem dela juntos, pelo pântano. É clima do iníco ao fim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;No sexo também. Clima é fundamental. Uma vez fui para a cama com uma menina linda, alguns anos mais nova que eu. Era noite de Natal e ela promoveu uma daquelas festas em que as pessoas vão para se embebedar após a ceia com a família. Estávamos curtindo um amasso quente num canto escuro da sala quando ela me pegou pela mão e me levou para o quarto dela.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O recinto era decorado com cores fresquinhas como amarelo claro e rosa-bebê. Notei que dezenas de bichinhos de pelúcia me fitavam com olhos plastificados e cheios de ternura. Então ela ligou o ar-condicionado numa temperatura congelante e tirou a calcinha. Fiquei analisando os pentelhos ruivos dela por alguns segundos enquanto ouvia as risadas embriagadas dos convidados na sala-de-jantar. Finalmente parti pra cima dela e... brochei. Pois é, não tinha clima. Acho que a culpa foi daqueles bichinhos de pelúcia.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Criar clima pode ser uma tarefa árdua. O sujeito pode até recorrer ao uso de uma luz especial, música, incenso e entorpecentes, mas o genuíno clima perfeito geralmente é espontâneo e natural. Talvez por isso eu prefira a chuva ao sol. A chuva tem uma capacidade singular de criar clima. Me dá prazer assistí-la cair pela janela no final da tarde e escutar o ruído causado pelo contato dos pingos com o solo. O cheiro da terra molhada, o vazio silencioso das ruas, a purificação do ar. Isso tudo me dá um certo barato. Já o sol me deixa inquieto. Faz com que eu me sinta na obrigação de sair pra rua.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;De hoje em diante, vou viver em busca dos climas. Vou estudar a meteorologia da vida. Não vou mais cometer a audácia de tentar prever o comportamento da natureza, e nunca mais vou consultar a previsão do tempo. &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Zé McGill&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;*Clique aqui e assista a um trecho do filme &lt;em&gt;Down by law, &lt;/em&gt;no Youtube: &lt;/strong&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=isLpP4XN0MM"&gt;http://www.youtube.com/watch?v=isLpP4XN0MM&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3689334277767611765-9152481462009158623?l=revistafoda-se.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://revistafoda-se.blogspot.com/feeds/9152481462009158623/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3689334277767611765&amp;postID=9152481462009158623' title='15 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3689334277767611765/posts/default/9152481462009158623'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3689334277767611765/posts/default/9152481462009158623'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://revistafoda-se.blogspot.com/2008/03/meteorologia-da-vida.html' title='A METEOROLOGIA DA VIDA'/><author><name>Revista Foda-se</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16958292788814484525</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_6KDne3Njd_g/SYBYcPCPbxI/AAAAAAAAAJI/UuNficiIY9U/S220/marrocos6.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp1.blogger.com/_6KDne3Njd_g/R9RlP4kwBVI/AAAAAAAAACM/JxnHcWBlKx0/s72-c/rain4.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>15</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3689334277767611765.post-7645796840167805199</id><published>2008-03-04T23:42:00.004-03:00</published><updated>2008-03-04T23:55:28.665-03:00</updated><title type='text'>EU &amp; CATHERINE BOCETA-JONES</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_6KDne3Njd_g/R84I_TuVONI/AAAAAAAAACE/LGnkcWnZG_I/s1600-h/catherine-zeta-jones.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5174082905614661842" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_6KDne3Njd_g/R84I_TuVONI/AAAAAAAAACE/LGnkcWnZG_I/s320/catherine-zeta-jones.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;Formosa. Airosa. Gostosa. Sinistra. A morena das peitacas violentas e olhar assassino na foto acima é Catherine Zeta-Jones, ou melhor, Catherine Boceta-Jones - a mulher que domesticou Michael Douglas - o maior tarado de Hollywood. E me domesticou também.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nascida no País de Gales, em 69, sua carreira como atriz é irrelevante. Não me interessa. Chegou a ganhar um Oscar de melhor atriz coadjuvante por sua atuação no musical debilóide &lt;em&gt;Chicago&lt;/em&gt;, mas o píncaro da carreira desta cabrita britânica é sem dúvida o papel de Marilyn Rexroth, no filme &lt;em&gt;O amor custa caro&lt;/em&gt; (2003), talvez o pior filme da carreira dos extraordinários irmãos Coen. Não chega aos pés do despojamento sarcástico de &lt;em&gt;O grande Lebowski&lt;/em&gt; ou do surrealismo obscuro de &lt;em&gt;Barton Fink&lt;/em&gt;.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o filme vale por ela. Sua beleza de égua-galesa-puro-sangue sequestra o espectador e transforma qualquer comédia romântica em fantasia. Os tradutores brasileiros também devem ter sido seqüestrados pois não perceberam que, no inglês original, o filme se chama &lt;em&gt;Intolerable cruelty&lt;/em&gt;. E o filme é isso: uma crueldade intolerável de 100 minutos praticada pela senhora Boceta-Jones.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Logo os tradutores brasileiros, que são mestres na arte de verter títulos para o português. A indústria pornográfica nacional, por exemplo, em seus momentos de tradução mais inspirados, já nos brindou com maravilhas da amoralidade como &lt;em&gt;Colegiais que levaram pau&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Me dei bem no bate-coxa&lt;/em&gt;, &lt;em&gt;Minha bunda é uma tijolada&lt;/em&gt; e &lt;em&gt;Axé devasso: minha bunda tem dendê&lt;/em&gt;. É uma pena que os tradutores não tenham percebido o que realmente importa nesta produção dos irmãos Coen. O que custa caro é o sexo, não o amor.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em &lt;em&gt;O amor custa caro&lt;/em&gt;, a trama fica em segundo plano. O enredo vira pó quando ela desfila com aquele vestidinho vermelho grudado no rabo. Aquilo é um negócio muito sério. Uma violência. A frieza perversa daquela potranca lasciva realça a cara de panaca do George Clooney, coitado. O cara passa metade do filme de queixo caído. Deve ter sofrido um bocado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas em matéria de tortura sexual, não há perito maior que Michael Douglas, o marido-taradão. Este é um perdido. E eu presto toda minha solidariedade a ele. Antes de casar-se com a Boceta-Jones, o sujeito se submeteu a crueldades das mais depravadoras. Foi colocado na linha de frente da antológica cruzada de pernas da Sharon Stone em &lt;em&gt;Instinto Selvagem&lt;/em&gt;, e obrigado a simular cópulas animalescas com Glen Close, em &lt;em&gt;Atração fatal&lt;/em&gt;. O Douglas não conquistou de graça o título de maior ninfomaníaco da história do cinema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Imagino como seja um típico dia de domingo na vida do casal Zeta-Douglas. Ela faz biquinho com a boca e pede a ele para ir pegar um copo de &lt;em&gt;ice tea&lt;/em&gt; na geladeira. Ele tem uma ereção. Ela veste uma camisola de seda. Ele toma um coquetel de calmantes. Ela faz ginástica no chão da sala. Ele tem um ataque epiléptico no sofá. Das duas, uma: ou ela finalmente cura o cara, ou mata ele de uma vez. E fica com a herança.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Agora, Zetuda não é apenas o melhor rosto, a melhor boca, o melhor cabelo e a melhor bunda de Hollywood. Ela é o que se chama por aí de mulherão. O maior mulherão do mundo. E o que me mata nela é o olhar. Ela é capaz de hipnotizar qualquer figurão – ou figurinha – numa piscadela sacana. Eu fui hipnotizado e estou apaixonado. Te amo, Catherine.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Perdi a conta das manhãs em que acordei de pau duro após uma madrugada de sonhos eróticos com você. Se os japoneses lutadores de judô inventaram a chave-de-braço, você, Cetherine, inventou a chave-de-boceta. Vem rolar comigo pelo tatame? Pra você, eu peço arrego. Pinico.&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;Zé McGill&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;PS - Você já foi domesticado assim por alguém? Deixe seu comentário abaixo e a Revista Foda-se indicará um tratamento especial.&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3689334277767611765-7645796840167805199?l=revistafoda-se.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://revistafoda-se.blogspot.com/feeds/7645796840167805199/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3689334277767611765&amp;postID=7645796840167805199' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3689334277767611765/posts/default/7645796840167805199'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3689334277767611765/posts/default/7645796840167805199'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://revistafoda-se.blogspot.com/2008/03/eu-catherine-boceta-jones.html' title='EU &amp; CATHERINE BOCETA-JONES'/><author><name>Revista Foda-se</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16958292788814484525</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_6KDne3Njd_g/SYBYcPCPbxI/AAAAAAAAAJI/UuNficiIY9U/S220/marrocos6.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_6KDne3Njd_g/R84I_TuVONI/AAAAAAAAACE/LGnkcWnZG_I/s72-c/catherine-zeta-jones.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3689334277767611765.post-6546828391466213715</id><published>2008-02-25T17:59:00.011-03:00</published><updated>2008-02-26T16:19:11.706-03:00</updated><title type='text'>QUEIMANDO DINHEIRO</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_6KDne3Njd_g/R8MuCb-kAmI/AAAAAAAAAB0/YsOcjgB_PFM/s1600-h/mendigo.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5171027416556241506" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_6KDne3Njd_g/R8MuCb-kAmI/AAAAAAAAAB0/YsOcjgB_PFM/s320/mendigo.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Não confio em ninguém que não tenha coragem de queimar uma nota de cinqüenta reais. O sujeito que se acovarda diante de um pedaço de papel não merece respeito.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nossos medos se reciclam de acordo com o desenvolvimento da raça humana. Mas já há bastante tempo, o dinheiro - ou a falta dele - tornou-se o medo supremo do homem. Antigamente, &lt;em&gt;Deus &lt;/em&gt;era o grande medo do mundo. As igrejas conquistavam uma quantidade indecente de fiéis através da filosofia do medo. Hereges e ateus eram queimados vivos. Cientistas eram considerados loucos e isolados pela sociedade. Era perigoso o simples fato de não praticar a fé. Isto, até que a própria igreja fosse assaltada pelo dinheiro. Daí em diante, o dinheiro tornou-se a maior religião do planeta, deixando o catolicismo, o islamismo e o judaísmo no chinelo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu fazia muita merda nos meus tempos de ginásio. E uma dessas merdas causou minha suspensão do colégio (e de dois amigos) por uma semana. Além disso, a diretora aconselhou nossos responsáveis a nos levarem a uma psicóloga. Chegando lá, a primeira pergunta que ela me fez foi: “Se você pudesse acabar com uma única coisa no mundo, o que seria?”. Na hora pensei: “Que porra de pergunta é essa?”, mas respondi que, se pudesse, acabaria com o dinheiro. Ainda lembro da expressão de espanto no rosto da velha. Não sei se hoje minha resposta seria a mesma, mas até que a idéia de um mundo sem dinheiro não é totalmente má...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não tenho paciência nem pretensão de criticar o sistema capitalista ou de evocar a tese de que o dinheiro não compra a felicidade. Mas acho fascinante o pavor que causa às pessoas a idéia da pobreza. Num mundo onde imperam a busca da ascensão social e do culto à prosperidade, vive-se uma eterna correria na fuga de um dedo indicador imaginário que está sempre apontado para o cu do cidadão, pronto para ser enterrado. É bom correr muito para pagar as contas e as dívidas, senão o dedo entra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Cada vez menos as pessoas param pra pensar na vida ou para se renovar espiritualmente. Os pequenos prazeres são cada vez menores e menos apreciados. Os executivos usam cada vez mais a caneta e cada vez menos o pau. E quando atingem uma situação financeira confortável, décadas de labuta mais tarde, normalmente já perderam a capacidade de aproveitar a vista para o mar de sua cobertura duplex. O prazer proporcionado pelo luxo não dura mais de uma semana. Depois disso, a cascata artificial enfiada no meio da sala-de-estar e habitada por filhotes de crocodilos australianos, perde a graça. Tudo fica obsoleto, tudo fica muito comum.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Enriquecer virou sinônimo de vitória, e todo mundo quer ser campeão. Neste campeonato, o número de pontos é mensurado pelo tamanho do salário, e sendo assim, os presidentes das grandes corporações ocupam o topo da tabela de classificação e celebram suas conquistas ao som de “We are the Champions”, do Queen. No oposto inferior da tabela, segurando a lanterninha e desprezados universalmente, ficam os mendigos. No entanto, se fosse possível ganhar mil reais por semana mendigando, a mendicância se tornaria automaticamente uma profissão respeitável e os mendigos estariam disputando títulos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Segundo o escritor inglês George Orwell (no livro &lt;em&gt;Na pior, em Paris e Londres&lt;/em&gt;), “Se observados sob um ponto de vista realista, os mendigos também são homens de negócios que tentam ganhar a vida, do jeito que der. Não venderam a honra, não mais do que a maioria dos homens modernos. Simplesmente cometeram o erro de escolher um negócio no qual é impossível enriquecer”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E enriquecer é de fato vital nos dias de hoje, sobretudo para o indivíduo do sexo masculino. Se você é proprietário de uma bicicleta enferrujada e não consegue comer ninguém, adquira um carrão importado. Você provavelmente não encontrará pelas ruas a mulher da sua vida, mas trepará feito um jovem e viril chimpanzé.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Certa vez, na saída de uma antiga casa de shows do Humaitá (RJ), parei numa carrocinha de cachorro-quente para matar a fome da madrugada. Já havia dado a primeira mordida no sanduíche quando, do meio do nada, surge um mendigo com uma nota de cinqüenta reais na mão. Sem dizer uma palavra, estendeu a nota suja e amassada para o vendedor, que imediatamente lhe serviu um lanche e agradeceu com a maior educação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando o maltrapilho virou as costas e sumiu na escuridão das ruas, o vendedor me disse que toda semana ele aparecia ali com uma nota de cinqüenta. E completou dizendo: “Deve ser algum ex-empresário que pirou”. Aquela nota surrada de cinqüenta reais comprou a tolerância do homem da carrocinha, assim como um bom salário compra o respeito da síndica do prédio e do gerente do banco. É uma questão de “valores”. E buscar este tipo de aceitação por parte da sociedade é opção de cada um.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Podem me chamar de aluado, rebelde, alienado, doidão etc. Mas eu prefiro escutar um sincero “Vá pra puta que o pariu” a um hipócrita “Bom dia, doutor”. Prefiro as pessoas que não topam tudo por dinheiro, que não abrem as pernas diante de um pedaço de papel ou de um cartão de plástico reluzente. Vejo o dinheiro muito mais como um cachorro vira-latas do que como um vampiro assustador.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E se você não tem coragem de atear fogo em uma cédula de cinqüenta reais, tudo bem, mas experimente ao menos limpar a bunda com ela. Depois, basta passar uma aguinha antes de entregá-la ao moço da padaria. Ele aceitará a nota, mesmo que estranhe o perfume.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Zé McGill&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;strong&gt;*PARA SER INFORMADO SOBRE AS ATUALIZAÇÕES DO BLOG DA REVISTA FODA-SE, MANDE UM E-MAIL COM O ASSUNTO "FODA-SE" PARA &lt;/strong&gt;&lt;a href="mailto:revistafodase@gmail.com"&gt;&lt;strong&gt;revistafodase@gmail.com&lt;/strong&gt;&lt;/a&gt; &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3689334277767611765-6546828391466213715?l=revistafoda-se.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://revistafoda-se.blogspot.com/feeds/6546828391466213715/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3689334277767611765&amp;postID=6546828391466213715' title='10 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3689334277767611765/posts/default/6546828391466213715'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3689334277767611765/posts/default/6546828391466213715'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://revistafoda-se.blogspot.com/2008/02/queimando-dinheiro.html' title='QUEIMANDO DINHEIRO'/><author><name>Revista Foda-se</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16958292788814484525</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_6KDne3Njd_g/SYBYcPCPbxI/AAAAAAAAAJI/UuNficiIY9U/S220/marrocos6.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_6KDne3Njd_g/R8MuCb-kAmI/AAAAAAAAAB0/YsOcjgB_PFM/s72-c/mendigo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>10</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3689334277767611765.post-1106990495645867915</id><published>2008-02-14T17:38:00.020-02:00</published><updated>2008-02-21T11:03:12.785-03:00</updated><title type='text'>MISTER DYNAMITE</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_6KDne3Njd_g/R7SgLb-kAiI/AAAAAAAAABY/0zLfyu1P2Zo/s1600-h/foto+JB.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5166930790849970722" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_6KDne3Njd_g/R7SgLb-kAiI/AAAAAAAAABY/0zLfyu1P2Zo/s320/foto+JB.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;“Senhoras e senhores, com vocês, o homem que trabalha mais duro no mundo do show business. O Padrinho do Soul. O Mister Dynamite”. Assim era anunciada a chegada ao palco de James Brown ao longo dos seus mais de 40 anos de carreira. E assim ele foi introduzido ao público naquela noite, no final do verão de 2006, em San Diego, Califórnia, para o meu delírio e das pouco mais de mil almas presentes ao galpão velho e tosco da 4th and B – tradicional casa de shows da cidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Algumas semanas antes, ainda no Rio, escrevi um e-mail para minha mãe, que morava em San Diego havia alguns anos, afim de planejar os detalhes da minha visita. Entre outras coisas, perguntei a ela se no período em que eu estivesse por lá haveria algum show que valesse a pena. Não criei muita expectativa porque, afinal de contas, a viagem não duraria mais de duas semanas. Mas, para minha surpresa, o e-mail de resposta dizia o seguinte: “Li que vai ter um show do James Brown aqui. Interessa?”. Era o mesmo que perguntar se o macaco queria banana. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt;Jamais me perdoei por nunca ter ido a um show do Tim Maia – o maior cantor brasileiro de todos os tempos. Mas se eu não havia visto o pai do funk brasileiro ao vivo, teria agora o alento de estar presente a um dos últimos shows do pai do funk original. Sly &amp;amp; The Family Stone, George Clinton, WAR, The Isley Brothers e The Meters são todos geniais, mas James Brown é como os Beatles – uma entidade. Ele é o número zero em qualquer lista dos dez ou cinquenta maiores nomes do gênero. Está acima de qualquer comparação.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na porta da casa de shows, uma meia-dúzia de três ou quatro fanáticos religiosos perambulava no meio da galera segurando a Bíblia e rogando ao público que não adentrasse naquele ritual profano. Segundo estes patetas semi-albinos, o funk/soul era música do Satanás... Caguei pra eles e entrei na fila feliz da vida. Minha mãe decidiu na última hora que me faria companhia e estava ao meu lado na fila quando um segurança pediu a ela que abrisse a bolsa. Após a revista completa, típica da paranóia moderna norte-americana, entramos e fomos procurar o nosso lugar no salão.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O público era composto em sua maioria por negros de meia-idade. As mulheres exibiam roupas e adornos coloridos e papeavam animadas enquanto os homens formavam uma fila gigante em busca de cervejas e margueritas. Havia um agradável clima de nostalgia dos anos 70 no ar. A única coisa que me incomodava era o nosso lugar na platéia. Estava impresso no bilhete que deveríamos assistir ao show na parte lateral do galpão, do lado direito do palco, onde havia uma grande fileira improvisada de cadeiras de metal. Gelei com a idéia de ter que permanecer sentado ali sabendo que seria impossível ficar parado em um show do Soul Brother Número Um.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas bastaram a introdução ao microfone e os primeiros graves do baixo para que eu me levantasse e partisse para o meio da pista. Minha mãe não se importou em ficar sozinha e ainda me emprestou uma máquina digital vagabunda para que eu registrasse as imagens do baile. Tomei uma linha reta em direção à beira do palco e usei os cotovelos para abrir caminho no meio da massa. Finalmente fiquei frente-a-frente com a James Brown Band: três guitarristas, dois baixistas, dois bateristas, três na linha de metais, um percussionista, um tecladista, duas cantoras nos backing vocals e mais duas dançarinas boazudas, com os respectivos umbigos desnudos.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando o homem pisou no palco, cerca de quinze minutos depois da banda, senti um calafrio. Mr. Brown chegou envolto numa manta dourada, um canhão de luz iluminava seu rosto escalafobético de 73 anos de idade. Caminhou lentamente pelo tablado até se posicionar defronte ao microfone central. E então a ninfeta que o acompanhava soltou sua mão e retirou a manta de seus ombros. A cobra ia fumar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Urrando como urra um porco ao ser assassinado no abatedouro, ele abriu a noite com “I Got You (I Feel Good)”. Logo percebi que o velho ainda esbanjava energia e sentia-se realmente bem. Os movimentos de dança já não eram os mesmos de outrora, mas o malabarismo com os pés e a clássica ajoelhada no meio do palco estavam garantidos. Lembrei de um amigo meu do Rio que, ao saber que eu assistiria a um show de James Brown, fez o seguinte comentário: “O cara é uma múmia... é capaz dele usar andador pra se locomover no palco”. Não tinha múmia nem andador. O cara não estava no auge da forma física, mas compensava tudo no entusiasmo e no gogó.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Em seguida foram enfileirados clássicos do groove como “Papa’s Got a Brand New Bag”, “Make it Funky” e “Cold Sweat”. No meio desta última, percebi que JB olhou para um dos baixistas e espalmou a mão direita por duas vezes. Aquele gesto sutil significava que o instrumentista havia escorregado no andamento em algum trecho da música e o erro lhe custaria duzentos dólares de “multa” ao final do show. Notei a tensão no rosto do baixista, que engoliu em seco mas continuou tocando.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Àquela altura eu já estava na terceira cerveja e com a camiseta encharcada de suor. É fato que nunca requebrei tanto em um show com meus ridículos passos de dança. E olha que vivo no Brasil, onde o samba, o forró e o frevo sacodem a carcaça da nação o ano inteiro. Mas ali constatei que nenhuma música no mundo é tão rica quanto a música negra norte-americana. Não bastassem o Blues, o Jazz, o Gospel, o Rap e a Disco, ali estava a nata do Funk e do Soul provando que os afro-americanos são os grandes mestres na arte de atingir a alma e os quadris humanos através da música.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Entre os personagens da banda de Brown, os que mais despertaram minha atenção foram os guitarristas. Com levadas simples e certeiras, eles exploravam os agudos com personalidade, ditando o ritmo do balanço. Qualquer sujeito com ouvido razoavelmente apurado dirá que o baixo é o carro-chefe do funk. E os graves sem dúvida são fundamentais, mas de vez em quando as guitarras roubam a cena, como meliantes elétricas. Os discos do Mister Dynamite são prova disso. Ouça, por exemplo, “In The Jungle Groove” (1986), uma coleção de pedradas do mestre que conta com a colaboração dos irmãos Bootsy e Catfish Collins, no baixo e na guitarra, respectivamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Please, Please, Please” abriu o momento-mela-cueca do show e eu fui pegar outra cerveja. Na volta, passei por um jovem que se atracava aos beijos com duas colegiais louras ao mesmo tempo. O clima ali estava quente. E esquentou ainda mais quando a banda puxou “Sex Machine” e JB mandou a platéia rebolar seus “fazedores de dinheiro”. “Shake your money maker!”, ordenava o insano mestre de cerimônias enquanto se retirava do palco.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Chegou a hora do bis, e eu já começava a lamentar a ausência no set list de duas das minhas faixas favoritas - “The Payback” e “Say It Loud (I´m Black and I´m Proud)” – quando a banda lançou as primeiras notas de uma balada que eu até então havia escutado uma ou duas vezes sem prestar muita atenção: “It´s a Man’s Man’s Man’s World”. Aquela era a saideira e durou mais de dez minutos. Lembro de ficar chapado com o riff trastejante da guitarra, que criava o clima dramático da canção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A letra dizia que o mundo é dos homens, mas que ele não valeria nada se nele não houvesse uma mulher ou uma garota. Emocionado e cantando muito, Brown emendou um discurso improvisado em que lamentava: “O homem fez a luz elétrica para nos tirar do escuro, mas também joga aviões sobre edifícios e fez a guerra no Iraque”. A casa veio abaixo e pela primeira vez na vida chorei em um show. As lágrimas não eram para Osama, e muito menos para George Bush, mas para aquele bandleader cabeçudo criado nos guetos da Georgia que eu nunca mais veria em ação novamente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;James Brown me fez querer ter nascido negro. Ele me fez lembrar de Pelé, Adílio, Michael Jordan, Mike Tyson, Muhammad Ali, Fela Kuti, Bob Marley, Jorge Ben, Mussum e tantos outros gênios negros que são referências em minha vida. Mas o tom de despedida daquele último número foi demais pra mim, sem frescura. Chorei mesmo, de satisfação, e choraria de novo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Na saída, reencontrei minha mãe, mas não consegui emitir sequer um comentário. Eu estava mudo e assim permaneci pelos quinze minutos seguintes. Entrei no carro ainda atordoado e fiquei contando as luzes do Freeway no caminho de casa. Eu nem sabia, mas aquele show, carregado de sentimento, energia e estilo foi um dos últimos da vida de James Brown. Ele morreria três meses depois, vítima de uma pneumonia. &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Zé McGill&lt;/span&gt; &lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;PS 1 - Recomendo dois vídeos imperdíveis de James Brown no Youtube: &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;O primeiro é uma apresentação de “It’s a Man’s Man’s Man’s World”, em 1966 (&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=PgVLCzt81dw"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;http://www.youtube.com/watch?v=PgVLCzt81dw&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;). &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;O segundo é de mijar de rir. JB bêbado é entrevistado ao vivo na TV após se livrar de mais uma prisão por disparar vários tiros contra o carro em movimento de sua ex-mulher. (&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;a href="http://www.youtube.com/watch?v=9tfNhL_R_rI"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;http://www.youtube.com/watch?v=9tfNhL_R_rI&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;PS 2 – Se você mora no Rio de Janeiro e quer curtir uma festa com muito James Brown e outros monstros do funk, não pode deixar de ir a uma edição da Soul, Baby, Soul, que neste verão fica sediada no Cine Lapa (Av. Mem de Sá, 23, Lapa - &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;a href="http://matrizonline.oi.com.br/cinelapa"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;http://matrizonline.oi.com.br/cinelapa&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;).&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-size:78%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3689334277767611765-1106990495645867915?l=revistafoda-se.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://revistafoda-se.blogspot.com/feeds/1106990495645867915/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3689334277767611765&amp;postID=1106990495645867915' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3689334277767611765/posts/default/1106990495645867915'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3689334277767611765/posts/default/1106990495645867915'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://revistafoda-se.blogspot.com/2008/02/mister-dynamite.html' title='MISTER DYNAMITE'/><author><name>Revista Foda-se</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16958292788814484525</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_6KDne3Njd_g/SYBYcPCPbxI/AAAAAAAAAJI/UuNficiIY9U/S220/marrocos6.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_6KDne3Njd_g/R7SgLb-kAiI/AAAAAAAAABY/0zLfyu1P2Zo/s72-c/foto+JB.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3689334277767611765.post-8530659651406238796</id><published>2008-02-05T00:23:00.002-02:00</published><updated>2008-03-04T23:50:42.179-03:00</updated><title type='text'>ABRAM ALAS PARA O BLOCO FODA-SE</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_6KDne3Njd_g/R6fI4OvFiaI/AAAAAAAAABA/UphXMEpzg8c/s1600-h/blocofoda-se.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5163316366157384098" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_6KDne3Njd_g/R6fI4OvFiaI/AAAAAAAAABA/UphXMEpzg8c/s320/blocofoda-se.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Não adianta. Eu não nasci pro Carnaval. Eram cinco horas da tarde da segunda-feira festiva e eu estava tentando tirar um humilde cochilo quando o barulho começou. Batucada, apitos e gritos de uhuuuuu invadiram a minha rua. Ainda fechei a janela e aumentei o som da TV, que rolava baixinho para ajudar a engrenar no sono. Tudo em vão. Minha soneca diurna estava condenada ao fracasso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Qualquer bloquinho de fundo de quintal hoje em dia vem equipado de um sistema de som digno de trio elétrico baiano. E este não era diferente. Os alto-falantes no talo faziam reverberar por todo bairro aquela fanfarronice tupiniquim: “É hoje o dia da alegria e a tristeza nem pode pensar em chegar”. Atenção: a tristeza nem pode pensar em chegar. Se você está na merda, se a sua mulher te deu um bico na bunda ou se a vida acaba de te dar uma porrada, fodeu. Nem chegue perto. Vade retro.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;É isso aí. A alegria do Carnaval é implacável. Portanto, é melhor se enquadrar, andar na linha, seguir o bloco e dançar conforme a música. Não é permitido curtir uma fossa. Não pode nem ficar parado. Todo mundo pulando! Todo mundo gritando! Todo mundo mijando na calçada! Todo mundo de olho no rabo da mulher alheia! Geral sambando, vamos lá que a vida é uma só.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E a música continuava... “Diga espelho meu se há na avenida alguém mais feliz que eu”. Pois é. O Carnaval chegou e no pacote veio essa alegria devastadora, ninguém sabe o porquê, mas não interessa, ninguém é mais feliz que eu nessa avenida. Bim-bá! Bim-bá! E a vadiagem seguia a mil por hora debaixo da minha janela. Preferi nem aparecer para não correr o risco de ser vaiado com aquela cara de sono.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nunca entendi a alegria alienada do folião. Até porque, alegria não se planeja. Ninguém me convence de que é possível agendar uma data e gozar a vida conforme o calendário. A felicidade é sutil e chega sem a gente perceber. Quando nos damos conta, ela já está embrenhada nas entranhas. E muitas vezes só realizamos que ela esteve aqui depois que ela já foi embora.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A gasolina da euforia carnavalesca deve ser mesmo o samba. Veja por exemplo a letra de um samba que fez muito sucesso num Carnaval dos anos 80. O refrão era mais ou menos assim: “Lebaraô-ô-ô-ô-ô-É-bolê-bará-laiá-laiá-ô...”. Lembra disso? Genial. Poesia pura. E a Marquês de Sapucaí ia ao delírio. A letra deve ter sido bolada em algum buraco quente de macumba porque ninguém resistia, todo mundo cantava. Lebaraô. Esse é o Brasil.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ninguém quer saber do Cartola no Carnaval. Ele que, com seu nariz impregnado de piche, cantava aqueles sambas bonitos do tipo “O Mundo é um Moinho” – composto em homenagem à sua filha - que era puta. Cadê o Cartola? O cara é o maior gênio do samba mas nunca vi um bloco que tocasse uma música sua no Carnaval. Se você souber de algum bloco que embale um samba do Cartola, me avise que eu vou lá. Vou porra nenhuma, mas enfim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;O negócio é inovar. Vem aí o Bloco Foda-se. Sai na quarta-feira de cinzas, se chover, e a trilha sonora é a seguinte: Joy Division, The Cure, Leonard Cohen, Portishead, Lupicínio Rodrigues, Maysa e Dolores Duran. Quem sabe rola também “Me Dê Motivo”, do Tim Maia, e “Death of a Party”, do Blur. Esse bloco sim, já vem arquitetado para o DEZ, NOTA DEZ, no quesito harmonia. Nosso enredo será a melancolia. Todo mundo vestido de preto! Todo mundo com cara de deprimido! Todo mundo pálido! Geral na merda.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Então é isso. A gente se vê na quarta-feira de cinzas. A concentração do Bloco Foda-se é na Quinta da Boa Vista, em frente ao portão principal do Zoológico. Ao invés de Engov e Sonrisal, vai ter distribuição gratuita de Prozac pra todo mundo. Vamos todos celebrar a culpa e o pessimismo. Sem medo e sem preconceito. Depois, tudo volta ao normal. Afinal, o ano só começa depois do Carnaval. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:Verdana;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Bim-bá, bim-bá! &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;*(Fiz uma música em homenagem ao Carnaval, quando eu cantava numa banda chamada SereS. Quem quiser, pode escutar aqui: &lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;a href="http://tramavirtual.uol.com.br/artista.jsp?id=8658"&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt;http://tramavirtual.uol.com.br/artista.jsp?id=8658&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/a&gt;&lt;em&gt;&lt;span style="font-family:verdana;font-size:85%;"&gt; . Clique na música "No Carnaval".)&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;em&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/em&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Zé McGill&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3689334277767611765-8530659651406238796?l=revistafoda-se.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://revistafoda-se.blogspot.com/feeds/8530659651406238796/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3689334277767611765&amp;postID=8530659651406238796' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3689334277767611765/posts/default/8530659651406238796'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3689334277767611765/posts/default/8530659651406238796'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://revistafoda-se.blogspot.com/2008/02/abram-alas-que-o-bloco-foda-se-vai.html' title='ABRAM ALAS PARA O BLOCO FODA-SE'/><author><name>Revista Foda-se</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16958292788814484525</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_6KDne3Njd_g/SYBYcPCPbxI/AAAAAAAAAJI/UuNficiIY9U/S220/marrocos6.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_6KDne3Njd_g/R6fI4OvFiaI/AAAAAAAAABA/UphXMEpzg8c/s72-c/blocofoda-se.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3689334277767611765.post-1972762137278705136</id><published>2008-01-31T13:19:00.001-02:00</published><updated>2008-02-25T18:29:36.768-03:00</updated><title type='text'>UMBABARAUMA OU POR QUE EU SOU FLAMENGUISTA DOENTE?</title><content type='html'>&lt;p&gt;&lt;a href="http://bp2.blogger.com/_6KDne3Njd_g/R6ZL-evFiWI/AAAAAAAAAAg/YSf12SiiDcE/s1600-h/zeezico.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5162897559601383778" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp2.blogger.com/_6KDne3Njd_g/R6ZL-evFiWI/AAAAAAAAAAg/YSf12SiiDcE/s320/zeezico.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Dizem que o Flamengo tem a maior torcida do Brasil porque as primeiras transmissões de jogos de futebol pela Rádio Nacional privilegiavam as partidas que envolvessem o time da Gávea, numa espécie de propaganda em massa. Dizem que o primeiro time do Rubro-Negro treinava na praia e que por isso teria conquistado o coração do povo. Dizem que a combinação das cores vermelha e preta é coisa do Demo. E dizem também que mulher que perde a virgindade antes do casamento vira mula-sem-cabeça e que de boas intenções o inferno está cheio. Dizem.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nasci no estado do Oregon, nos Estados Unidos, e sei que a parcela gringa da minha família – por parte de mãe – não tem a menor idéia do que seja o esporte bretão. Eles até já ouviram falar em Pelé, mulatas e araras, mas futebol pra eles é aquele jogo em que um bando de trogloditas encapacetados se atracam na disputa por uma bola oval que não consegue rolar no gramado artificial. Meu falecido tio Harry era fã dos San Francisco 49ers. Aposto que ele morreu achando que a maior glória do esporte era o touchdown. Pobre tio Harry.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando desembarquei no Brasil, aos três meses de idade, meu avô paterno já fazia parte da diretoria do Flamengo. Por isso, durante muitos anos desfrutei de regalias que causariam inveja a qualquer torcedor mirim ou master: Entrei em campo de mãos dadas com o Zico, conheci a concentração dos jogadores em São Conrado e participei de correntes no vestiário antes dos jogos. Muitas vezes fui ao estádio no ônibus da delegação e uma vez voltei pra casa no carrão do técnico Vanderlei Luxemburgo, com ele ao volante e meu avô no banco do carona. A taça de um torneio carioca no meu colo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha mãe conta que um dia, aos quatro anos de idade, acordei e fui dizer a ela o seguinte: “Mãe, eu não consigo tirar o Raul da cabeça!”. O ano era 1981 e suponho agora que o Raul, goleiro do Flamengo naquela época, tenha invadido meu sono pouco depois de 13 de dezembro daquele ano, data da maior conquista do clube: o título mundial no Japão. A senhora minha mãe afirma ainda que eu repetiria aquela frase pelos próximos dois dias. E, naturalmente, ficou preocupada. Uma criança naquela idade deveria soltar frases do tipo “Mãe, eu quero ir ao Tivoli Park!!” ou “Mãe, eu quero geléia de mocotó!”. No entanto, o que passava pela minha cabeça era a imagem do Raul com sua camisa amarela de número 1.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A minha primeira vez no Maracanã foi para assistir a um Flamengo e São Paulo, no ano seguinte. Não me recordo dos detalhes da partida, mas hoje sei que os paulistas ganhavam por dois a zero e que o Flamengo virou com gols de Zico, Andrade e Zico, nesta ordem. Me lembro que, no momento da virada, meu pai me levantou sobre a cabeça ao mesmo tempo em que soltava o grito alucinado de gol! Pela primeira vez senti a arquibancada tremer com os pulos e os urros da multidão. Ao nosso lado, um negão gordo e beiçudo babava e saltitava sem parar, sorrindo com a língua de fora. Acho que a baderna me deixou mais assustado que qualquer outra coisa, afinal eu mal completara meu quinto aniversário e ainda devia chupar chupetas. Mas aquele foi o meu batizado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Naquele dia, sem perceber o que estava acontecendo, ingressei na ala infantil dos doentes mentais do manicômio vermelho e preto. Eu havia contraído uma doença incurável de sintomas peculiares que se manifestariam principalmente nas tardes de domingo pelo resto da minha vida. Não se tratava de nenhuma doença rara e nunca atingi sua fase terminal, ou seja, nunca passei a noite na fila da bilheteria de um estádio dormindo ao relento à espera de um ingresso, o que chega a ser comum entre os milhares de indivíduos infectados por tal enfermidade neste país. No meu caso, a bipolaridade sempre foi o maior efeito colateral da doença. Sua capacidade de estragar o meu dia (no caso de uma derrota) ou de me fazer feliz (nas vitórias) é impressionante.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nelson Rodrigues dizia que toda unanimidade é burra. Violentaram a frase dele e hoje em dia se diz que toda maioria é burra. Pois eu sou muito, muito burro então. Faço parte de uma maioria de quarenta milhões de fanáticos e não consigo encontrar uma explicação lógica para isso. Não sei como cheguei a este nível de burrice, talvez eu simplesmente não tenha nada melhor para fazer com o meu tempo, mas sei que ainda outro dia me flagrei desesperado dentro de um ônibus, preso no trânsito. Era dia de jogo e faltavam menos de dez minutos para o apito inicial. Buzinas berravam ao redor, a chuva desabava do céu e um mosquito azucrinava meu ouvido. Mas eu só conseguia pensar em chegar depressa em casa para me sentar na frente da televisão e ver o jogo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Parei por um minuto e comecei a pensar no motivo daquela minha aflição irracional. Não acredito que minha paixão doentia pelo Flamengo se dê pelos motivos do meu currículo familiar. Meu irmão, por exemplo, passou por quase todas as experiências catequizadoras descritas acima e hoje em dia não sabe nem quem é o técnico da equipe. De certa forma, o invejo por isso. Ele não sofre como eu quando somos eliminados da Taça São Paulo de Futebol Júnior. Ele não briga com a mulher dele quando um timeco obscuro do Uruguai nos mete três a zero goela abaixo. Ele não caminha macambúzio e cabisbaixo pelas vielas desertas quando nosso time é derrotado.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Por outro lado, não sei se o meu irmão saboreou como eu aquele rompante de euforia que me acometeu quando o Renato Gaúcho arrancou do meio-de-campo com a bola dominada, passou pelo zagueiro e driblou o goleiro João Leite antes de tocar para o fundo da rede no mais incrível jogo de futebol que já assisti: Flamengo 3 x 2 Atlético Mineiro, semi-final da Copa União de 1987. Era o gol apoteótico de uma vitória inesquecível e eu extravasava a tensão que havia se apoderado do meu pequeno esqueleto de dez anos de idade me debatendo contra o chão da sala num misto de raiva e alegria.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Assim que aquele jogo terminou, a sensação era parecida com a do relaxamento que ocorre logo em seguida a um orgasmo. Tranquilidade absoluta e um prazer formigante na espinha. Talvez esteja escondido nesta sensação pós-vitória o motivo da minha tara pelo Flamengo. Talvez tudo não passe de uma busca frenética pela próxima dose de formigamento espinal. Talvez. Mas ali dentro do ônibus, vinte anos depois, nada desta baboseira subjetiva importava. Eu queria era chegar em casa o quanto antes e ligar a TV.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando o ônibus se livrou do engarrafamento, vi que ainda poderia chegar a tempo. Passaram-se mais alguns minutos e finalmente puxei a cordinha da campainha e a porta traseira daquela banheira motorizada se abriu. De repente, o Umbabarauma se libertou de dentro de mim. Eu já podia até escutar os acordes iniciais e a batida afro-samba-hardcore da música do Jorge Ben. Saí correndo e tropeçando pela calçada, o coração quase saindo pela boca. Mas tudo acabaria bem. Eu chegaria a tempo de ver Obina – a encarnação do ponta-de-lança africano idealizado pelo compositor - ajudar o time a vencer aquela batalha épica: Flamengo vs. Cardoso Moreira.&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/p&gt;&lt;p&gt;Zé McGill&lt;/p&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3689334277767611765-1972762137278705136?l=revistafoda-se.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://revistafoda-se.blogspot.com/feeds/1972762137278705136/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3689334277767611765&amp;postID=1972762137278705136' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3689334277767611765/posts/default/1972762137278705136'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3689334277767611765/posts/default/1972762137278705136'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://revistafoda-se.blogspot.com/2008/01/umbabarauma-ou-por-que-eu-sou.html' title='UMBABARAUMA OU POR QUE EU SOU FLAMENGUISTA DOENTE?'/><author><name>Revista Foda-se</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16958292788814484525</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_6KDne3Njd_g/SYBYcPCPbxI/AAAAAAAAAJI/UuNficiIY9U/S220/marrocos6.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp2.blogger.com/_6KDne3Njd_g/R6ZL-evFiWI/AAAAAAAAAAg/YSf12SiiDcE/s72-c/zeezico.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3689334277767611765.post-3361237747880174515</id><published>2008-01-23T23:14:00.001-02:00</published><updated>2008-03-04T23:50:11.654-03:00</updated><title type='text'>JUVENTUDE BRONZEADA</title><content type='html'>&lt;a href="http://bp3.blogger.com/_6KDne3Njd_g/R6Zg-uvFiZI/AAAAAAAAAA4/cJjoA8r1kRQ/s1600-h/por-do-sol-em-ipanema.jpg"&gt;&lt;img id="BLOGGER_PHOTO_ID_5162920653640534418" style="DISPLAY: block; MARGIN: 0px auto 10px; CURSOR: hand; TEXT-ALIGN: center" alt="" src="http://bp3.blogger.com/_6KDne3Njd_g/R6Zg-uvFiZI/AAAAAAAAAA4/cJjoA8r1kRQ/s320/por-do-sol-em-ipanema.jpg" border="0" /&gt;&lt;/a&gt; &lt;span style="font-size:85%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Sete horas da noite, sexta-feira quente de janeiro. Corre o horário de verão e o sol ainda ferve lá no alto, olhando pra baixo e vibrando com o derretimento alheio. Saí do trabalho, na Torre do Rio Sul - o World Trade Center carioca – e resolvi caminhar pelo calçadão da praia, do Leblon até o Arpoador. Tenho 30 anos. Bebo bem, fumo melhor ainda e minhas juntas às vezes pedem arrego. Não custa nada trocar o óleo uma vez por mês e curtir um pouco do verão carioca... Ahhh, o verão carioca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Atravesso a ciclovia e dou logo de cara com a primeira madame de bunda murcha conduzindo seu poodle branco e perfumado. Sempre detestei poodles. É sem dúvida o cachorro mais escroto do mundo, com seu rabinho de pompom de animadora de torcida de futebol americano. E o Leblon está infestado deles. Da atendente da loja de sucos ao magnata proprietário da cobertura, são todos poodles.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas eis que surge a primeira morena gostosa trotando na minha frente com um short branco colado na bunda. Rêgo balançando, fones no ouvido. Fiquei tentando adivinhar o que ela estaria escutando. Provavelmente alguma coletânea do Oswaldo Montenegro e Oswaldo Montenegro é chato pra caralho, mas foda-se. Fui seguindo a bunda até Ipanema.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Lembrei da minha cena predileta de todos os tempos do cinema nacional, quando o José Wilker leva a Vera Fischer pra dar uma trepada no Alto da Boa Vista em “Bonitinha, Mas Ordinária”. De repente, no meio da foda, aparece um indigente gritando “Eu também quero, eu também sou filho de Deus!”. E o casal foge. A Vera tapando os peitos com o braço.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Olhei de novo pra bunda da morena e comecei a pensar: porra, eu também sou filho de Deus. Vou chegar e dizer isso pra ela... “Eu também quero! Eu também sou filho de Deus!”. No máximo corre o risco de ela achar que eu estou vendendo bíblias. Apertei o passo, já quase em Ipanema, colei nela e falei a frase do indigente, me aproveitando do fato de que ela não escutaria nada com o fone no ouvido.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;“Oiii???”, ela respondeu tirando o fone. Na mesma hora, chega de patins o Menino do Rio - diretamente da letra do Caetano Veloso, com dragão tatuado no braço e tudo. Dá um selinho na morena e fica me olhando com cara de cu. Fui andando pelo calçadão, pensando no Oswaldo. O Montenegro. O cara come a Paloma Duarte. Tá melhor que o Menino do Rio.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Já eram oito da noite e o sol ainda estava se pondo. A luz dava um clima de fim de festa e o céu estava cheio de cores. Eu que sou daltônico vi o céu laranja e a areia meio verde. Numa boa, é um privilégio ser daltônico. Além de enxergar essa psicodelia de cores, o sujeito ainda pode ser liberado do exército e tirar dez na prova de geografia porque não tem condição de colorir o mapa. Comigo foi assim.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Mas o sol estava se pondo e eu ia me aproximando do Posto 9, o reduto sagrado da juventude bronzeada carioca, na praia de Ipanema. É lá que você precisa atravessar um labirinto do estilo Minotauro pela areia pra conseguir chegar até a água e dar um mergulho num dia de calor. É lá que a nossa juventude apresenta seu tórax apolíneo e desfila sua coxa bombada de acadêmia. É lá que o sol nasce para quase todos. É o oasis da maconha e da punheta. O maior barato. Dizem que a culpa de tudo isso é do Gabeira, que no final dos anos 70 desfilava pela área com uma micro-tanga para expressar toda a sua liberdade e masculinidade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;E então aconteceu. Aplausos. O Posto 9 inteiro aplaudindo o pôr-do-sol e eu ali presenciando aquilo com a calça jeans grudada nas pernas, ensopadas de suor. Todos batendo palmas em direção ao astro-rei no maior alto astral. Um espetáculo de reverência à natureza. Parecia que de repente o mundo havia sido tomado por pessoas sensíveis. O cara da barraca de bebidas abraçava o vendedor de queijo coalho como dois estranhos se abraçam no Maracanã na hora do gol do Flamengo. Apitos soavam por toda a orla estimulando a revoada de dúzias de pombos, e uma turista norueguesa enxugava os olhos marejados de emoção.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Precisava tanto? Me perguntei. Aquilo tinha um ar de ato final de tragédia grega protagonizada pelos atores errados. A fauna da Zona Sul do Rio, enquanto emporcalhava a areia e o mar com copos de plástico e sacos de biscoito Globo, brindava o crepúsculo numa celebração duvidosa. Nisso olho para o quiosque ao lado e noto que dois casais com taças de champagne nas mãos estavam me fitando, como se perguntassem entre eles: “Por que ele não está aplaudindo também? Cara estranho”. Ao mesmo tempo tive vontade de rir e vomitar. Ou seja, eu estava sendo intimado a participar daquela papagaiada tropical.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Não que eu não fosse capaz de perceber a beleza daquele fim de tarde. Eu gosto do sol, gosto da praia e o Rio de Janeiro provavelmente é mesmo a cidade mais bonita do mundo no auge do verão. Mas naquele momento preferia que a praia estivesse vazia e que a juventude deixasse o sol se pôr em paz. Comprei uma lata de cerveja morna e a ergui na direção dos dois casais como quem faz um sinal de brinde ou como quem diz: “Fodam-se”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Finalmente percebi que o sol estava com pressa de ir embora e se afundava atrás da linha do mar numa velocidade assustadora, que nem um pobre coitado que corre para a privada em meio ao desespero de uma dor de barriga. Parecia envergonhado, sem entender todo aquele mimo. Acho que ainda o escutei resmungar enquanto sumia no horizonte: “Eles que aguardem os próximos capítulos do aquecimento global”.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Zé McGill&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3689334277767611765-3361237747880174515?l=revistafoda-se.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://revistafoda-se.blogspot.com/feeds/3361237747880174515/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3689334277767611765&amp;postID=3361237747880174515' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3689334277767611765/posts/default/3361237747880174515'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3689334277767611765/posts/default/3361237747880174515'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://revistafoda-se.blogspot.com/2008/01/juventude-bronzeada.html' title='JUVENTUDE BRONZEADA'/><author><name>Revista Foda-se</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16958292788814484525</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_6KDne3Njd_g/SYBYcPCPbxI/AAAAAAAAAJI/UuNficiIY9U/S220/marrocos6.jpg'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://bp3.blogger.com/_6KDne3Njd_g/R6Zg-uvFiZI/AAAAAAAAAA4/cJjoA8r1kRQ/s72-c/por-do-sol-em-ipanema.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-3689334277767611765.post-7894570998393659431</id><published>2008-01-23T22:04:00.002-02:00</published><updated>2008-02-14T11:32:24.320-02:00</updated><title type='text'>BEM-VINDO AO MUNDO DE FODA-SE</title><content type='html'>&lt;div&gt;&lt;span style="font-family:verdana;"&gt;Este espaço é experimental. Uma cobaia da Revista &lt;strong&gt;Foda-se&lt;/strong&gt;, onde em breve este que vos escreve e outros seres irão falar sobre música, futebol, cinema, cerveja, literatura, sexo e o que mais der vontade.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;A &lt;strong&gt;Foda-se&lt;/strong&gt; não é uma revista alternativa, descolada ou pop. Muito menos intelectualóide, politizada e responsável. Aqui reina o mais sincero foda-se. Não o foda-se agressivo, com ponto de exclamação, mas o foda-se seguido de reticências, dormente e indiferente.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Aqui não existe compromisso com nada. Portanto, se você pretende encontrar a sua tribo, seja ela qual for, permita-me sugerir que não perca o seu tempo. Procure algum fanzine underground ou a revista Veja. Caso contrário, ligue o seu botão do &lt;strong&gt;Foda-se&lt;/strong&gt; e seja bem-vindo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;strong&gt;Zé McGill&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/3689334277767611765-7894570998393659431?l=revistafoda-se.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://revistafoda-se.blogspot.com/feeds/7894570998393659431/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://www.blogger.com/comment.g?blogID=3689334277767611765&amp;postID=7894570998393659431' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3689334277767611765/posts/default/7894570998393659431'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/3689334277767611765/posts/default/7894570998393659431'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://revistafoda-se.blogspot.com/2008/01/foda-se.html' title='BEM-VINDO AO MUNDO DE FODA-SE'/><author><name>Revista Foda-se</name><uri>http://www.blogger.com/profile/16958292788814484525</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='32' height='24' src='http://2.bp.blogspot.com/_6KDne3Njd_g/SYBYcPCPbxI/AAAAAAAAAJI/UuNficiIY9U/S220/marrocos6.jpg'/></author><thr:total>5</thr:total></entry></feed>
